Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Angiologia — FUNDATEC 2023

MedicinaAngiologia
Código
qq906793
Banca
FUNDATEC
Órgão
SPGG - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico (Neurologia)
Uma mulher de 32 anos, usuária de anticoncepcional combinado e tabagista, vem à consulta devido à cefaleia de forte intensidade com início há 2 semanas. Traz na consulta exame de ressonância magnética de encéfalo que evidencia trombose venosa cerebral em veia cortical e pequena hemorragia parenquimatosa adjacente à trombose venosa. Exames para investigação de trombofilias não apresentam alterações. Sobre esse caso, analise as seguintes assertivas:I. A paciente deve ser orientada a cessar o tabagismo e modificar o método anticoncepcional, pois esses podem estar associados à trombose venosa cerebral.II. A paciente deve receber anticoagulação, mesmo tendo apresentado hemorragia.III. Tromboses de veias corticais, por terem uma circulação colateral mínima, têm pior prognóstico em relação às tromboses de seios venosos.Quais estão corretas?
  1. AApenas I.
  2. BApenas III.
  3. CApenas I e II.
  4. DApenas I e III.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Apenas I e II.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Trombose Venosa Cerebral (TVC): manejo e prognóstico

Gabarito: letra C (corretas I e II). A paciente apresenta trombose venosa cerebral (TVC) com hemorragia parenquimatosa adjacente, e o manejo correto envolve a suspensão dos fatores de risco modificáveis (tabagismo e anticoncepcional combinado) e a anticoagulação plena, mesmo na presença de sangramento — conduta baseada nas diretrizes de AVC e TVC. A assertiva III está incorreta, pois as tromboses de veias corticais, ao contrário do afirmado, têm melhor prognóstico que as tromboses de seios venosos, devido à circulação colateral mais desenvolvida.

A trombose venosa cerebral é uma causa relativamente rara de AVC, mas de grande importância clínica, especialmente em mulheres jovens. Ela ocorre quando um trombo oclui uma veia cerebral ou um seio venoso dural, levando a aumento da pressão intracraniana, congestão venosa e, em casos mais graves, infarto hemorrágico. Os fatores de risco mais comuns são justamente os presentes no caso: uso de anticoncepcional combinado (estrogênio) e tabagismo, ambos associados a estado de hipercoagulabilidade. A cefaleia é o sintoma mais frequente, presente em mais de 90% dos pacientes adultos, e costuma ser grave e progressiva, como descrito no enunciado.

O diagnóstico é confirmado por exame de imagem, sendo a angiorressonância magnética com venografia o exame de escolha, capaz de demonstrar a ausência de fluxo nos seios cerebrais. A angiotomografia pode ser usada como exame inicial. No caso apresentado, a ressonância já evidenciou a trombose em veia cortical e a hemorragia parenquimatosa adjacente, o que é um achado clássico da TVC: a transformação hemorrágica do infarto venoso.

O tratamento da TVC é baseado na anticoagulação plena, mesmo na presença de hemorragia intracraniana. Isso pode parecer contraintuitivo, mas a lógica é que a anticoagulação previne a extensão do trombo e a recorrência do evento, permitindo a recanalização venosa e a resolução do quadro. A hemorragia presente é consequência da congestão venosa e do infarto, e não um sangramento primário que contraindique a anticoagulação. As diretrizes internacionais, como as da American Heart Association/American Stroke Association, recomendam anticoagulação com heparina de baixo peso molecular ou heparina não fracionada na fase aguda, seguida de anticoagulação oral por pelo menos 3 a 6 meses.

A assertiva III aborda o prognóstico das tromboses de veias corticais versus seios venosos. Na verdade, a circulação colateral é mais rica nas veias corticais, o que confere melhor prognóstico a essas tromboses quando comparadas às tromboses de seios venosos, que têm pior prognóstico devido à maior dificuldade de drenagem venosa. Portanto, a afirmação de que as veias corticais têm "circulação colateral mínima" e "pior prognóstico" está invertida.

A pegadinha desta questão está na assertiva III, que inverte a relação prognóstica entre tromboses de veias corticais e seios venosos. O candidato que não domina a anatomia funcional da drenagem venosa cerebral pode ser induzido a marcar a alternativa como correta.

1Fatores de risco
Anticoncepcional combinado
Tabagismo
Trombofilias
2Diagnóstico
AngioRM com venografia (escolha)
AngioTC (inicial)
3Tratamento
Anticoagulação plena, mesmo com hemorragia
Suspender fatores de risco
4Prognóstico
Veias corticais: [+] melhor (circulação colateral rica)
Seios venosos: [-] pior (dificuldade de drenagem)
Trombose venosa cerebral (TVC)
LEVELsoulevel.com.br
Trombose venosa cerebral (TVC): Fatores de risco (Anticoncepcional combinado, Tabagismo, Trombofilias); Diagnóstico (AngioRM com venografia (escolha), AngioTC (inicial)); Tratamento (Anticoagulação plena, mesmo com hemorragia, Suspender fatores de risco); Prognóstico (Veias corticais: [+] melhor (circulação colateral rica), Seios venosos: [-] pior (dificuldade de drenagem))

Item I — ✅ Correto

A paciente deve ser orientada a cessar o tabagismo e modificar o método anticoncepcional, pois ambos são fatores de risco adquiridos para trombose venosa cerebral. O uso de estrogênio (anticoncepcional combinado) e o tabagismo aumentam o risco de eventos tromboembólicos, e a suspensão desses fatores é parte essencial do manejo para prevenir recorrências.

Item II — ✅ Correto

A anticoagulação está indicada mesmo na presença de hemorragia parenquimatosa adjacente à trombose venosa. A hemorragia é uma complicação do infarto venoso, e a anticoagulação plena é o tratamento de escolha para prevenir a extensão do trombo e permitir a recanalização. Essa conduta é respaldada pelas diretrizes de AVC e TVC.

Item III — ❌ Incorreto

A afirmação está invertida. As tromboses de veias corticais têm melhor prognóstico que as tromboses de seios venosos, pois a circulação colateral é mais rica nas veias corticais. As tromboses de seios venosos, por sua vez, têm pior prognóstico devido à maior dificuldade de drenagem venosa e maior risco de hipertensão intracraniana.

Conclusão: Corretos os itens I e II, portanto o gabarito é a letra C.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/qq906793