Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2023
- Código
- qq906797
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- SPGG - RS
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico (Neurologia)
- AAnterior direita.
- BAnterior esquerda.
- CPosterior direita.
- DPosterior esquerda.
- EMédia direita.
GabaritoD — Posterior esquerda.
Gabarito: letra D. A hemianopsia homônima para a direita indica lesão da via óptica contralateral ao lado do defeito campimétrico, ou seja, do hemisfério esquerdo. Como o sintoma é exclusivamente visual, o território acometido é o da artéria cerebral posterior (ACP), que irriga o lobo occipital, onde se localiza o córtex visual primário. Portanto, o AVC acometeu a artéria cerebral posterior esquerda.
A hemianopsia homônima é a perda da visão na metade direita (ou esquerda) do campo visual de ambos os olhos. Isso ocorre porque as fibras nervosas que carregam a informação visual de cada metade do campo visual de ambos os olhos se juntam e seguem para o mesmo lado do cérebro. Assim, a informação do campo visual direito de ambos os olhos é processada no hemisfério cerebral esquerdo, e vice-versa. Uma lesão em qualquer ponto da via óptica após o quiasma óptico, incluindo o lobo occipital, causa uma hemianopsia homônima contralateral à lesão.
A artéria cerebral posterior (ACP) é o principal vaso que irriga o lobo occipital, onde está o córtex visual primário (área 17 de Brodmann). Por isso, a oclusão da ACP é a causa clássica de hemianopsia homônima isolada, sem outros déficits neurológicos significativos, como hemiparesia ou afasia. O quadro clínico do paciente, com alteração visual como único sintoma, é altamente sugestivo de infarto no território da ACP.
É importante distinguir os territórios vasculares cerebrais e seus déficits característicos. A artéria cerebral média (ACM) é a mais comumente acometida em AVCs e causa hemiparesia e hemi-hipoestesia contralaterais, com predomínio em face e membro superior, além de afasia (se no hemisfério dominante) ou heminegligência (se no não dominante). A artéria cerebral anterior (ACA) causa paresia e hipoestesia contralaterais com predomínio no membro inferior. A ACP, por sua vez, causa hemianopsia homônima contralateral, como no caso do paciente.
A pegadinha desta questão está em dois pontos: primeiro, associar a hemianopsia homônima à artéria cerebral média, que também pode causá-la, mas raramente de forma isolada; segundo, confundir o lado da lesão com o lado do defeito visual. A hemianopsia homônima para a direita indica lesão no hemisfério esquerdo, e não no direito. O candidato que não domina a anatomia da via óptica e a irrigação cerebral pode facilmente marcar a alternativa C (posterior direita), caindo na armadilha de associar o lado do defeito ao lado da lesão.
Guarde a relação entre o território vascular e o déficit neurológico: ACP = hemianopsia homônima; ACM = hemiparesia/afasia; ACA = paresia de membro inferior. E lembre-se: o defeito campimétrico é contralateral à lesão cerebral.
A artéria cerebral anterior (ACA) irriga a face medial dos lobos frontal e parietal. Sua oclusão causa paresia e hipoestesia contralaterais com predomínio no membro inferior, além de possíveis alterações de comportamento e incontinência urinária. Não é a causa típica de hemianopsia homônima isolada.
Assim como a anterior direita, a artéria cerebral anterior esquerda também não é responsável pela hemianopsia homônima. Seu território de irrigação não inclui o lobo occipital, e seus déficits característicos são motores e sensitivos, com predomínio no membro inferior contralateral.
A artéria cerebral posterior direita irriga o lobo occipital direito. Uma lesão nesse território causaria hemianopsia homônima esquerda (contralateral à lesão), e não direita. O paciente apresenta hemianopsia para a direita, o que indica lesão no hemisfério esquerdo.
A artéria cerebral posterior esquerda irriga o lobo occipital esquerdo, onde se localiza o córtex visual primário. Uma lesão nesse território causa hemianopsia homônima direita (contralateral à lesão), exatamente o sintoma apresentado pelo paciente. A ausência de outros déficits neurológicos reforça o diagnóstico de infarto no território da ACP.
A artéria cerebral média (ACM) é o vaso mais comumente acometido em AVCs, mas seus déficits característicos são hemiparesia e hemi-hipoestesia contralaterais, com predomínio em face e membro superior, além de afasia (hemisfério dominante) ou heminegligência (não dominante). Embora a ACM possa causar hemianopsia homônima, isso ocorre em infartos extensos e raramente como sintoma isolado. O quadro do paciente, com alteração visual exclusiva, é muito mais sugestivo de ACP.
A banca explora duas confusões clássicas: (1) associar a hemianopsia homônima à artéria cerebral média, que é o vaso mais comum em AVCs, mas que raramente causa déficit visual isolado; (2) inverter o lado da lesão com o lado do defeito campimétrico. A hemianopsia para a direita indica lesão no hemisfério esquerdo, não no direito. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
Gabarito: letra D
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