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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2023

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qq906678
Banca
FUNDATEC
Órgão
SPGG - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médica (Pediatra)
A afecção respiratória que acomete mais frequentemente recém-nascidos prematuros com menos de 28 semanas de gestação, do sexo masculino, em filhos de mães diabéticas, e que sofreram asfixia ao nascimento, chama-se:
  1. APneumonias.
  2. BSíndrome do escape de ar.
  3. CSíndrome da aspiração de mecônio.
  4. DSíndrome da hipertensão pulmonar persistente neonatal.
  5. ESíndrome do desconforto respiratório por deficiência de surfactante alveolar.
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GabaritoE — Síndrome do desconforto respiratório por deficiência de surfactante alveolar.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome do desconforto respiratório do recém-nascido (SDRN)

Gabarito: letra E. A afecção descrita — que acomete preferencialmente prematuros extremos (< 28 semanas), do sexo masculino, filhos de mães diabéticas e com história de asfixia perinatal — é a Síndrome do Desconforto Respiratório por deficiência de surfactante alveolar, também chamada de doença da membrana hialina. O quadro clínico clássico é de desconforto respiratório progressivo nas primeiras horas de vida, com taquipneia, gemência, retrações e cianose, exigindo suporte ventilatório e reposição de surfactante exógeno.

A Síndrome do Desconforto Respiratório do Recém-Nascido (SDRN) é a principal causa de morbimortalidade respiratória em prematuros. Sua fisiopatologia está centrada na deficiência quantitativa e qualitativa de surfactante pulmonar, um complexo lipoproteico produzido pelos pneumócitos tipo II que reduz a tensão superficial alveolar, impedindo o colapso alveolar ao final da expiração. Sem surfactante suficiente, os alvéolos colapsam (atelectasia), gerando shunt intrapulmonar, hipoxemia e acidose, que por sua vez inibem ainda mais a síntese de surfactante — um ciclo vicioso que agrava o quadro.

A produção de surfactante começa por volta da 24ª semana de gestação, mas só atinge níveis adequados próximo do termo (após 34–35 semanas). Por isso, a incidência e a gravidade da SDRN são inversamente proporcionais à idade gestacional: quanto mais prematuro, maior o risco. Além da prematuridade, outros fatores de risco bem estabelecidos são:

  • Sexo masculino — os meninos têm maturação pulmonar mais tardia que as meninas;

  • Filhos de mães diabéticas — a hiperinsulinemia fetal inibe a síntese de surfactante, retardando a maturação pulmonar;

  • Asfixia perinatal — a hipóxia e a acidose reduzem a produção de surfactante e prejudicam a perfusão pulmonar;

  • Cesárea sem trabalho de parto — a ausência do estresse fisiológico do parto vaginal reduz a liberação de corticosteroides endógenos que aceleram a maturação pulmonar.

Por outro lado, existem fatores que protegem contra a SDRN, como o estresse fetal crônico (hipertensão materna, restrição de crescimento intrauterino, uso de corticoides antenatais), que acelera a maturação pulmonar.

O diagnóstico é essencialmente clínico-radiológico: o recém-nascido prematuro apresenta desconforto respiratório progressivo nas primeiras 6–12 horas de vida, com taquipneia, gemência expiratória, retrações intercostais e subcostais, batimento de asas nasais e cianose. A radiografia de tórax mostra o clássico padrão de infiltrado reticulogranular difuso com broncograma aéreo (aspecto de "vidro moído"). O tratamento envolve suporte respiratório (CPAP nasal ou ventilação mecânica), reposição de surfactante exógeno e cuidados gerais (controle térmico, glicemia, hidroeletrolítico).

A distinção fundamental que esta questão explora é entre a SDRN e as demais afecções respiratórias neonatais listadas nas alternativas. Cada uma tem um perfil epidemiológico e fisiopatológico próprio, e a banca mistura esses perfis para testar se o candidato sabe diferenciá-los. O critério decisivo é o conjunto de fatores de risco apresentado no enunciado: prematuridade extrema + sexo masculino + mãe diabética + asfixia — todos apontam diretamente para a deficiência de surfactante.

