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Questão de Português — Coesão e coerência — FUNDATEC 2023

PortuguêsCoesão e coerência
Código
qq907377
Banca
FUNDATEC
Órgão
IFC-SC
Ano
2023
Nível
Superior

Instrução: As questões de números 21 a 26 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.


Ser professor


Por Ester Rosseto


  1. Ser professor é um lance de amor. Nesse caminho que venho trilhando constatei que existe
  2. uma profunda diferença entre dar aula e ser professor. Dar aula é muito bom. É querer
  3. compartilhar conhecimento, propagar a informação. Dar aula exige esforço, dedicação, preparo.
  4. Mas existe uma imensa distância entre “dar aula” e ser professor, porque dar aula é uma
  5. atividade, mas ser professor é muito mais do que isso.
  6. Como já dizia o grande mestre Paulo Freire, “eu nunca poderia pensar em educação sem
  7. amor. É por isso que me considero um educador: acima de tudo porque sinto amor”, porque
  8. professor vai além. Além das tarefas estabelecidas em contrato, além das horas pagas no
  9. holerite, além da ideia de que aquilo é apenas um meio para se ganhar a vida.
  10. Professor quer saber o nome, quer saber quem é quem, quer saber as histórias, as origens,
  11. os rumos pretendidos. Professor está na chuva para se molhar, para se arriscar diariamente.
  12. Para sofrer com as derrotas e vibrar com as vitórias dos alunos. Para corrigir provas como quem
  13. assiste a um jogo de futebol, lamentando-se quando um craque chuta a bola no travessão.
  14. Desacreditando quando um perna de pau acerta a bola no ângulo.
  15. Professor se envolve, mesmo quando tenta evitar.
  16. Professor se perde no cronograma. Não está lá só para cumprir horário e currículo. Está lá
  17. para parar a cada dúvida, para ensinar não só a matéria, mas ensinar o melhor do - pouco ou
  18. muito - que sabe sobre a vida.
  19. Professor acaba por viver muitas vidas além da sua. Vivencia o crescimento, os obstáculos,
  20. as crises, os começos de namoro, as brigas entre amigos, problemas de casa, a conjuntivite
  21. alheia, as angústias, os caminhos.
  22. Professor não tem medo de se expor, de se mostrar humano e vulnerável. Não tem medo de
  23. roupa preta suja de giz, de pilhas de livros para carregar, da odisseia do fechamento dos diários
  24. no fim do ano, nem das provas que parecem dar cria na calada da noite.
  25. Só o que sei é que, no fim das contas, ser professor é um lance de amor. Às vezes é sofrido.
  26. Às vezes é maçante. Como todo amor. Mas é uma dessas paixões avassaladoras que vicia, e que
  27. quem sente, já não consegue ver sentido em viver sem.


(Disponível em: http://zimemaper.blogspot.com/2015/11/cronica-ser-professor-ester-rosseto.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

A autora, na construção de seu texto, emprega como recurso estilístico a repetição da palavra “professor”, seguida de um verbo, no início de várias de suas frases. Assinale a alternativa que indica o nome correto da figura de construção que representa esse recurso.
  1. AAnáfora.
  2. BPolissíndeto.
  3. CAnacoluto.
  4. DElipse.
  5. EZeugma.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Anáfora.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Figuras de sintaxe: anáfora

Gabarito: letra A. A repetição da palavra "professor" no início de várias frases é o traço definidor da anáfora, figura que consiste na repetição de uma ou mais palavras no começo de versos, frases ou orações sucessivas. A banca descreve exatamente o recurso empregado no texto.

O texto-base apresenta parágrafos iniciados por "Professor..." seguido de verbo (ex.: "Professor quer saber...", "Professor está na chuva...", "Professor se envolve..."). Essa reiteração intencional no início de cada bloco é a marca da anáfora.

1Repetição
Anáfora (início de frases)
Polissíndeto (conectivos)
2Omissão
Elipse (termo subentendido)
Zeugma (termo já mencionado)
3Quebra
Anacoluto (estrutura solta)
Figuras de sintaxe
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Figuras de sintaxe: Repetição (Anáfora (início de frases), Polissíndeto (conectivos)); Omissão (Elipse (termo subentendido), Zeugma (termo já mencionado)); Quebra (Anacoluto (estrutura solta))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como explicado, a repetição de "professor" no início de diversas frases é o conceito clássico de anáfora (do grego anaphorá, "repetição"). É uma figura de construção (ou de sintaxe) que visa dar ênfase, coesão e ritmo ao texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Polissíndeto é a repetição de conectivos coordenativos (como "e", "ou", "nem") entre termos de uma enumeração. Exemplo: "e grita, e luta, e corre". No texto, não há repetição de conectivos, mas sim da palavra "professor".

Alternativa C — ❌ Incorreta

Anacoluto é uma quebra na estrutura sintática da frase, em que um termo fica solto sem função clara (ex.: "A vida, não sei se ela vale algo'"). O texto mantém a estrutura regular sujeito-verbo, sem rupturas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Elipse é a omissão de um termo que pode ser subentendido pelo contexto (ex.: "[Eu] Estou indo"). Aqui, ao contrário, há repetição do termo "professor", não omissão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Zeugma é um tipo de elipse em que se omite um termo já mencionado, mas com flexão diferente (ex.: "Ele gosta de maçã; eu, de pera" — omite-se "gosto"). Também envolve omissão, enquanto o texto repete o termo.

NÃO CAIA NESSA!

Nenhuma. A questão é direta sobre a definição de anáfora. O risco é confundir com elipse ou zeugma, mas a repetição explícita no texto já elimina figuras de omissão.

Resumo: anáfora = repetição no início; polissíndeto = repetição de conectivos; elipse = omissão; zeugma = omissão específica; anacoluto = quebra sintática. Pela definição, o gabarito é a letra A.

Gabarito: letra A.

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