Questão de Medicina — Cirurgia Geral — IBFC 2023
- Código
- qq932096
- Banca
- IBFC
- Órgão
- EBSERH
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Cirurgia de Cabeça e Pescoço
- AI apenas
- BI e III apenas
- CI, II e III apenas
- DI, II e IV apenas
- EI, II, III, IV e V
GabaritoD — I, II e IV apenas
Gabarito: letra D. No estadiamento oncológico do câncer de boca, os fatores que desempenham papel fundamental são a presença de invasão perineural (I), a quantidade de linfonodos cervicais afetados (II) e a extensão da invasão vascular (IV). A avaliação da expressão de marcadores genéticos (III) e o nível de secreção hormonal associado ao tumor (V) não fazem parte do estadiamento formal, embora possam ter valor prognóstico ou preditivo em contextos específicos. O sistema TNM, do American Joint Committee on Cancer (AJCC), é a base do estadiamento, incorporando variáveis anatômicas e, em edições recentes, fatores histológicos e moleculares.
O estadiamento oncológico é o processo de determinar a extensão da doença no momento do diagnóstico, sendo essencial para orientar o tratamento e estimar o prognóstico. O sistema mais utilizado para tumores sólidos é o TNM, que classifica o tumor primário (T), o acometimento linfonodal (N) e a presença de metástases à distância (M). Para o câncer de boca, a avaliação precisa desses três componentes é fundamental, mas o estadiamento moderno incorpora também fatores prognósticos adicionais que refinam a classificação e influenciam diretamente a escolha terapêutica.
A invasão perineural é um fator prognóstico adverso bem estabelecido em carcinomas de cabeça e pescoço, incluindo o câncer de boca. Sua presença indica maior agressividade tumoral, maior risco de recorrência local e regional, e frequentemente leva à indicação de tratamentos adjuvantes mais intensivos, como radioterapia pós-operatória. Da mesma forma, a invasão vascular (linfovascular) é um marcador de maior potencial metastático e está associada a pior prognóstico, sendo considerada na decisão terapêutica.
A quantidade de linfonodos cervicais afetados é um dos componentes centrais do estadiamento N no TNM. O número de linfonodos comprometidos, sua localização e o tamanho são determinantes para o estágio final e para a indicação de esvaziamento cervical terapêutico ou adjuvante. A presença de metástases linfonodais é o fator prognóstico mais importante após a extensão do tumor primário, e o número de linfonodos positivos influencia diretamente a sobrevida e a decisão de complementar o tratamento com quimioterapia ou radioterapia.
Por outro lado, a avaliação da expressão de marcadores genéticos, embora cada vez mais relevante na oncologia personalizada, não faz parte do estadiamento formal do câncer de boca. Marcadores como EGFR, p53 ou alterações moleculares específicas podem ter valor prognóstico ou preditivo, mas não são incorporados ao sistema TNM para essa neoplasia. Da mesma forma, o nível de secreção hormonal associado ao tumor é um conceito que se aplica a neoplasias de origem endócrina, como câncer de tireoide ou tumores neuroendócrinos, e não tem papel no estadiamento do câncer de boca, que é uma neoplasia de origem epitelial sem dependência hormonal significativa.
A distinção crucial é entre fatores que fazem parte do estadiamento formal (TNM e seus modificadores) e fatores que são biomarcadores prognósticos ou preditivos, mas que não alteram o estágio. No câncer de boca, a invasão perineural e a invasão vascular são fatores histológicos que, embora não componham diretamente o T, N ou M, são incorporados na avaliação prognóstica e influenciam a decisão terapêutica, sendo considerados parte do estadiamento de risco. Já os marcadores genéticos e hormonais são informações adicionais que podem orientar terapias-alvo, mas não definem o estágio da doença.
A banca explora exatamente essa fronteira: o candidato que confunde fatores prognósticos com fatores de estadiamento formal tende a incluir marcadores genéticos (III) e secreção hormonal (V) como se fossem parte do estadiamento. A pegadinha está em reconhecer que, embora a oncologia moderna valorize cada vez mais os biomarcadores, o estadiamento do câncer de boca, conforme o sistema TNM, baseia-se em fatores anatômicos e histológicos específicos, como invasão perineural, comprometimento linfonodal e invasão vascular.
A presença de invasão perineural é um fator prognóstico adverso reconhecido no câncer de boca. Ela indica maior agressividade tumoral, maior risco de recorrência e influencia diretamente a decisão terapêutica, frequentemente indicando tratamento adjuvante mais intensivo. Este fator é considerado no estadiamento de risco e na avaliação prognóstica, sendo um dos componentes que o enunciado corretamente identifica como fundamental.
A quantidade de linfonodos cervicais afetados é um dos pilares do estadiamento N no sistema TNM. O número de linfonodos comprometidos, sua localização e tamanho determinam o estágio N e influenciam diretamente o prognóstico e a escolha terapêutica, incluindo a indicação de esvaziamento cervical e terapias adjuvantes. Este é um fator central e inquestionável no estadiamento do câncer de boca.
A avaliação da expressão de marcadores genéticos não faz parte do estadiamento formal do câncer de boca. Embora biomarcadores como EGFR ou alterações moleculares possam ter valor prognóstico ou preditivo na oncologia personalizada, eles não são incorporados ao sistema TNM para essa neoplasia. A banca inclui este item para testar se o candidato distingue fatores de estadiamento de biomarcadores adicionais.
A extensão da invasão vascular (linfovascular) é um fator prognóstico adverso no câncer de boca, associado a maior risco de metástases e pior sobrevida. Sua presença influencia a decisão terapêutica, frequentemente indicando tratamento adjuvante. Assim como a invasão perineural, é considerada no estadiamento de risco e na avaliação prognóstica, sendo corretamente incluída pelo enunciado.
O nível de secreção hormonal associado ao tumor não tem papel no estadiamento do câncer de boca. Este conceito se aplica a neoplasias de origem endócrina, como câncer de tireoide ou tumores neuroendócrinos, que podem secretar hormônios. O câncer de boca é uma neoplasia epitelial sem dependência hormonal significativa, e a secreção hormonal não é um fator considerado no seu estadiamento.
Conclusão: Corretos os itens I, II e IV, portanto a alternativa correta é a letra D.
Gabarito: letra D
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