Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2023
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qq906689
Banca
FUNDATEC
Órgão
SPGG - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médica (Pediatra)
As dores musculoesqueléticas em membros são frequentemente observadas pelo pediatra que lança mão do exame físico, anamnese e exames complementares para melhor definição. A dor do crescimento, embora receba esse nome, não existe relação com o crescimento do escolar.Sobre essa denominação, o que deve deixar o médico atento, pois não é comum nesse tipo de dor?
ADor unilateral.
BCriança assintomática entre os episódios de dor.
CDor que ocorre em panturrilha e, às vezes, face anterior das coxas.
DQueixa mais comum no final da tarde ou início da noite.
EQuando a atenção dos pais é suficiente para resolver o problema.
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GabaritoA — Dor unilateral.
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Dor do crescimento: características típicas e sinais de alerta
Gabarito: letra A. A dor do crescimento é classicamente bilateral e simétrica, acometendo panturrilhas e face anterior das coxas, com episódios que ocorrem no final da tarde ou início da noite, criança assintomática entre os episódios e alívio com massagem ou atenção dos pais. A presença de dor unilateral é um sinal de alerta que deve levantar suspeita de outras causas, como neoplasias, infecções ou doenças ortopédicas — por isso é a alternativa que responde ao comando "o que não é comum nesse tipo de dor".
A dor do crescimento é um diagnóstico clínico, de exclusão, muito frequente na faixa etária escolar (6 a 11 anos). Apesar do nome, não há evidência de relação com o crescimento ósseo em si; acredita-se que esteja relacionada a fatores como fadiga muscular, hipermobilidade ou limiar de dor mais baixo. O pediatra deve reconhecer suas características típicas para tranquilizar a família e, principalmente, identificar os sinais de alarme que indicam a necessidade de investigação de doenças graves, como leucemia, tumores ósseos, artrite idiopática juvenil e infecções osteoarticulares.
As características que sugerem benignidade (e são típicas da dor do crescimento) incluem: dor bilateral e simétrica, localizada em panturrilhas e face anterior das coxas, que ocorre no final da tarde ou início da noite, sem claudicação, sem sinais inflamatórios (edema, calor, rubor), sem rigidez matinal, com exame físico normal e criança assintomática entre os episódios. A dor costuma ser aliviada com massagem, analgésicos simples e, principalmente, com a atenção e o carinho dos pais.
Por outro lado, os sinais de alerta que indicam dor não benigna incluem: dor unilateral ou localizada em um único ponto, dor noturna que acorda a criança e não alivia com analgésicos simples, dor presente em repouso, rigidez matinal, claudicação, febre, perda de peso, sudorese noturna, palidez, aumento de volume articular, dor óssea à palpação e piora progressiva. A presença de qualquer um desses sinais exige investigação complementar (hemograma, VHS, PCR, radiografias, etc.).
A tabela abaixo resume a distinção entre dor benigna e não benigna, que é o cerne da questão:
Característica
Dor benigna (típica da dor do crescimento)
Dor não benigna (alerta)
Lateralidade
Bilateral, simétrica
Unilateral ou localizada
Horário
Final da tarde / início da noite
Noturna, acorda a criança
Alívio
Massagem, analgésicos simples, atenção dos pais
Não alivia com analgésicos simples
Repouso
Alivia com repouso
Presente no repouso
Rigidez matinal
Ausente
Presente
Sinais inflamatórios
Ausentes (sem edema, calor)
Podem estar presentes
Estado entre episódios
Assintomática
Sintomática (febre, perda de peso, etc.)
A pegadinha da banca está em inverter o que é típico e o que é alarme: a dor unilateral é justamente um dos principais sinais de alerta, e não uma característica comum da dor do crescimento. O candidato que decora apenas as características típicas pode marcar uma alternativa verdadeira (como B, C, D ou E) por engano, sem perceber que a questão pede o que não é comum.
Dor do crescimento
1Características típicas
Bilateral e simétrica
Panturrilha e face anterior das coxas
Final da tarde / início da noite
Assintomática entre episódios
Alívio com atenção dos pais
2Sinais de alerta
Unilateral ou localizada
Noturna (acorda a criança)
Sem alívio com analgésicos
Rigidez matinal
Sinais inflamatórios
Sintomas sistêmicos
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Alternativa A — ❌ Incorreta (é o gabarito, pois a questão pede o que NÃO é comum)
A dor unilateral não é comum na dor do crescimento. Pelo contrário, a dor do crescimento é tipicamente bilateral e simétrica, acometendo ambos os membros inferiores. A unilateralidade é um sinal de alerta que sugere causas orgânicas, como trauma, infecção (osteomielite, artrite séptica), neoplasia (leucemia, tumor ósseo) ou doenças ortopédicas (doença de Legg-Calvé-Perthes, epifisiólise). Portanto, esta é a alternativa que responde corretamente ao comando "o que deve deixar o médico atento, pois não é comum nesse tipo de dor".
Alternativa B — ✅ Correta (é uma característica típica, portanto não responde ao comando)
A criança com dor do crescimento é assintomática entre os episódios. Os episódios de dor são intermitentes, e a criança não apresenta queixas ou alterações ao exame físico nos intervalos. Essa é uma característica clássica de benignidade, que ajuda a diferenciar de doenças inflamatórias ou neoplásicas, nas quais a criança costuma apresentar sintomas sistêmicos (febre, mal-estar, perda de peso) mesmo fora dos episódios de dor.
Alternativa C — ✅ Correta (é uma característica típica, portanto não responde ao comando)
A dor do crescimento ocorre tipicamente em panturrilhas e, às vezes, na face anterior das coxas. Essa localização é clássica e bilateral. A dor em outras regiões, como joelhos, quadris ou costas, pode indicar outras causas, como doença de Osgood-Schlatter, Legg-Calvé-Perthes ou espondilólise.
Alternativa D — ✅ Correta (é uma característica típica, portanto não responde ao comando)
A queixa é mais comum no final da tarde ou início da noite, frequentemente após atividades físicas do dia. Esse padrão horário é típico da dor do crescimento e contrasta com a dor noturna que acorda a criança, que é um sinal de alarme. A dor do crescimento geralmente não acorda a criança durante a noite.
Alternativa E — ✅ Correta (é uma característica típica, portanto não responde ao comando)
Quando a atenção dos pais é suficiente para resolver o problema, isso é uma característica de benignidade. A dor do crescimento costuma melhorar com massagem, carinho, distração e analgésicos simples. Se a dor persiste apesar de toda a atenção e cuidado, ou se a criança fica inconsolável, isso pode indicar uma causa mais grave.
Conclusão: A questão pede a alternativa que não é comum na dor do crescimento. As alternativas B, C, D e E descrevem características típicas e benignas. A alternativa A (dor unilateral) é o sinal de alerta que foge ao padrão, sendo, portanto, o gabarito.