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Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2023

MedicinaNeurologia
Código
qq906788
Banca
FUNDATEC
Órgão
SPGG - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico (Neurologia)
O lobo temporal caracteriza-se por ser a região mais epileptogênica do cérebro. A epilepsia do lobo temporal é mais comum em adultos e apresenta algumas particularidades. Sobre a epilepsia do lobo temporal, analise as seguintes assertivas:I. O lobo temporal mesial (especialmente o hipocampo e amígdala) está comumente envolvido na gênese das crises.II. O padrão de crise da epilepsia do lobo temporal surge na idade adulta, poupando a infância.III. O tratamento neurocirúrgico na epilepsia do lobo temporal pode ser considerado em pacientes refratários ao tratamento clínico.Quais estão corretas?
  1. AApenas I.
  2. BApenas I e II.
  3. CApenas I e III.
  4. DApenas II e III.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Apenas I e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Epilepsia do lobo temporal: análise de assertivas

Gabarito: letra C — corretos os itens I e III. A epilepsia do lobo temporal (ELT) é a síndrome epiléptica mais comum em adultos, e sua forma mesial envolve tipicamente o hipocampo e a amígdala; o tratamento cirúrgico é uma opção consolidada para casos refratários ao tratamento clínico. O item II está incorreto porque a ELT pode ter início na infância, especialmente quando associada a crises febris na primeira infância, não poupando essa faixa etária.

A epilepsia do lobo temporal é a síndrome epiléptica focal mais frequente, representando cerca de 40% dos casos de epilepsia. Sua importância clínica decorre não apenas da prevalência, mas também das particularidades semiológicas e terapêuticas. O lobo temporal mesial, que compreende o hipocampo e a amígdala, é a região mais epileptogênica do cérebro, sendo a esclerose hipocampal (também chamada esclerose temporal mesial) a patologia estrutural mais comum associada a essa síndrome. Essa esclerose consiste em perda de células piramidais e gliose em subcampos hipocampais, frequentemente associada a disfunção de memória de curto prazo.

A apresentação clínica típica inclui crises de início focal com comprometimento da consciência, muitas vezes precedidas por aura — a mais comum é a sensação epigástrica crescente. Automatismos oroalimentares (estalar de lábios, deglutição repetitiva) e manuais são frequentes quando a crise envolve o sistema límbico. É importante destacar que a ELT não é uma doença exclusiva do adulto: embora seja mais comum nessa faixa etária, pode manifestar-se na infância, e um subgrupo de pacientes tem história pregressa de crises febris na infância, o que contraria a afirmação de que o padrão de crise "poupa a infância".

Quanto ao tratamento, a abordagem inicial é sempre farmacológica com fármacos antiepilépticos. Contudo, cerca de 30% dos pacientes desenvolvem epilepsia refratária, definida pela falha de dois ou mais fármacos adequados em monoterapia ou em combinação. Nesses casos, a cirurgia de ressecção do foco epileptogênico é uma opção bem estabelecida, com taxas de sucesso (liberdade de crises) que variam de 40% a 70%, sendo maiores justamente na epilepsia do lobo temporal. A avaliação pré-cirúrgica inclui vídeo-EEG prolongado, ressonância magnética de alta resolução e, quando necessário, avaliação neuropsicológica e testes invasivos.

A distinção crucial que separa os itens corretos do incorreto é o reconhecimento de que a ELT, embora mais comum em adultos, não é uma condição que "poupa a infância" — pelo contrário, há uma associação bem documentada entre crises febris na infância e o desenvolvimento posterior de esclerose hipocampal. Além disso, a cirurgia é uma alternativa real e eficaz para pacientes refratários, não sendo um recurso de última linha sem evidência. É exatamente nesses dois pontos que a banca concentra a pegadinha: a falsa ideia de que a ELT é uma doença exclusivamente adulta e a dúvida sobre a validade do tratamento cirúrgico.

Epilepsia do lobo temporal
  • 1Mesial (hipocampo + amígdala)
    • Esclerose hipocampal
    • Causa estrutural mais comum
  • 2Idade de início
    • Mais comum em adultos
    • Não poupa a infância
      • Crises febris na infância
      • Fator de risco
  • 3Tratamento
    • Clínico (fármacos)
    • Cirúrgico p/ refratários
      • Amigdalo-hipocampectomia
      • Liberdade de crises 40–70%
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Item I — ✅ Correto

O lobo temporal mesial, especialmente o hipocampo e a amígdala, é de fato a região mais comumente envolvida na gênese das crises da ELT. A esclerose hipocampal é a patologia estrutural mais frequente nessa síndrome, e as crises do lobo temporal medial envolvem justamente o hipocampo e/ou a amígdala. O texto de apoio confirma: "As crises do lobo temporal medial envolvem o hipocampo e/ou a amígdala". A afirmação está correta e reflete o conhecimento consolidado sobre a fisiopatologia da ELT mesial.

Item II — ❌ Incorreto

A afirmação de que o padrão de crise da ELT "surge na idade adulta, poupando a infância" é falsa. Embora a ELT seja mais comum em adultos, ela pode se manifestar em qualquer idade, incluindo a infância. O texto de apoio menciona que "há história pregressa de crises febris na infância em um subgrupo" de pacientes com ELT, o que demonstra que a infância não é poupada — pelo contrário, eventos febris nessa fase podem ser um fator de risco para o desenvolvimento posterior da síndrome. A banca explora aqui a confusão entre "mais comum em adultos" (verdadeiro) e "exclusiva de adultos" (falso).

Item III — ✅ Correto

O tratamento neurocirúrgico é uma opção válida e bem estabelecida para pacientes com ELT refratária ao tratamento clínico. O texto de apoio afirma que "cirurgias de remoção de foco epileptogênico e calosotomia são os principais tipos de procedimentos cirúrgicos, com taxas de sucesso que variam entre 40% e 70% dos casos, sendo maiores na epilepsia parcial do lobo temporal". A cirurgia é indicada após a falha de pelo menos dois fármacos antiepilépticos adequados, e a ressecção do foco epileptogênico (como a amigdalo-hipocampectomia na esclerose mesial) pode levar à liberdade de crises em uma proporção significativa de pacientes. A afirmação está correta.

Conclusão: corretos os itens I e III, portanto o gabarito é a letra C.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "mais comum em adultos" e "exclusiva de adultos". A ELT é a epilepsia focal mais frequente no adulto, mas pode começar na infância — e a história de crises febris na infância é um fator de risco clássico para esclerose hipocampal. O candidato que lê o item II rapidamente e associa "mais comum em adultos" a "poupa a infância" cai na armadilha. Lembre-se: prevalência maior no adulto não significa ausência na criança.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre epilepsia do lobo temporal, memorize o tripé: (1) mesial = hipocampo + amígdala (esclerose hipocampal é a causa estrutural mais comum); (2) pode começar em qualquer idade, com associação a crises febris na infância; (3) cirurgia é opção consolidada para refratários, com melhores resultados justamente na ELT. Esse tripé cobre a maioria das assertivas que a banca elabora sobre o tema.

Gabarito: letra C

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