Alternativa A — ❌ Incorreta

As pneumonias neonatais são infecções do parênquima pulmonar, geralmente de origem bacteriana (Streptococcus do grupo B, Escherichia coli, Listeria) ou viral, adquiridas por via transplacentária, durante o parto ou no período pós-natal. Embora possam ocorrer em prematuros, não têm a associação específica com os fatores de risco descritos no enunciado (prematuridade extrema, sexo masculino, mãe diabética, asfixia). O quadro clínico costuma incluir febre ou hipotermia, desconforto respiratório e alterações radiológicas focais ou difusas, mas a fisiopatologia é infecciosa, não relacionada à deficiência de surfactante.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A síndrome do escape de ar (ou síndrome de vazamento de ar) engloba condições como pneumotórax, pneumomediastino, enfisema intersticial pulmonar e pneumopericárdio, que ocorrem pela ruptura de alvéolos superdistendidos, frequentemente como complicação da ventilação mecânica ou da reanimação neonatal. Não é uma doença primária do prematuro extremo com os fatores de risco citados, mas sim uma complicação que pode surgir no curso de outras afecções respiratórias, inclusive da própria SDRN tratada com ventilação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A síndrome da aspiração de mecônio ocorre em recém-nascidos de termo ou pós-termo que eliminaram mecônio intraútero e o aspiraram para as vias aéreas, geralmente em situações de sofrimento fetal (asfixia). O perfil epidemiológico é oposto ao da SDRN: o bebê é maduro, não prematuro, e a mãe não é necessariamente diabética. A presença de líquido amniótico meconial é o marco diagnóstico. Embora a asfixia possa estar presente, a prematuridade extrema e a mãe diabética não são características típicas dessa síndrome.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A síndrome da hipertensão pulmonar persistente neonatal (HPPN) é caracterizada pela falha na transição da circulação fetal para a neonatal, com manutenção de resistência vascular pulmonar elevada e shunt direita-esquerda pelo canal arterial e forame oval, levando a hipoxemia grave. Pode ser primária (idiopática) ou secundária a diversas condições (asfixia, sepse, SDRN, hérnia diafragmática, aspiração de mecônio). Embora a asfixia seja um fator de risco, a HPPN não é a afecção mais frequente em prematuros extremos com mãe diabética — ela é, na verdade, mais comum em recém-nascidos de termo ou próximos do termo.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A Síndrome do Desconforto Respiratório por deficiência de surfactante alveolar (doença da membrana hialina) é exatamente a afecção descrita: acomete mais frequentemente prematuros com menos de 28 semanas (imaturidade pulmonar), do sexo masculino (maturação mais tardia), filhos de mães diabéticas (hiperinsulinemia inibe a síntese de surfactante) e que sofreram asfixia ao nascimento (hipóxia e acidose reduzem a produção de surfactante). Todos os fatores de risco citados no enunciado convergem para essa síndrome, tornando-a a resposta inequívoca.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura fatores de risco de diferentes afecções respiratórias neonatais para confundir. O candidato que associa "asfixia" à aspiração de mecônio ou à HPPN pode cair nas alternativas C ou D, mas o enunciado é específico: prematuridade extrema (< 28 semanas) + mãe diabética + sexo masculino formam a tríade clássica da deficiência de surfactante. A asfixia é um fator adicional que agrava a SDRN, não uma pista para outra doença. Fique atento ao conjunto completo de fatores, não a um único deles.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar as afecções respiratórias neonatais, monte um quadro mental com o perfil epidemiológico de cada uma: SDRN → prematuro extremo, mãe diabética, sexo masculino; aspiração de mecônio → termo/pós-termo, líquido meconial; HPPN → termo, asfixia, cardiopatia; pneumonia → infecção, febre, sepse; escape de ar → complicação de ventilação. Na prova, leia o enunciado e identifique o perfil do paciente antes de escolher.

Gabarito: letra E

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