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Questão de Medicina — Dermatologia — IBFC 2023

MedicinaDermatologia
Código
qq932289
Banca
IBFC
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Dermatologia
Paciente de dois meses de idade, fototipo II, com quadro de erosões e bolhas de conteúdo seroso e hemorrágico desde o nascimento, de difícil cicatrização, com a formação de mília em algumas regiões acometidas. Além das lesões, evidencia-se hipoplasia dentária, anoníquia e alterações na deglutição devido a uma estenose esofágica. Foi realizado exame histológico de uma bolha, tendo sido evidenciada clivagem dermoepidérmica, e no imunopapeamento, foram visualizados anticorpos contra a laminina 332. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico correto para o caso descrito.
  1. AEpidermólise bolhosa distrófica
  2. BPorfiria eritropoiética
  3. CEpidermólise bolhosa juncional
  4. DEpidermólise bolhosa adquirida
  5. EPorfiria variegata
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GabaritoC — Epidermólise bolhosa juncional

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Epidermólise bolhosa: classificação e diagnóstico

Gabarito: letra C. O caso descreve epidermólise bolhosa juncional: clivagem dermoepidérmica (bolha subepidérmica), anticorpos contra laminina 332, mília, hipoplasia dentária, anoníquia e estenose esofágica — um conjunto que aponta para a forma juncional, confirmada pela imunomarcação da laminina 332, componente da lâmina lúcida da zona da membrana basal.

A epidermólise bolhosa (EB) é um grupo de doenças genéticas caracterizadas por fragilidade cutânea e formação de bolhas após traumas mínimos. A classificação se baseia no nível de clivagem dentro da pele, determinado por microscopia eletrônica e imunomapeamento. As três formas hereditárias principais são: EB simples (clivagem intraepidérmica, na camada basal), EB juncional (clivagem na lâmina lúcida da zona da membrana basal) e EB distrófica (clivagem abaixo da lâmina densa, na derme papilar). A EB adquirida, por sua vez, é uma doença autoimune com clivagem subepidérmica, mas sem os achados genéticos e sindrômicos descritos.

No caso, a clivagem dermoepidérmica indica uma bolha subepidérmica, o que exclui a EB simples. A presença de anticorpos contra a laminina 332 é o achado-chave: a laminina 332 é uma proteína da lâmina lúcida, e sua deficiência ou alteração é característica da EB juncional. As manifestações extracutâneas — hipoplasia dentária, anoníquia (ausência de unhas) e estenose esofágica — são comuns na forma juncional, especialmente na variante com mutação no gene LAMA3, LAMB3 ou LAMC2, que codificam as cadeias da laminina 332. A mília (pequenos cistos de queratina) também é um achado frequente nas formas juncional e distrófica, mas a combinação com a imunomarcação específica fecha o diagnóstico.

A distinção entre as formas de EB é essencial para o prognóstico e o manejo. A EB juncional, especialmente a forma letal (Herlitz), tem alta morbimortalidade nos primeiros anos de vida, com complicações como estenose esofágica, desnutrição e infecções. A EB distrófica, por outro lado, é causada por mutações no gene COL7A1 (colágeno tipo VII) e apresenta clivagem sub-lâmina densa, com cicatrização distrófica e risco aumentado de carcinoma espinocelular. A EB simples, a forma mais comum, tem clivagem intraepidérmica e geralmente é mais branda, sem as manifestações extracutâneas graves.

A pegadinha da questão está em diferenciar a EB juncional da distrófica e da adquirida. A EB adquirida é uma doença autoimune que ocorre em adultos, com anticorpos contra o colágeno tipo VII, e não apresenta as manifestações congênitas descritas. A EB distrófica, embora também possa ter mília e alterações ungueais, tem clivagem subepidérmica abaixo da lâmina densa e não apresenta anticorpos contra laminina 332. As porfirias, por sua vez, são doenças metabólicas com fotossensibilidade e bolhas em áreas fotoexpostas, mas não cursam com estenose esofágica nem com imunomarcação para laminina 332.

