Questão de Medicina — Hematologia na Patologia Clínica — FUNDATEC 2023
Medicina›Hematologia na Patologia Clínica
Código
qq906712
Banca
FUNDATEC
Órgão
SPGG - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico (Clínica Geral)
São distúrbios da hemostasia primária por defeitos da secreção plaquetária, EXCETO:
AUremia.
BRedução da atividade da cicloxigenase.
CDefeitos no reservatório de armazenamento de grânulos.
DRevestimento plaquetário.
EDoença de Von Willebrand.
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GabaritoE — Doença de Von Willebrand.
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Distúrbios da hemostasia primária: defeitos da secreção plaquetária
Gabarito: letra E. A doença de Von Willebrand (DVW) é um distúrbio da hemostasia primária, mas NÃO é um defeito da secreção plaquetária — é causada por defeito quantitativo ou qualitativo do fator de von Willebrand (FVW), uma proteína plasmática que medeia a adesão plaquetária ao subendotélio. As demais alternativas (uremia, redução da atividade da cicloxigenase, defeitos no reservatório de armazenamento de grânulos e revestimento plaquetário) são causas de disfunção plaquetária por defeito na secreção/degranulação. A questão pede a EXCEÇÃO, ou seja, a alternativa que NÃO se enquadra nesse grupo.
A hemostasia primária é a fase inicial da formação do tampão plaquetário, envolvendo adesão, ativação e agregação das plaquetas, com o auxílio do FVW. Os distúrbios dessa fase podem ser divididos em três grandes grupos: (1) trombocitopenias (diminuição do número de plaquetas), (2) disfunções plaquetárias (defeitos qualitativos, incluindo defeitos de adesão, agregação e secreção) e (3) doença de von Willebrand (defeito do FVW). A questão foca especificamente nos defeitos da SECREÇÃO plaquetária, que é o processo de liberação do conteúdo dos grânulos (alfa, densos e lisossomos) após a ativação plaquetária.
A secreção plaquetária é um passo crucial na amplificação da agregação: quando as plaquetas são ativadas por agonistas como colágeno e trombina, elas liberam ADP, serotonina, cálcio e outros mediadores dos grânulos densos, além de proteínas adesivas dos grânulos alfa. Defeitos nesse processo resultam em sangramento mucocutâneo, como petéquias, equimoses e epistaxe. As causas de defeito de secreção incluem:
Uremia: a insuficiência renal crônica causa disfunção plaquetária por acúmulo de toxinas urêmicas que interferem na ativação e secreção plaquetária.
Redução da atividade da cicloxigenase: a cicloxigenase (COX) é a enzima que converte o ácido araquidônico em prostaglandinas e tromboxano A2, um potente agonista plaquetário. O uso de AAS (aspirina) ou outros AINEs inibe a COX, comprometendo a secreção e agregação plaquetária.
Defeitos no reservatório de armazenamento de grânulos: são distúrbios congênitos (como a síndrome de Hermansky-Pudlak e a síndrome de Chediak-Higashi) em que há deficiência dos grânulos densos ou alfa, comprometendo a secreção.
Revestimento plaquetário: refere-se à cobertura da superfície plaquetária por substâncias que interferem na função, como ocorre na paraproteinemia (mieloma múltiplo), onde as imunoglobulinas anormais revestem as plaquetas e prejudicam sua ativação e secreção.
A doença de von Willebrand, por sua vez, é causada por defeito na quantidade ou atividade do FVW, uma proteína que promove a adesão plaquetária ao colágeno subendotelial e estabiliza o fator VIII. Embora cause sangramento mucocutâneo semelhante aos distúrbios plaquetários, o defeito não está na secreção plaquetária, mas na ponte entre a plaqueta e o vaso lesado. A tabela abaixo compara os grupos:
Característica
Defeitos de secreção plaquetária
Doença de von Willebrand
Mecanismo
Falha na liberação de grânulos (ADP, serotonina, etc.)
Defeito do FVW (adesão plaquetária)
Causas
Uremia, AAS, defeitos congênitos de grânulos, revestimento
Hereditária (tipos 1, 2, 3) ou adquirida
Testes
Agregometria (resposta a ADP, colágeno, epinefrina)
Dosagem de FVW, atividade do FVW, multímeros
Tratamento
DDAVP (em alguns casos), tratar causa base
DDAVP (tipos 1 e 2A), concentrados de FVW (tipos 2B, 3)
A pegadinha da questão está em classificar a DVW como um distúrbio da hemostasia primária (o que é correto), mas o enunciado pede especificamente os defeitos da SECREÇÃO plaquetária. A DVW é um defeito de ADESÃO, não de secreção. Guarde essa distinção: adesão (DVW) vs. secreção (defeitos de grânulos, COX, uremia, revestimento).
Distúrbios da hemostasia primária
1Defeitos de secreção plaquetária
Uremia
Redução da COX (AAS/AINEs)
Defeitos de grânulos (storage pool)
Revestimento plaquetário
2Defeitos de adesão
Doença de Von Willebrand
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Alternativa A — ✅ Correta (é um defeito de secreção plaquetária)
A uremia é uma causa clássica de disfunção plaquetária adquirida. As toxinas urêmicas (como ácido guanidinosuccínico e fenóis) interferem na ativação plaquetária, incluindo a secreção de grânulos, resultando em sangramento mucocutâneo. Portanto, é um distúrbio da hemostasia primária por defeito da secreção plaquetária.
Alternativa B — ✅ Correta (é um defeito de secreção plaquetária)
A redução da atividade da cicloxigenase (COX) compromete a síntese de tromboxano A2, um agonista que amplifica a ativação e secreção plaquetária. Isso ocorre com o uso de AAS (aspirina) e outros anti-inflamatórios não esteroidais. O defeito está na via de sinalização que leva à secreção, portanto se enquadra no grupo.
Alternativa C — ✅ Correta (é um defeito de secreção plaquetária)
Os defeitos no reservatório de armazenamento de grânulos (storage pool defects) são distúrbios congênitos em que há deficiência dos grânulos densos (síndrome de Hermansky-Pudlak) ou dos grânulos alfa (síndrome de Gray Platelet). Sem os grânulos, a secreção plaquetária é deficiente, causando sangramento.
Alternativa D — ✅ Correta (é um defeito de secreção plaquetária)
O revestimento plaquetário (platelet coating) ocorre quando substâncias anormais, como paraproteínas (no mieloma múltiplo) ou fragmentos de fibrinogênio, recobrem a superfície plaquetária, interferindo na ativação e secreção. É uma causa adquirida de disfunção plaquetária.
Alternativa E — ❌ Incorreta (NÃO é um defeito de secreção plaquetária) ⟵ GABARITO
A doença de Von Willebrand é causada por defeito quantitativo ou qualitativo do fator de von Willebrand, uma proteína que medeia a adesão plaquetária ao colágeno subendotelial e estabiliza o fator VIII. O defeito está na adesão, não na secreção plaquetária. Embora seja um distúrbio da hemostasia primária, não se enquadra na categoria de defeitos da secreção plaquetária, sendo a exceção pedida.
Gabarito: letra E — a doença de Von Willebrand é a única alternativa que não representa um defeito da secreção plaquetária, pois o defeito é na adesão plaquetária mediada pelo FVW.