Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FUNDATEC 2023
- Código
- qq906713
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- SPGG - RS
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico (Clínica Geral)
- AMetformina
- BGlibenclamida.
- CAcarbose.
- DClorpropramida.
- EEmpagliflozina.
GabaritoD — Clorpropramida.
Gabarito: letra D. A clorpropramida, uma sulfonilureia de primeira geração, é o antidiabético oral classicamente associado à fibrose pulmonar, uma reação adversa rara, mas documentada. As demais opções (metformina, glibenclamida, acarbose e empagliflozina) não apresentam essa associação como efeito adverso relevante.
A fibrose pulmonar é uma doença pulmonar intersticial (DPI) caracterizada por inflamação e cicatrização anormal do parênquima pulmonar, levando ao enrijecimento progressivo dos pulmões e à limitação da capacidade vital. Diversos fármacos podem induzir DPI, e a história medicamentosa é um ponto crucial na investigação diagnóstica, como destacado na literatura: "A história medicamentosa também é importante, e a possibilidade de DPI induzida por fármacos deve ser aventada em todos os pacientes com doença pulmonar difusa observada em exames de imagem." Entre os fármacos associados à fibrose pulmonar, destacam-se alguns quimioterápicos (como bleomicina e metotrexato), antiarrítmicos (como amiodarona) e, no contexto dos antidiabéticos, a clorpropramida.
A clorpropramida é uma sulfonilureia de primeira geração, atualmente pouco utilizada na prática clínica devido ao risco de hipoglicemia prolongada e a outros efeitos adversos, incluindo a rara, porém grave, fibrose pulmonar. Esse efeito é um exemplo clássico de reação adversa idiossincrática, que não depende da dose e pode ocorrer mesmo com o uso prolongado. A glibenclamida, também uma sulfonilureia, mas de segunda geração, não apresenta essa associação, sendo mais comumente relacionada a hipoglicemia e ganho de peso.
A metformina, fármaco de primeira linha para diabetes tipo 2, tem como efeitos adversos mais comuns os gastrointestinais (diarreia, náusea) e o risco raro de acidose láctica, especialmente em pacientes com insuficiência renal. A acarbose, um inibidor da alfa-glicosidase, age no intestino, retardando a absorção de carboidratos, e seus efeitos adversos são predominantemente gastrointestinais (flatulência, diarreia). A empagliflozina, um inibidor do SGLT2, atua nos rins, promovendo glicosúria, e está associada a infecções genitourinárias e, raramente, a cetoacidose diabética euglicêmica. Nenhum desses fármacos tem a fibrose pulmonar como efeito adverso reconhecido.
A banca explora o conhecimento específico de farmacologia clínica, cobrando a associação entre um fármaco e uma reação adversa rara. A pegadinha está em o candidato conhecer os efeitos adversos comuns dos antidiabéticos, mas não os raros e específicos, como a fibrose pulmonar pela clorpropramida. Para acertar, é fundamental memorizar os efeitos adversos idiossincráticos dos fármacos, especialmente aqueles que caem em provas de residência e concursos.
A metformina é uma biguanida, fármaco de primeira linha para diabetes tipo 2. Seus efeitos adversos mais comuns são gastrointestinais (diarreia, náusea, desconforto abdominal) e o risco raro de acidose láctica, especialmente em pacientes com insuficiência renal, insuficiência hepática ou condições que predispõem à hipóxia. Não há associação documentada entre metformina e fibrose pulmonar. A banca incluiu a metformina como distrator por ser o antidiabético mais utilizado, mas ela não causa fibrose pulmonar.
A glibenclamida é uma sulfonilureia de segunda geração, que estimula a secreção de insulina pelas células beta pancreáticas. Seus efeitos adversos mais relevantes são hipoglicemia e ganho de peso. Embora seja uma sulfonilureia, a glibenclamida não está associada à fibrose pulmonar, ao contrário da clorpropramida, que é de primeira geração. A banca pode tentar confundir o candidato ao colocar duas sulfonilureias, mas a associação específica é com a clorpropramida.
A acarbose é um inibidor da alfa-glicosidase, que age no intestino delgado, retardando a digestão e absorção de carboidratos. Seus efeitos adversos são predominantemente gastrointestinais, como flatulência, diarreia e dor abdominal, devido à fermentação dos carboidratos não absorvidos no cólon. Não há relato de fibrose pulmonar associada ao uso de acarbose. A absorção sistêmica da acarbose é muito baixa, o que reduz a probabilidade de efeitos adversos sistêmicos.
A clorpropramida é uma sulfonilureia de primeira geração, atualmente pouco utilizada devido ao risco de hipoglicemia prolongada e a outros efeitos adversos. Entre esses efeitos, está a fibrose pulmonar, uma reação adversa rara, mas bem documentada na literatura. A clorpropramida também pode causar hiponatremia (por síndrome da secreção inapropriada do hormônio antidiurético - SIADH) e reações de hipersensibilidade. A fibrose pulmonar é um efeito idiossincrático, que pode ocorrer após meses ou anos de uso, e é uma das razões pelas quais a clorpropramida foi substituída por sulfonilureias de segunda geração, como a glibenclamida e a gliclazida.
A empagliflozina é um inibidor do cotransportador de sódio-glicose tipo 2 (SGLT2), que age nos rins, promovendo a excreção de glicose na urina. Seus efeitos adversos mais comuns são infecções genitourinárias (candidíase, infecção do trato urinário) e, raramente, cetoacidose diabética euglicêmica. Não há associação entre empagliflozina e fibrose pulmonar. A empagliflozina é um fármaco relativamente novo, com perfil de segurança bem estabelecido, e a fibrose pulmonar não faz parte de seus efeitos adversos.
Gabarito: letra D — a clorpropramida é o antidiabético oral que pode causar fibrose pulmonar.
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