Questão de Medicina — Angiologia — FUNDATEC 2023
- Código
- qq906793
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- SPGG - RS
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico (Neurologia)
- AApenas I.
- BApenas III.
- CApenas I e II.
- DApenas I e III.
- EI, II e III.
GabaritoC — Apenas I e II.
Gabarito: letra C (corretas I e II). A paciente apresenta trombose venosa cerebral (TVC) com hemorragia parenquimatosa adjacente, e o manejo correto envolve a suspensão dos fatores de risco modificáveis (tabagismo e anticoncepcional combinado) e a anticoagulação plena, mesmo na presença de sangramento — conduta baseada nas diretrizes de AVC e TVC. A assertiva III está incorreta, pois as tromboses de veias corticais, ao contrário do afirmado, têm melhor prognóstico que as tromboses de seios venosos, devido à circulação colateral mais desenvolvida.
A trombose venosa cerebral é uma causa relativamente rara de AVC, mas de grande importância clínica, especialmente em mulheres jovens. Ela ocorre quando um trombo oclui uma veia cerebral ou um seio venoso dural, levando a aumento da pressão intracraniana, congestão venosa e, em casos mais graves, infarto hemorrágico. Os fatores de risco mais comuns são justamente os presentes no caso: uso de anticoncepcional combinado (estrogênio) e tabagismo, ambos associados a estado de hipercoagulabilidade. A cefaleia é o sintoma mais frequente, presente em mais de 90% dos pacientes adultos, e costuma ser grave e progressiva, como descrito no enunciado.
O diagnóstico é confirmado por exame de imagem, sendo a angiorressonância magnética com venografia o exame de escolha, capaz de demonstrar a ausência de fluxo nos seios cerebrais. A angiotomografia pode ser usada como exame inicial. No caso apresentado, a ressonância já evidenciou a trombose em veia cortical e a hemorragia parenquimatosa adjacente, o que é um achado clássico da TVC: a transformação hemorrágica do infarto venoso.
O tratamento da TVC é baseado na anticoagulação plena, mesmo na presença de hemorragia intracraniana. Isso pode parecer contraintuitivo, mas a lógica é que a anticoagulação previne a extensão do trombo e a recorrência do evento, permitindo a recanalização venosa e a resolução do quadro. A hemorragia presente é consequência da congestão venosa e do infarto, e não um sangramento primário que contraindique a anticoagulação. As diretrizes internacionais, como as da American Heart Association/American Stroke Association, recomendam anticoagulação com heparina de baixo peso molecular ou heparina não fracionada na fase aguda, seguida de anticoagulação oral por pelo menos 3 a 6 meses.
A assertiva III aborda o prognóstico das tromboses de veias corticais versus seios venosos. Na verdade, a circulação colateral é mais rica nas veias corticais, o que confere melhor prognóstico a essas tromboses quando comparadas às tromboses de seios venosos, que têm pior prognóstico devido à maior dificuldade de drenagem venosa. Portanto, a afirmação de que as veias corticais têm "circulação colateral mínima" e "pior prognóstico" está invertida.
A pegadinha desta questão está na assertiva III, que inverte a relação prognóstica entre tromboses de veias corticais e seios venosos. O candidato que não domina a anatomia funcional da drenagem venosa cerebral pode ser induzido a marcar a alternativa como correta.
A paciente deve ser orientada a cessar o tabagismo e modificar o método anticoncepcional, pois ambos são fatores de risco adquiridos para trombose venosa cerebral. O uso de estrogênio (anticoncepcional combinado) e o tabagismo aumentam o risco de eventos tromboembólicos, e a suspensão desses fatores é parte essencial do manejo para prevenir recorrências.
A anticoagulação está indicada mesmo na presença de hemorragia parenquimatosa adjacente à trombose venosa. A hemorragia é uma complicação do infarto venoso, e a anticoagulação plena é o tratamento de escolha para prevenir a extensão do trombo e permitir a recanalização. Essa conduta é respaldada pelas diretrizes de AVC e TVC.
A afirmação está invertida. As tromboses de veias corticais têm melhor prognóstico que as tromboses de seios venosos, pois a circulação colateral é mais rica nas veias corticais. As tromboses de seios venosos, por sua vez, têm pior prognóstico devido à maior dificuldade de drenagem venosa e maior risco de hipertensão intracraniana.
Conclusão: Corretos os itens I e II, portanto o gabarito é a letra C.
Gabarito: letra C
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