Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — IBFC 2023
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qq931828
Banca
IBFC
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cardiologia Pediátrica
Lactente de 3 meses de idade, com diagnóstico de Sindrome de Down e cardiopatia congênita. A cardiopatia mais comum relacionada síndrome genética é:
Acoarctação da aorta
Bcomunicação interventricular mínima
Cdefeito do septo atrioventricular
Dforame oval patente
Eestenose pulmonar
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GabaritoC — defeito do septo atrioventricular
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Cardiopatias Congênitas na Síndrome de Down
Gabarito: letra C. O defeito do septo atrioventricular (DSAV) é a cardiopatia congênita mais comumente associada à síndrome de Down, sendo encontrado em cerca de 40% dos pacientes com essa síndrome que apresentam cardiopatia. Essa associação é tão característica que a presença de DSAV em um lactente deve sempre levantar a suspeita de trissomia do 21.
A síndrome de Down (trissomia do cromossomo 21) é a cromossomopatia mais frequente e cursa com uma série de malformações congênitas, entre as quais as cardíacas são as mais importantes por sua morbimortalidade. Cerca de 40% a 50% dos pacientes com síndrome de Down apresentam alguma cardiopatia congênita. Dentre essas, o defeito do septo atrioventricular (DSAV) — também chamado de canal atrioventricular ou defeito do coxim endocárdico — é o mais prevalente, correspondendo a aproximadamente 40% das cardiopatias nessa população. Essa associação é tão forte que a presença de DSAV em um recém-nascido ou lactente deve levantar imediatamente a suspeita de síndrome de Down.
O DSAV é uma cardiopatia caracterizada por defeitos no septo interatrial (CIA tipo ostium primum), no septo interventricular (CIV de entrada) e por anormalidades das valvas atrioventriculares (fenda na valva mitral e tricúspide). Essa combinação de defeitos leva a um shunt esquerda-direita, com hiperfluxo pulmonar e, se não tratado precocemente, pode evoluir para hipertensão pulmonar e síndrome de Eisenmenger, especialmente nos pacientes com síndrome de Down, que desenvolvem doença vascular pulmonar mais precocemente.
A importância clínica dessa associação é dupla: primeiro, o reconhecimento precoce da cardiopatia permite o tratamento cirúrgico em tempo hábil, antes do desenvolvimento de lesões pulmonares irreversíveis; segundo, a presença de DSAV em um lactente com síndrome de Down orienta a investigação e o manejo, incluindo a necessidade de profilaxia para endocardite infecciosa e o acompanhamento por cardiologista pediátrico.
É fundamental distinguir o DSAV de outras cardiopatias que também podem ocorrer na síndrome de Down, como a comunicação interventricular (CIV), a comunicação interatrial (CIA) e a persistência do canal arterial (PCA). Embora essas também sejam relativamente comuns, o DSAV é o mais característico e o mais frequentemente associado à síndrome. A banca explora exatamente essa especificidade: o candidato que sabe que a CIV é a cardiopatia congênita mais comum na população geral pode ser levado a escolher a alternativa B, mas na síndrome de Down o padrão é diferente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a cardiopatia mais comum na população geral (comunicação interventricular) pela mais comum na síndrome de Down (defeito do septo atrioventricular). O candidato que memorizou que "CIV é a cardiopatia congênita mais frequente" pode marcar a letra B sem perceber que a questão pergunta especificamente sobre a síndrome de Down. Fique atento ao contexto: quando a questão menciona uma síndrome genética, a resposta esperada é a cardiopatia típica daquela síndrome, não a mais comum na população geral.
Cardiopatias na Síndrome de Down
1Mais comum
Defeito do septo atrioventricular (DSAV)
~40% dos casos
Suspeitar de trissomia 21
2Outras possíveis
Comunicação interventricular (CIV)
Mais comum na população geral
Comunicação interatrial (CIA)
Persistência do canal arterial (PCA)
3Raras
Coarctação da aorta
Típica de Turner/Williams
Estenose pulmonar
Típica de Noonan
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A coarctação da aorta é uma cardiopatia congênita que pode ocorrer na síndrome de Down, mas não é a mais comum. Ela é mais frequentemente associada a outras síndromes, como a síndrome de Turner (em meninas) e a síndrome de Williams. Na síndrome de Down, a coarctação é rara, e a resposta correta é o DSAV.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A comunicação interventricular (CIV) é a cardiopatia congênita mais comum na população geral, mas na síndrome de Down a cardiopatia mais prevalente é o defeito do septo atrioventricular. A CIV pode ocorrer em pacientes com síndrome de Down, porém em menor frequência que o DSAV. A banca explora essa confusão entre a cardiopatia mais comum na população geral e a mais comum na síndrome de Down.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O defeito do septo atrioventricular (DSAV) é a cardiopatia congênita mais comumente associada à síndrome de Down. Estudos mostram que cerca de 40% dos pacientes com síndrome de Down que têm cardiopatia apresentam DSAV. Essa associação é tão característica que a presença de DSAV em um lactente deve levantar a suspeita de trissomia do 21. O DSAV é uma cardiopatia complexa que envolve defeitos nos septos atrial e ventricular e nas valvas atrioventriculares, e seu tratamento cirúrgico precoce é essencial para evitar complicações como hipertensão pulmonar.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O forame oval patente (FOP) é uma comunicação interatrial que está presente em cerca de 25% da população geral e, na maioria dos casos, é assintomático e não é considerado uma cardiopatia congênita significativa. Embora possa estar presente em pacientes com síndrome de Down, não é a cardiopatia mais comum associada a essa síndrome. O FOP é um achado comum na população geral e não tem a mesma relevância clínica que o DSAV.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A estenose pulmonar é uma cardiopatia congênita que pode ocorrer na síndrome de Down, mas não é a mais comum. Ela é mais frequentemente associada a outras síndromes, como a síndrome de Noonan. Na síndrome de Down, a estenose pulmonar é rara, e a resposta correta é o DSAV.