Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2023
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qq906705
Banca
FUNDATEC
Órgão
SPGG - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médica (Pediatra)
São critérios aceitos mundialmente para a definição de caso de infecção congênita e perinatal por citomegalovírus (CMV):
AA presença do CMV na urina e/ou saliva.
BA presença do CMV no sangue de cordão.
CA presença de CMV em lesões de pele.
DA dosagem de plaquetas.
EO raio-X de crânio com lesões características da doença.
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GabaritoA — A presença do CMV na urina e/ou saliva.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Infecção congênita e perinatal por citomegalovírus (CMV)
Gabarito: letra A. O critério mundialmente aceito para a definição de caso de infecção congênita e perinatal por citomegalovírus (CMV) é a presença do vírus na urina e/ou saliva do recém-nascido, pois o CMV é excretado em grandes quantidades por essas vias após a infecção. As demais alternativas (sangue de cordão, lesões de pele, plaquetas e raio-X de crânio) não são critérios diagnósticos de definição de caso, embora possam estar alteradas em formas sintomáticas da doença.
O citomegalovírus é um herpesvírus que, após a infecção primária, permanece latente no hospedeiro e pode ser reativado periodicamente. A transmissão ocorre por via respiratória, pelo contato com secreções infectadas (urina, saliva, sêmen, secreção cervical) ou verticalmente (in utero, durante o parto ou pelo leite materno). A infecção congênita ocorre por disseminação hematogênica para a placenta e, em seguida, para o feto, podendo acontecer durante a infecção primária ou em recorrências. O risco fetal é muito maior na ocorrência de infecção primária, com cerca de 30-40% de infecção fetal, 10% de doença neonatal sintomática e 15% com sequelas em longo prazo.
A definição de caso de infecção congênita por CMV baseia-se na detecção do vírus em amostras biológicas do recém-nascido coletadas nas primeiras semanas de vida (idealmente até 21 dias). A urina e a saliva são os materiais de escolha porque o vírus é excretado em altas concentrações e por período prolongado, tornando a detecção altamente sensível. A presença do vírus no sangue de cordão não é o padrão-ouro, pois a viremia pode ser intermitente e menos sensível que a excreção urinária/salivar. Lesões de pele não são características da infecção congênita por CMV — ao contrário, por exemplo, da sífilis congênita ou da varicela. A dosagem de plaquetas e o raio-X de crânio podem mostrar alterações (plaquetopenia e calcificações periventriculares, respectivamente) em casos sintomáticos, mas não definem o caso — são achados inespecíficos que podem ocorrer em outras infecções congênitas (como toxoplasmose e rubéola).
A distinção crucial é entre definição de caso (critério diagnóstico que confirma a infecção) e manifestações clínicas/laboratoriais da doença. A definição de caso exige a detecção direta do vírus (ou de seu material genético) em um fluido biológico do recém-nascido. Os achados clínicos e exames complementares (plaquetopenia, calcificações cerebrais, icterícia, hepatoesplenomegalia) são indicativos de doença sintomática, mas não são suficientes para definir o caso — podem estar presentes em outras condições e até ausentes em infecções assintomáticas (cerca de 90% dos casos).
A pegadinha desta questão está em confundir sinais de doença com critérios de definição de caso. A banca oferece alternativas que representam manifestações da infecção sintomática (plaquetopenia, alterações no raio-X de crânio) ou locais menos sensíveis de detecção (sangue de cordão, lesões de pele), mas apenas a detecção do vírus na urina e/ou saliva é o critério mundialmente aceito para definir o caso. Guarde essa fronteira: para definir o caso, é preciso isolar ou detectar o vírus em secreções do recém-nascido — urina e saliva são os materiais de eleição.
A presença do CMV na urina e/ou saliva é o critério diagnóstico de definição de caso de infecção congênita e perinatal. O vírus é excretado em grandes quantidades e por período prolongado na urina e na saliva, o que torna esses materiais altamente sensíveis para a detecção viral. A coleta deve ser feita nas primeiras semanas de vida (idealmente até 21 dias) para distinguir infecção congênita de infecção adquirida no parto ou pós-natal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A presença do CMV no sangue de cordão não é o critério padrão para definição de caso. Embora a viremia possa ocorrer, a detecção no sangue é menos sensível que na urina/saliva, pois a excreção viral é intermitente. O sangue de cordão é mais utilizado para outros diagnósticos (como dosagem de IgM específica, que também não é o padrão-ouro). O material de escolha para definição de caso é urina e/ou saliva.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A presença de CMV em lesões de pele não é um critério de definição de caso. O CMV não costuma causar lesões cutâneas características na infecção congênita — ao contrário de outras infecções como sífilis congênita (lesões bolhosas) ou varicela (lesões vesiculares). A detecção do vírus em lesões de pele não é um método validado para o diagnóstico de infecção congênita.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A dosagem de plaquetas não define o caso de infecção congênita por CMV. A plaquetopenia pode estar presente em casos sintomáticos (assim como neutropenia, colestase e pneumonite), mas é um achado inespecífico que ocorre em diversas infecções congênitas e outras condições neonatais. Não é um critério diagnóstico de definição de caso.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O raio-X de crânio com lesões características (como calcificações periventriculares) pode ser um achado em casos sintomáticos de infecção congênita por CMV, mas não é um critério de definição de caso. As calcificações cerebrais também ocorrem em outras infecções congênitas (toxoplasmose, por exemplo) e podem estar ausentes em infecções assintomáticas. O diagnóstico de definição de caso exige a detecção direta do vírus.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre manifestações clínicas da doença e critérios de definição de caso. Plaquetopenia e calcificações cerebrais são sinais de infecção sintomática, mas não definem o caso — podem ocorrer em outras infecções congênitas. O que define o caso é a detecção do vírus na urina e/ou saliva do recém-nascido. Na prova, desconfie de alternativas que descrevem achados clínicos ou exames de imagem: eles indicam doença, não definem o caso.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de definição de caso em infecções congênitas, lembre-se: o diagnóstico de certeza exige a detecção direta do agente (vírus, bactéria, parasita) em um fluido biológico do recém-nascido. Para CMV, o material de eleição é urina e/ou saliva. Achados clínicos e laboratoriais (plaquetopenia, calcificações, icterícia) são apenas indicativos de doença sintomática. Essa lógica se aplica a outras infecções do complexo TORCH: toxoplasmose (detecção do parasita ou IgM), rubéola (IgM ou isolamento viral), sífilis (testes treponêmicos).
Gabarito: letra A — a presença do CMV na urina e/ou saliva é o critério mundialmente aceito para definição de caso de infecção congênita e perinatal.