Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2023
- Código
- qq906693
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- SPGG - RS
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médica (Pediatra)
- AToxoplasmose.
- BRubéola.
- CChikungunya.
- DParvovirose.
- EZica vírus.
GabaritoB — Rubéola.
Gabarito: letra B. A rubéola, quando ocorre no primeiro trimestre da gestação, é a infecção clássica associada a cardiopatias congênitas, incluindo estenose pulmonar e persistência do canal arterial, além de outras malformações como catarata e surdez. O risco de acometimento fetal é inversamente proporcional à idade gestacional: quanto mais precoce a infecção, maior o risco e a gravidade das sequelas.
A rubéola é uma infecção viral exantematosa, de transmissão respiratória, que em adultos e crianças geralmente tem curso benigno. O problema surge quando a infecção ocorre durante a gestação, especialmente no primeiro trimestre, pois o vírus atravessa a placenta e infecta o feto, causando uma infecção crônica que interfere no desenvolvimento dos órgãos. A síndrome da rubéola congênita (SRC) é o conjunto de malformações resultantes dessa infecção fetal, e a tríade clássica inclui catarata, surdez e cardiopatia congênita.
As cardiopatias congênitas associadas à rubéola são tipicamente a persistência do canal arterial e a estenose pulmonar, exatamente as mencionadas no enunciado. O mecanismo envolve a ação citopática direta do vírus sobre as células em proliferação, especialmente durante a organogênese, que ocorre nas primeiras 8 a 12 semanas de gestação. Por isso, a infecção no primeiro trimestre é a mais temida: é o período em que o coração está se formando e o vírus pode interromper esse processo.
A tabela abaixo mostra o risco de contaminação fetal conforme a idade gestacional, evidenciando a importância do primeiro trimestre:
Idade gestacional | Contaminação do feto |
|---|---|
< 4 semanas | 33% |
5-8 semanas | 25% |
9-12 semanas | 9% |
13-16 semanas | 4% |
> 17 semanas | 1% |
A banca explora a associação clássica entre rubéola e cardiopatias congênitas, mas é importante distinguir as outras infecções listadas: toxoplasmose causa principalmente calcificações intracranianas e coriorretinite; parvovirose B19 pode causar anemia fetal e hidropsia; zika vírus está associado à microcefalia; e chikungunya não tem associação clássica com malformações cardíacas. A rubéola é a única que se destaca pela tríade catarata-surdez-cardiopatia.
A banca pode tentar confundir o candidato com a toxoplasmose, que também é uma infecção congênita importante, mas suas sequelas clássicas são oculares e neurológicas (coriorretinite, hidrocefalia, calcificações), não cardíacas. A associação com cardiopatia congênita é marca registrada da rubéola.
A toxoplasmose congênita causa principalmente coriorretinite, hidrocefalia e calcificações intracranianas. Não é associada a estenose pulmonar ou persistência do canal arterial. O tratamento com espiramicina na gestação visa prevenir a transmissão fetal, mas as sequelas são neurológicas e oculares.
A rubéola é a infecção clássica que, no primeiro trimestre, causa a síndrome da rubéola congênita, com tríade catarata, surdez e cardiopatia congênita — incluindo estenose pulmonar e persistência do canal arterial. O risco de contaminação fetal é de 33% antes de 4 semanas e 25% entre 5-8 semanas, caindo para 9% entre 9-12 semanas.
O chikungunya não tem associação estabelecida com cardiopatias congênitas. A infecção na gestação pode causar transmissão vertical, mas as manifestações fetais são raras e não incluem estenose pulmonar ou persistência do canal arterial como sequelas clássicas.
A parvovirose B19 pode causar anemia fetal grave, hidropsia e até óbito fetal, mas não está associada a cardiopatias congênitas estruturais como estenose pulmonar ou persistência do canal arterial. O vírus tem tropismo por eritroblastos, causando anemia, não malformações cardíacas.
O zika vírus é associado à microcefalia e outras anomalias do sistema nervoso central, não a cardiopatias congênitas. Embora possa causar outras malformações, a associação clássica com estenose pulmonar e persistência do canal arterial é da rubéola.
Gabarito: letra B
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