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Questão de Medicina — Hematologia — FUNDATEC 2023

MedicinaHematologia
Código
qq906725
Banca
FUNDATEC
Órgão
SPGG - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico (Clínica Geral)
A deficiência de Vitamina K pode causar alteração principalmente em:
  1. AContagem de plaquetas.
  2. BFibrinogênio.
  3. CTempo de trombina.
  4. DTempo de tromboplastina parcial ativada.
  5. ETempo de protrombina.
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GabaritoE — Tempo de protrombina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Deficiência de vitamina K e a coagulação

Gabarito: letra E. A deficiência de vitamina K compromete a síntese hepática dos fatores II (protrombina), VII, IX e X, além das proteínas C e S. Como o tempo de protrombina (TP) avalia justamente a via extrínseca e a via comum, que dependem dos fatores VII, X, V, II e I, a alteração mais característica é o prolongamento do TP. As demais alternativas não são o principal alvo da deficiência de vitamina K.

A vitamina K é uma vitamina lipossolúvel essencial para a carboxilação de resíduos de ácido glutâmico em fatores da coagulação, tornando-os funcionais. Sem essa modificação pós-traducional, os fatores II, VII, IX e X são produzidos, mas não conseguem se ligar ao cálcio e às membranas fosfolipídicas, ficando inativos. Por isso, a deficiência de vitamina K — seja por desnutrição, colestase, uso de antibióticos de amplo espectro ou antagonistas como a varfarina — leva a um estado hipocoagulável.

O tempo de protrombina (TP) é o teste de triagem que avalia a via extrínseca e a via comum da coagulação. Ele mede o tempo necessário para a formação do coágulo de fibrina após a adição de tromboplastina e cálcio ao plasma. Os fatores avaliados são VII, V, X, II (protrombina) e I (fibrinogênio). Como três desses fatores (VII, X e II) são dependentes de vitamina K, o TP é o exame mais sensível para detectar essa deficiência. Na prática clínica, o TP é utilizado para monitorar pacientes em uso de cumarínicos, que são antagonistas da vitamina K.

O tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPa), por sua vez, avalia a via intrínseca e a via comum, sendo sensível a deficiências dos fatores XII, XI, IX, VIII, X, V, II e I. Embora o fator IX seja dependente de vitamina K, o TTPa é menos específico para a deficiência dessa vitamina, pois também é prolongado em hemofilias (deficiência de VIII ou IX), doença de von Willebrand, uso de heparina e presença de anticoagulante lúpico. Já o tempo de trombina (TT) avalia apenas a conversão de fibrinogênio em fibrina, sendo prolongado em hipofibrinogenemia, disfibrinogenemia, CIVD e uso de heparina ou dabigatrana. A contagem de plaquetas e o fibrinogênio não são diretamente afetados pela deficiência de vitamina K.

A pegadinha desta questão está em confundir o TTPa com o TP. Como o TTPa também avalia fatores dependentes de vitamina K (IX, X, II), o candidato pode ser tentado a marcá-lo. No entanto, o TP é o teste que avalia a via extrínseca, que depende principalmente do fator VII — o fator com meia-vida mais curta entre os dependentes de vitamina K. Por isso, na deficiência de vitamina K, o TP se prolonga precocemente, antes mesmo do TTPa. Essa é a distinção crucial que separa a alternativa correta das demais.

Deficiência de vitamina K
  • 1Fatores dependentes
    • II (protrombina)
    • VII
    • IX
    • X
    • Proteínas C e S
  • 2Testes de coagulação
    • TP (via extrínseca)
      • Prolonga-se primeiro (fator VII)
    • TTPa (via intrínseca)
      • Prolonga-se só em casos graves
    • TT (fibrinogênio → fibrina)
      • Não se altera
  • 3Não afetados
    • Plaquetas
    • Fibrinogênio
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A contagem de plaquetas não é afetada pela deficiência de vitamina K. As plaquetas participam da hemostasia primária, formando o tampão plaquetário, e sua produção depende de trombopoetina, não de vitamina K. A deficiência de vitamina K compromete apenas a hemostasia secundária (fatores de coagulação). A contagem de plaquetas pode estar alterada em outras condições, como púrpura trombocitopênica imune, CIVD ou hiperesplenismo, mas não na deficiência isolada de vitamina K.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O fibrinogênio (fator I) é sintetizado no fígado, mas sua produção não depende de vitamina K. A deficiência de vitamina K não altera os níveis de fibrinogênio. O fibrinogênio pode estar diminuído em hepatopatia grave, CIVD ou afibrinogenemia congênita, mas não na deficiência de vitamina K. A dosagem de fibrinogênio é útil para diferenciar hipofibrinogenemia de outras causas de TP e TTPa prolongados, mas não é o alvo da deficiência de vitamina K.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O tempo de trombina (TT) avalia a conversão de fibrinogênio em fibrina, ou seja, a última etapa da cascata. Ele é prolongado em hipofibrinogenemia, disfibrinogenemia, CIVD, uso de heparina e uso de dabigatrana. A deficiência de vitamina K não afeta o TT, pois o fibrinogênio não é um fator dependente dessa vitamina. O TT é um teste mais específico para avaliar a via comum final, mas não é sensível à deficiência de vitamina K.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPa) avalia a via intrínseca e a via comum, sendo sensível a deficiências dos fatores XII, XI, IX, VIII, X, V, II e I. Embora o fator IX seja dependente de vitamina K, o TTPa não é o teste mais característico para essa deficiência. O TTPa é prolongado em hemofilias A e B, doença de von Willebrand, uso de heparina e presença de anticoagulante lúpico. Na deficiência de vitamina K, o TTPa pode estar prolongado em casos graves, mas o TP é o exame que se altera primeiro e de forma mais marcante, devido à meia-vida curta do fator VII.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O tempo de protrombina (TP) é o teste que avalia a via extrínseca e a via comum da coagulação, dependente dos fatores VII, V, X, II e I. Como os fatores VII, X e II são dependentes de vitamina K, a deficiência dessa vitamina prolonga o TP de forma característica. O TP é o exame de escolha para monitorar pacientes em uso de antagonistas da vitamina K (cumarínicos) e para avaliar a função hepática, pois o fator VII tem meia-vida curta e é o primeiro a cair na deficiência de vitamina K ou na disfunção hepática.

Gabarito: letra E

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