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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2023

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qq906681
Banca
FUNDATEC
Órgão
SPGG - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médica (Pediatra)
Dor abdominal é queixa frequente em crianças e adolescentes que procuram unidades de emergência pediátrica. Dessa forma, o principal objetivo na avaliação de um paciente é identificar as situações de risco de vida. Sobre isso, analise as assertivas abaixo:I. A idade deve orientar os diagnósticos diferenciais: em lactentes predominam apendicite aguda e torção de ovário; em adolescentes e escolares, má rotação com volvo intestinal e intussuscepção intestinal.II. A ultrassonografia abdominal é o exame de imagem preferencial nos quadros abdominais obstrutivos e inflamatórios.III. A tomografia computadorizada é o padrão-ouro para o diagnóstico de lesão traumática abdominal, mas deve ser utilizada de modo insidioso pelos riscos inerentes da radiação.Quais estão corretas?
  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas III.
  4. DApenas I e III.
  5. EApenas II e III.
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GabaritoE — Apenas II e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Dor abdominal aguda em crianças: diagnóstico por imagem e faixa etária

Gabarito: letra E — estão corretas apenas as assertivas II e III. A ultrassonografia é o exame de imagem preferencial nos quadros abdominais obstrutivos e inflamatórios em crianças (por ser segura, sem radiação e de alta disponibilidade), e a tomografia computadorizada é o padrão-ouro para lesão traumática abdominal, embora deva ser usada com cautela pelos riscos da radiação. A assertiva I está incorreta porque inverte as faixas etárias: em lactentes predominam má rotação com volvo e intussuscepção, enquanto apendicite aguda e torção de ovário são mais comuns em escolares e adolescentes.

A dor abdominal aguda é um dos motivos mais comuns de ida ao pronto-socorro pediátrico, e o grande desafio do médico é separar, entre tantas causas benignas e autolimitadas, aquelas que representam risco de vida e exigem intervenção imediata. O raciocínio clínico começa pela anamnese e exame físico, mas os exames de imagem têm papel central na confirmação diagnóstica — e é exatamente sobre a escolha correta desses exames que a questão se debruça.

A idade é um dos principais guias para o diagnóstico diferencial, porque o espectro de doenças abdominais varia dramaticamente conforme o desenvolvimento anatômico e fisiológico da criança. Em lactentes (especialmente entre 3 meses e 3 anos), as causas mais características são a intussuscepção intestinal e a má rotação intestinal com volvo — condições que podem levar rapidamente a isquemia e necrose intestinal. Já em escolares e adolescentes, a apendicite aguda assume o posto de causa mais comum de abdome agudo cirúrgico, e nas meninas adolescentes a torção de ovário entra no diagnóstico diferencial de dor abdominal baixa. A assertiva I inverte exatamente essa lógica, atribuindo aos lactentes as doenças dos adolescentes e vice-versa.

Quando o exame de imagem é necessário, a ultrassonografia abdominal é a primeira escolha na criança. Isso se deve a uma combinação de fatores: não utiliza radiação ionizante (crucial na população pediátrica, mais sensível aos efeitos carcinogênicos), não requer contraste nefrotóxico, é amplamente disponível, tem baixo custo e excelente acurácia para as principais causas de abdome agudo nessa faixa etária — como apendicite, intussuscepção, volvo e torção ovariana. É verdade que o exame é operador-dependente, mas essa limitação não supera suas vantagens em pediatria.

Já a tomografia computadorizada é o exame de maior acurácia para a avaliação do trauma abdominal fechado, sendo considerada o padrão-ouro nesse cenário. Sua alta sensibilidade e especificidade permitem identificar lesões de órgãos sólidos (baço, fígado, rim), sangramentos ativos e outras lesões que passariam despercebidas em outros métodos. O problema é que a TC expõe a criança a uma dose significativa de radiação ionizante, com riscos cumulativos de neoplasias ao longo da vida. Por isso, a recomendação é usá-la de forma criteriosa — o termo correto seria "cautelosa" ou "judiciosa", e não "insidiosa", que tem conotação de algo oculto ou traiçoeiro. Apesar do deslize vocabular, a assertiva III está conceitualmente correta: a TC é o padrão-ouro no trauma, mas deve ser reservada para os casos em que realmente agrega informação.

Guarde, então, o critério que separa as assertivas: a faixa etária típica de cada doença (lactentes × escolares/adolescentes) e a hierarquia dos exames de imagem (US como primeira escolha em abdome agudo não traumático; TC como padrão-ouro no trauma, com uso criterioso). É exatamente nesses dois eixos que as alternativas se dividem.

Dor abdominal aguda na criança
  • 1Diagnóstico diferencial por idade
    • Lactentes
      • Má rotação com volvo
      • Intussuscepção
    • Escolares/adolescentes
      • Apendicite aguda
      • Torção de ovário
  • 2Exames de imagem
    • Ultrassonografia
      • Preferencial em abdome agudo
      • Sem radiação, alta disponibilidade
    • Tomografia
      • Padrão-ouro no trauma
      • Usar com cautela (radiação)
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Assertiva I — ❌ Incorreta

O erro está na inversão das faixas etárias. Em lactentes, predominam a má rotação intestinal com volvo e a intussuscepção intestinal — condições que cursam com obstrução e risco de isquemia. Já a apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo cirúrgico em escolares e adolescentes, e a torção de ovário é um diagnóstico diferencial importante em meninas adolescentes. A assertiva atribuiu aos lactentes as doenças típicas dos adolescentes e vice-versa.

Assertiva II — ✅ Correta

A ultrassonografia abdominal é, de fato, o exame de imagem preferencial nos quadros abdominais obstrutivos e inflamatórios em crianças. Suas vantagens — ausência de radiação ionizante, alta disponibilidade, baixo custo e boa acurácia para apendicite, intussuscepção, volvo e torção ovariana — a tornam a primeira escolha na população pediátrica, mesmo sendo operador-dependente.

Assertiva III — ✅ Correta

A tomografia computadorizada é o padrão-ouro para o diagnóstico de lesão traumática abdominal, com alta sensibilidade e especificidade para lesões de órgãos sólidos e sangramentos. A ressalva sobre os riscos da radiação também procede: a TC expõe a criança a radiação ionizante, com risco cumulativo de neoplasias, devendo ser usada com critério. O único senão é o termo "insidioso", que semanticamente significa algo oculto ou traiçoeiro — o correto seria "cauteloso" ou "judicioso" —, mas isso não invalida o conteúdo da assertiva.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte as faixas etárias na assertiva I — uma armadilha clássica. O candidato que decora "apendicite é comum em criança" sem associar à faixa etária específica cai na armadilha. Lembre-se: lactente = intussuscepção e volvo; escolar/adolescente = apendicite e torção de ovário. E na assertiva III, o termo "insidioso" é um distrator semântico — a banca testa se você conhece o conceito por trás da palavra, não o dicionário.

Gabarito: letra E — corretas apenas as assertivas II e III.

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