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Questão de Medicina — Endocrinologia — IBFC 2023

MedicinaEndocrinologia
Código
qq932431
Banca
IBFC
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia Pediátrica
O hipotireoidismo congênito (HC) primário é a doença endócrina congênita mais comum e também é a principal causa evitável de retardo mental. Quando seu diagnóstico corre mais tardiamente ou se o tratamento não for iniciado precocemente ou não for adequado, pode levar a complicações irreversíveis no desenvolvimento mental e no crescimento.Analise as afirmativas abaixo:I. As desormoniogêneses correspondem a cerca de 85% dos casos, resultam de um defeito em qualquer uma das etapas na síntese dos hormônios tireoidianos e possuem um padrão de herança autossômico recessivo.II. A triagem neonatal é feita pela determinação dos níveis de TSH, em amostra de sangue coletada em papel de filtro que deve ser realizada 48 horas após o nascimento ou até o 5º dia de vida.III. Os testes de triagem neonatal para HC não são diagnósticos e os resultados alterados devem ser confirmados por determinação de concentrações séricas de TSH e T4 livre.IV. Valores de TSH acima de 10 mUI/L (miliunidades por litro) e de T4 livre baixos confirmam o diagnóstico do hipotireoidismo congênito primário e estas crianças deverão ser tratadas.Assinale a alternativa correta.
  1. AI e II apenas
  2. BII, III e IV apenas
  3. CI, II, III e IV apenas
  4. DII e III apenas
  5. EI, III e IV apenas
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — II, III e IV apenas

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipotireoidismo Congênito: Triagem, Diagnóstico e Etiologia

Gabarito: letra B. Estão corretas as afirmativas II, III e IV: a triagem neonatal é feita pela dosagem de TSH em papel-filtro entre 48 horas e o 5º dia de vida; os testes de triagem não são diagnósticos e exigem confirmação com TSH e T4 livre séricos; e TSH acima de 10 mUI/L com T4 livre baixo confirma o diagnóstico de hipotireoidismo congênito primário. A afirmativa I está incorreta porque inverte as proporções: as disgenesias tireoidianas correspondem a cerca de 85% dos casos, enquanto as disormoniogêneses (defeitos na síntese hormonal) respondem pelos 15% restantes.

O hipotireoidismo congênito (HC) primário é a doença endócrina congênita mais comum e a principal causa evitável de retardo mental. A compreensão do tema exige dominar três pilares: a etiologia (o que causa a doença), a triagem (como se detecta precocemente) e o diagnóstico de confirmação (como se fecha o caso). Vamos a cada um.

Etiologia: disgenesia × disormoniogênese. O HC primário é dividido em duas grandes categorias etiológicas. A disgenesia tireoidiana — que inclui agenesia (ausência completa da glândula), ectopia (localização anômala), hipoplasia (desenvolvimento incompleto) e hemiogênese (ausência de um lobo) — é responsável por cerca de 85% dos casos. Já a disormoniogênese (ou dishormonogênese), que resulta de defeitos genéticos em qualquer etapa da síntese dos hormônios tireoidianos (captação de iodo, organificação, acoplamento, etc.), responde pelos 15% restantes e tem herança autossômica recessiva. A afirmativa I troca exatamente esses percentuais — um erro clássico de inversão.

Triagem neonatal. O Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) detecta o HC pela dosagem de TSH em amostra de sangue coletada em papel-filtro. A coleta ideal ocorre entre 48 horas e o 5º dia de vida — período que equilibra a necessidade de diagnóstico precoce com a elevação fisiológica do TSH neonatal (que atinge pico nas primeiras 24-48 horas). A triagem é um teste de rastreamento, não diagnóstico: resultados alterados devem ser confirmados por dosagens séricas de TSH e T4 livre.

Diagnóstico de confirmação. No HC primário, o padrão laboratorial é TSH elevado com T4 livre baixo. O ponto de corte para confirmação diagnóstica é TSH acima de 10 mUI/L associado a T4 livre baixo — valores que indicam hipotireoidismo primário franco e indicam início imediato do tratamento com levotiroxina. É importante distinguir do hipotireoidismo subclínico (TSH elevado com T4 livre normal) e do HC central (TSH baixo ou inapropriadamente normal com T4 livre baixo).

A pegadinha central desta questão está na afirmativa I: a banca inverte os percentuais de disgenesia e disormoniogênese. Guarde bem: disgenesia = 85% (malformação estrutural), disormoniogênese = 15% (defeito de síntese, herança autossômica recessiva). É exatamente esse critério que separa as alternativas.

Item I — ❌ Incorreto

A afirmativa afirma que as disormoniogêneses correspondem a cerca de 85% dos casos. Isso está invertido: as disormoniogêneses (defeitos na síntese hormonal, herança autossômica recessiva) respondem por cerca de 15% dos casos de HC primário. Os 85% correspondem às disgenesias tireoidianas (agenesia, ectopia, hipoplasia, hemiogênese), que são malformações estruturais da glândula. O erro é a troca dos percentuais entre as duas categorias etiológicas.

Item II — ✅ Correto

A afirmativa está correta. A triagem neonatal para HC é feita pela determinação de TSH em amostra de sangue coletada em papel-filtro, e a coleta deve ser realizada 48 horas após o nascimento ou até o 5º dia de vida. Esse é o protocolo do PNTN, que visa detectar precocemente a doença antes que cause danos irreversíveis ao desenvolvimento neuropsicomotor.

Item III — ✅ Correto

A afirmativa está correta. Os testes de triagem neonatal (TSH em papel-filtro) são testes de rastreamento, não diagnósticos. Resultados alterados devem ser confirmados por dosagens séricas de TSH e T4 livre — a confirmação laboratorial é essencial antes de iniciar o tratamento, evitando tanto falsos positivos quanto atrasos no início da terapêutica.

Item IV — ✅ Correto

A afirmativa está correta. No hipotireoidismo congênito primário, o padrão laboratorial é TSH elevado (> 10 mUI/L) com T4 livre baixo. Essa combinação confirma o diagnóstico e indica a necessidade imediata de tratamento com levotiroxina. O valor de corte de TSH > 10 mUI/L é o ponto de decisão terapêutica no período neonatal.

Conclusão: Corretos: II, III e IV → portanto a alternativa é a letra B.

Gabarito: letra B

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