Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2023
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qq906702
Banca
FUNDATEC
Órgão
SPGG - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médica (Pediatra)
As infecções agudas das vias aéreas superiores podem determinar quadros obstrutivos graves que podem resultar em insuficiência respiratória aguda de início abrupto. A laringotraqueobronquite é a causa mais comum. Na apresentação de pacientes com esse quadro na emergência pediátrica, o diagnóstico é baseado em:
AAchados clínicos.
BRaio-X de tórax com a típica imagem sinal da “ponta de lápis”.
CRaio-X com o sinal da “torre de igreja”.
DIsolamento viral.
EOximetria de pulso.
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GabaritoA — Achados clínicos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Laringotraqueobronquite: diagnóstico na emergência pediátrica
Gabarito: letra A. O diagnóstico da laringotraqueobronquite (crupe viral) é essencialmente clínico, baseado na tríade clássica de tosse metálica ("tosse de cachorro"), estridor inspiratório e rouquidão, frequentemente precedidos por pródromos de infecção de vias aéreas superiores. Exames complementares, como radiografia de tórax ou isolamento viral, não são necessários para o diagnóstico na maioria dos casos, sendo reservados para situações atípicas ou para excluir outras causas de obstrução.
A laringotraqueobronquite é a causa mais comum de obstrução aguda de vias aéreas superiores em crianças, especialmente entre 6 meses e 3 anos de idade, com pico de incidência no outono e inverno. O agente etiológico mais frequente é o vírus parainfluenza tipo 1, seguido por influenza A e B, adenovírus e VSR. A inflamação e o edema da região subglótica — a porção mais estreita da via aérea na criança — levam ao estreitamento crítico do lúmen, manifestando-se clinicamente com o estridor inspiratório característico.
O diagnóstico é feito pela anamnese e exame físico, sem necessidade de exames complementares de rotina. A radiografia de tórax ou de vias aéreas superiores pode ser solicitada em casos atípicos, como suspeita de corpo estranho, epiglotite ou estridor de início súbito sem pródromos virais. Quando realizada, a radiografia de pescoço em incidência anteroposterior pode mostrar o sinal da "torre de igreja" ou "ponta de lápis" — um estreitamento simétrico da coluna aérea subglótica — mas esse achado não é necessário para o diagnóstico e pode estar ausente em muitos casos. O isolamento viral e a oximetria de pulso são úteis para monitorização e manejo, mas não definem o diagnóstico.
A distinção crucial é entre a laringotraqueobronquite (crupe viral) e a epiglotite aguda. Enquanto o crupe tem início gradual, tosse metálica e estridor, a epiglotite apresenta início abrupto, disfagia, sialorreia, febre alta e toxemia, sem tosse característica. A epiglotite é uma emergência médica que requer via aérea definitiva imediata, e a radiografia pode mostrar o sinal do "polegar" na incidência lateral. A banca explora exatamente essa confusão: os sinais radiológicos são típicos de outras condições, não do crupe.
Na prática, o manejo da laringotraqueobronquite inclui avaliação da gravidade (escore de Westley), administração de corticosteroides (dexametasona) e, em casos moderados a graves, epinefrina nebulizada. A oximetria de pulso é importante para monitorar a saturação, mas não é um critério diagnóstico. O diagnóstico permanece clínico, e o tratamento é iniciado com base na apresentação, sem aguardar exames complementares.
Guarde o critério decisivo: a laringotraqueobronquite é uma síndrome clínica, e o diagnóstico é feito à beira do leito. As alternativas que mencionam exames de imagem ou laboratoriais como base diagnóstica estão incorretas, pois esses exames são complementares e não definem o quadro.
Laringotraqueobronquite (crupe viral)
1Diagnóstico
Clínico (tríade)
Tosse metálica
Estridor inspiratório
Rouquidão
Exames complementares
Não necessários de rotina
Reservados p/ casos atípicos
2Sinais radiológicos (opcionais)
"Torre de igreja" / "ponta de lápis"
Estreitamento subglótico
Não é diagnóstico
3Diagnóstico diferencial
Epiglotite
Início abrupto
Disfagia e sialorreia
Sinal do "polegar"
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O diagnóstico da laringotraqueobronquite é baseado em achados clínicos: história de pródromos virais, tosse metálica, estridor inspiratório, rouquidão e desconforto respiratório. Não há necessidade de exames complementares para confirmar o diagnóstico na maioria dos casos. A apresentação clássica é suficiente para iniciar o tratamento com corticosteroides e, se necessário, epinefrina nebulizada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A imagem de "ponta de lápis" (ou "torre de igreja") é um achado radiológico que pode ser visto na radiografia de pescoço em incidência anteroposterior em casos de laringotraqueobronquite, mas não é o sinal da "ponta de lápis" em raio-X de tórax. Além disso, o diagnóstico não se baseia em radiografia; ela é reservada para casos atípicos. O sinal da "ponta de lápis" é descrito na radiografia de pescoço, não de tórax, e mesmo assim não é patognomônico nem necessário.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O sinal da "torre de igreja" é o mesmo estreitamento subglótico visto na radiografia de pescoço, não de tórax. A alternativa erra ao indicar o raio-X de tórax como base diagnóstica e ao nomear o sinal de forma imprecisa. O diagnóstico permanece clínico; a radiografia, quando feita, é de partes moles do pescoço e não é obrigatória.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O isolamento viral (cultura, PCR ou imunofluorescência) pode confirmar o agente etiológico, mas é um exame demorado e não influencia a conduta imediata. O diagnóstico e o tratamento da laringotraqueobronquite são clínicos e não dependem da identificação viral. O isolamento é útil em estudos epidemiológicos, não na emergência.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A oximetria de pulso é um exame de monitorização que avalia a saturação de oxigênio, auxiliando na avaliação da gravidade e na necessidade de oxigenoterapia. No entanto, não é um exame diagnóstico da laringotraqueobronquite; a hipoxemia pode estar ausente mesmo em quadros obstrutivos significativos. O diagnóstico é clínico, e a oximetria é apenas um parâmetro de acompanhamento.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato ao associar o diagnóstico a exames de imagem (raio-X) ou laboratoriais (isolamento viral). O erro clássico é achar que o sinal da "torre de igreja" ou "ponta de lápis" é necessário para o diagnóstico, quando na verdade ele é um achado radiológico opcional e inespecífico. Lembre-se: o crupe é uma síndrome clínica, e o exame físico é soberano. Fique atento a essa inversão entre o que é diagnóstico e o que é complementar.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, compare com a epiglotite: enquanto o crupe tem início gradual, tosse metálica e estridor, a epiglotite tem início abrupto, disfagia e sialorreia, sem tosse. Na dúvida, priorize a clínica — exames de imagem são exceção, não regra.