Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2023
- Código
- qq906773
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- SPGG - RS
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico (Neurologia)
- AApenas II.
- BApenas I e II.
- CApenas I e III.
- DApenas II e III
- EI, II e III.
GabaritoD — Apenas II e III
Gabarito: letra D — corretos os itens II e III. O DM é um dos principais fatores de risco para AVC isquêmico, e o hipotireoidismo pode cursar com alterações de memória, figurando como diagnóstico diferencial de demências. A assertiva I está incorreta porque o DM causa tanto manifestações centrais quanto periféricas, sendo a neuropatia periférica uma complicação clássica e frequente.
O diabetes melito é uma doença metabólica crônica que acomete o organismo de forma sistêmica, e o sistema nervoso é um dos principais alvos. A hiperglicemia crônica lesa vasos e nervos por múltiplos mecanismos — glicação de proteínas, estresse oxidativo, disfunção endotelial e inflamação —, o que explica por que o DM atinge tanto o sistema nervoso central quanto o periférico. No sistema nervoso periférico, a complicação mais conhecida é a neuropatia diabética, que se manifesta tipicamente como polineuropatia distal simétrica, com dormência, formigamento e dor em "queimação" nos pés, além de poder acometer o sistema nervoso autônomo. No sistema nervoso central, o DM aumenta o risco de acidente vascular cerebral (AVC), tanto isquêmico quanto hemorrágico, e está associado a declínio cognitivo e maior risco de demência vascular.
O AVC isquêmico é uma das complicações macrovasculares mais temidas do DM. A hiperglicemia acelera o processo aterosclerótico, favorecendo a formação de placas nas artérias cerebrais e carótidas, e o DM frequentemente coexiste com outros fatores de risco cardiovascular, como hipertensão arterial, dislipidemia e obesidade. Por isso, o DM é reconhecidamente um dos principais fatores de risco modificáveis para AVC isquêmico, e o controle glicêmico rigoroso, junto com o controle pressórico e lipídico, é a base da prevenção.
O hipotireoidismo, por sua vez, é uma condição em que a glândula tireoide produz hormônios tireoidianos em quantidade insuficiente. Os hormônios tireoidianos são essenciais para o metabolismo cerebral, e sua deficiência pode levar a uma ampla gama de sintomas neuropsiquiátricos, incluindo fadiga, lentificação do pensamento, depressão e, de fato, alterações de memória e déficits cognitivos. Em pacientes idosos, o hipotireoidismo pode mimetizar um quadro demencial, sendo fundamental sua investigação na avaliação de qualquer paciente com queixa de perda de memória — daí a importância de considerá-lo como diagnóstico diferencial de demência, especialmente porque é uma causa potencialmente reversível.
A pegadinha desta questão está na assertiva I, que inverte a realidade clínica: afirma que o DM "raramente causa alterações ao sistema nervoso periférico", quando na verdade a neuropatia periférica é uma das complicações mais comuns do diabetes. A banca explora a confusão entre o que é frequente e o que é raro, tentando fazer o candidato acreditar que o DM poupa o sistema nervoso periférico. Guarde a regra: o DM é um agressor sistêmico, e tanto o sistema nervoso central quanto o periférico são atingidos com frequência.
A assertiva afirma que o DM "raramente causa alterações ao sistema nervoso periférico". Isso é falso: a neuropatia diabética é uma das complicações crônicas mais prevalentes do diabetes, afetando uma parcela significativa dos pacientes ao longo da evolução da doença. A polineuropatia distal simétrica é a forma mais comum, mas também podem ocorrer neuropatias focais, mononeuropatias e neuropatia autonômica. O DM, portanto, causa manifestações tanto no sistema nervoso central quanto no periférico, e a neuropatia periférica é, na verdade, uma complicação muito frequente — não rara.
O DM é, de fato, um dos principais fatores de risco para AVC isquêmico. A hiperglicemia crônica promove aterosclerose acelerada, e o diabetes frequentemente se associa a hipertensão, dislipidemia e obesidade, compondo um perfil de alto risco cardiovascular. O controle glicêmico, pressórico e lipídico é essencial na prevenção primária e secundária do AVC em pacientes diabéticos.
O hipotireoidismo pode causar alterações de memória e déficits cognitivos, sendo um diagnóstico diferencial importante para demências. A deficiência de hormônios tireoidianos compromete o metabolismo cerebral, e o quadro pode mimetizar uma demência, especialmente em idosos. Como é uma causa potencialmente reversível, a dosagem de TSH deve fazer parte da investigação de todo paciente com queixa cognitiva.
Conclusão: corretos os itens II e III, portanto o gabarito é a letra D.
Gabarito: letra D
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