Guarde o critério decisivo: o nível de clivagem e o alvo imunológico. A clivagem na lâmina lúcida com anticorpos contra laminina 332 aponta para EB juncional; a clivagem sub-lâmina densa com colágeno VII aponta para EB distrófica; e a EB adquirida é autoimune, sem os achados congênitos. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Critério

EB Juncional (gabarito)

EB Distrófica

EB Adquirida

Nível de clivagem

Lâmina lúcida (zona da membrana basal)

Sub-lâmina densa (derme papilar)

Subepidérmica (sub-lâmina densa)

Alvo imunológico

Laminina 332

Colágeno tipo VII

Colágeno tipo VII

Etiologia

Genética (LAMA3, LAMB3, LAMC2)

Genética (COL7A1)

Autoimune

Idade de início

Congênita (nascimento)

Congênita

Adultos

Manifestações extracutâneas

Hipoplasia dentária, anoníquia, estenose esofágica

Mília, alterações ungueais, risco de CEC

Ausentes (sem achados congênitos)

1Simples
Clivagem intraepidérmica
Camada basal
2Juncional
Clivagem na lâmina lúcida
Anticorpos anti-laminina 332
Mília, hipoplasia dentária, anoníquia
3Distrófica
Clivagem sub-lâmina densa
Colágeno tipo VII
4Adquirida
Autoimune (adulto)
Anticorpos anti-colágeno VII
Epidermólise bolhosa
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Epidermólise bolhosa: Simples (Clivagem intraepidérmica, Camada basal); Juncional (Clivagem na lâmina lúcida, Anticorpos anti-laminina 332, Mília, hipoplasia dentária, anoníquia); Distrófica (Clivagem sub-lâmina densa, Colágeno tipo VII); Adquirida (Autoimune (adulto), Anticorpos anti-colágeno VII)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A epidermólise bolhosa distrófica é causada por mutações no gene COL7A1, que codifica o colágeno tipo VII, e apresenta clivagem subepidérmica abaixo da lâmina densa (na derme papilar). Embora possa cursar com mília, hipoplasia dentária e anoníquia, o imunomapeamento mostraria anticorpos contra o colágeno VII, não contra a laminina 332. A presença de anticorpos contra laminina 332 é o achado que exclui a forma distrófica e aponta para a juncional.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A porfiria eritropoiética (doença de Gunther) é uma porfiria congênita que cursa com fotossensibilidade grave, bolhas em áreas fotoexpostas, hiperpigmentação e hipertricose, mas não apresenta clivagem dermoepidérmica com anticorpos contra laminina 332. Além disso, não há estenose esofágica nem anoníquia como manifestações típicas. O diagnóstico seria feito por dosagem de porfirinas, não por imunomapeamento.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A epidermólise bolhosa juncional é caracterizada por clivagem na lâmina lúcida da zona da membrana basal, e a laminina 332 é um componente dessa região. A presença de anticorpos contra laminina 332 no imunomapeamento é um marcador específico da forma juncional. As manifestações descritas — mília, hipoplasia dentária, anoníquia e estenose esofágica — são típicas dessa forma, especialmente na variante com mutação nos genes LAMA3, LAMB3 ou LAMC2. O quadro clínico desde o nascimento, com bolhas serosas e hemorrágicas de difícil cicatrização, reforça o diagnóstico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A epidermólise bolhosa adquirida é uma doença autoimune que ocorre em adultos, com anticorpos contra o colágeno tipo VII, e apresenta clivagem subepidérmica abaixo da lâmina densa. Não há os achados congênitos descritos (hipoplasia dentária, anoníquia, estenose esofágica desde o nascimento), e o imunomapeamento mostraria anticorpos contra colágeno VII, não contra laminina 332. A idade do paciente (dois meses) e a presença de manifestações extracutâneas desde o nascimento excluem a forma adquirida.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A porfiria variegata é uma porfiria hepática que cursa com fotossensibilidade cutânea e crises neuroviscerais, mas não apresenta clivagem dermoepidérmica com anticorpos contra laminina 332. As bolhas ocorrem em áreas fotoexpostas e não há estenose esofágica nem anoníquia como manifestações típicas. O diagnóstico seria feito por dosagem de porfirinas fecais e plasmáticas, não por imunomapeamento.

Gabarito: letra C — Epidermólise bolhosa juncional, confirmada pela clivagem na lâmina lúcida e pelos anticorpos contra laminina 332.

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