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Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2023

MedicinaNeurologia
Código
qq906782
Banca
FUNDATEC
Órgão
SPGG - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico (Neurologia)
As vias de sensibilidade do trato espinotalâmico e da coluna posterior conduzem diferentes modalidades de sensibilidade e seguem trajetos diferentes. Sobre elas, é correto afirmar que:
  1. AO trato espinotalâmico conduz à sensibilidade vibratória.
  2. BA via da coluna posterior conduz à sensibilidade térmica.
  3. CO trato espinotalâmico cruza a linha média em nível do tronco cerebral.
  4. DO trato espinotalâmico transita na medula espinhal pelo funículo lateral e anterior.
  5. EA via da coluna posterior cruza a linha média na medula espinhal e termina nos núcleos grácil e cuneiforme.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — O trato espinotalâmico transita na medula espinhal pelo funículo lateral e anterior.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vias de sensibilidade: espinotalâmico e coluna posterior

Gabarito: letra D. O trato espinotalâmico conduz sensibilidade superficial (dor, temperatura e tato grosseiro) e ascende pela medula espinhal nos funículos lateral e anterior, após cruzar a linha média já na medula espinhal — é exatamente essa localização anatômica que a alternativa D descreve corretamente. As demais alternativas trocam as modalidades de sensibilidade ou o local de decussação entre as duas vias.

As vias de sensibilidade geral são divididas em dois grandes sistemas: o sistema anterolateral (trato espinotalâmico) e o sistema da coluna posterior (fascículos grácil e cuneiforme). O primeiro carreia as sensibilidades superficiais — dor, temperatura e tato grosseiro — e o segundo, as sensibilidades profundas — cineticopostural (propriocepção consciente), vibração (palestesia) e tato discriminativo. Essa divisão é fundamental para a localização de lesões neurológicas: uma lesão que poupa a propriocepção mas abole a dor indica comprometimento do trato espinotalâmico, e vice-versa.

O ponto crítico é o local de decussação (cruzamento da linha média). As fibras do trato espinotalâmico cruzam na medula espinhal, logo após a entrada no corno posterior, e sobem contralateralmente pelos funículos lateral e anterior. Já as fibras da coluna posterior sobem ipsilateralmente até o bulbo, onde fazem sinapse nos núcleos grácil e cuneiforme, e só então cruzam a linha média no lemnisco medial. Essa diferença explica por que uma lesão medular unilateral à direita causa perda de dor e temperatura do lado esquerdo (abaixo da lesão) e perda de propriocepção do lado direito.

Na prática clínica, o exame neurológico testa essas modalidades separadamente: a sensibilidade dolorosa com alfinete, a térmica com tubos de água quente e fria, a tátil com algodão, e a vibratória com o diapasão. A dissociação entre sensibilidades — por exemplo, preservação do tato e da propriocepção com perda da dor e da temperatura — é a assinatura clássica de lesão do trato espinotalâmico, como na síndrome de Brown-Séquard.

A pegadinha da banca está em inverter as modalidades e os locais de cruzamento entre as duas vias. Guarde o par: espinotalâmico = superficial + cruza na medula; coluna posterior = profunda + cruza no bulbo. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Critério

Trato Espinotalâmico

Coluna Posterior (Grácil/Cuneiforme)

Modalidades conduzidas

Dor, temperatura, tato grosseiro (sensibilidade superficial)

Propriocepção consciente, vibração, tato discriminativo (sensibilidade profunda)

Local de decussação

Medula espinhal (corno posterior)

Bulbo (lemnisco medial)

Trajeto na medula

Funículos lateral e anterior (sistema anterolateral)

Funículo posterior (ipsilateral até o bulbo)

Efeito de lesão unilateral

Perda contralateral de dor/temperatura abaixo da lesão

Perda ipsilateral de propriocepção/vibração abaixo da lesão

Vias de sensibilidade
  • 1Sistema anterolateral (espinotalâmico)
    • Modalidades: dor, temperatura, tato grosseiro
    • Decussação: na medula espinhal
    • Trajeto: funículos lateral e anterior
  • 2Sistema coluna posterior
    • Modalidades
      • propriocepção, vibração, tato discriminativo
    • Decussação: no bulbo (lemnisco medial)
    • Trajeto
      • funículo posterior → núcleos grácil e cuneiforme
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o trato espinotalâmico conduz sensibilidade vibratória. Errado: a vibração (palestesia) é uma sensibilidade profunda, conduzida pela coluna posterior (fascículos grácil e cuneiforme), não pelo espinotalâmico. O espinotalâmico conduz dor, temperatura e tato grosseiro.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a via da coluna posterior conduz sensibilidade térmica. Errado: a temperatura é sensibilidade superficial, conduzida pelo trato espinotalâmico. A coluna posterior conduz propriocepção, vibração e tato discriminativo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o trato espinotalâmico cruza a linha média no tronco cerebral. Errado: o espinotalâmico cruza na medula espinhal, logo após a entrada no corno posterior. Quem cruza no tronco cerebral (bulbo) é a via da coluna posterior, no lemnisco medial.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. O trato espinotalâmico ascende pela medula espinhal nos funículos lateral e anterior (vias anterolaterais), após cruzar a linha média na medula. Essa é a descrição anatômica precisa do trajeto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a via da coluna posterior cruza a linha média na medula espinhal e termina nos núcleos grácil e cuneiforme. Há dois erros: (1) a coluna posterior cruza no bulbo, não na medula; (2) os núcleos grácil e cuneiforme são onde as fibras fazem sinapse no bulbo, não o término final da via — após a sinapse, o lemnisco medial segue ao tálamo e ao córtex.

Gabarito: letra D

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