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Questão de Medicina — Genética Médica — IBFC 2023

MedicinaGenética Médica
Código
qq932617
Banca
IBFC
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Genética
Criança recém-nascida, abriu quadro de convulsões na primeira semana de vida. Fez uso de quatro anti-convulsivantes, sem controle das crises. Realizado exame genético molecular que evidenciou variante patogênica, em homozigose no gene ALDH7A, responsável pela Epilepsia Dependente de Piridoxina. Em relação a essa doença, assinale a alternativa correta.
  1. AO uso somente da Piridoxina não costuma melhorar as crises convulsivas
  2. BEstá incluída nos programas de Triagem Neonatal
  3. CÉ essencial o uso de anti-convulsivantes para controle das crises convulsivas
  4. DA dieta não é importante para o tratamento dessa doença
  5. EPais têm o risco de 25% de chance de ter uma criança com a mesma doença. Para não ter o risco de ter outra criança com o mesmo problema pode-se optar pelo diagnóstico genético pré-implantacional, que seleciona para implantação, o embrião sem a doença
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GabaritoE — Pais têm o risco de 25% de chance de ter uma criança com a mesma doença. Para não ter o risco de ter outra criança com o mesmo problema pode-se optar pelo diagnóstico genético pré-implantacional, que seleciona para implantação, o embrião sem a doença

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Epilepsia Dependente de Piridoxina: genética e aconselhamento

Gabarito: letra E. A Epilepsia Dependente de Piridoxina (EDP) é uma doença autossômica recessiva, portanto, quando ambos os pais são heterozigotos (portadores assintomáticos), cada filho tem 25% de chance de ser afetado — exatamente o que a alternativa E afirma. Além disso, o diagnóstico genético pré-implantacional (PGD) é uma opção real para selecionar embriões sem a doença, evitando a transmissão. As demais alternativas distorcem o tratamento (que é a suplementação de piridoxina, não anticonvulsivantes) ou o diagnóstico (não faz parte da triagem neonatal padrão).

A Epilepsia Dependente de Piridoxina é uma condição genética rara, de herança autossômica recessiva, causada por mutações no gene ALDH7A1 (que codifica a enzima alfa-aminoadípico semialdeído desidrogenase). Essa enzima participa do metabolismo da lisina, e sua deficiência leva ao acúmulo de metabólitos tóxicos que interferem na síntese do GABA (o principal neurotransmissor inibitório do sistema nervoso central). Sem GABA suficiente, o cérebro fica hiperexcitável, resultando em crises convulsivas de difícil controle com os anticonvulsivantes convencionais.

O tratamento de escolha é a administração de piridoxina (vitamina B6) em altas doses, que costuma controlar as crises de forma dramática e rápida — muitas vezes em minutos a horas após a primeira dose. Por isso, a doença é chamada de "epilepsia dependente de piridoxina": o paciente não apenas responde à vitamina, mas depende dela para o controle das crises. Os anticonvulsivantes tradicionais são ineficazes ou apenas parcialmente eficazes, e o uso prolongado deles não substitui a piridoxina. Em alguns casos, pode ser necessário associar o ácido folínico ou outras medicações, mas a base do tratamento é sempre a vitamina B6.

A herança autossômica recessiva é o ponto central da genética dessa doença. Para que uma criança seja afetada, ela precisa herdar uma cópia mutada do gene de cada um dos pais. Se ambos os pais são portadores (heterozigotos, ou seja, têm uma cópia normal e uma mutada, mas não manifestam a doença), o risco de cada filho ser afetado é de 25% (1 em 4). Esse risco é o mesmo para cada gestação, independentemente do sexo da criança. O diagnóstico genético pré-implantacional (PGD) é uma técnica de reprodução assistida em que os embriões são criados in vitro, testados para a mutação e apenas os embriões sem a doença são selecionados para implantação — uma forma de evitar a transmissão da doença para a próxima geração.

A banca explora aqui a confusão entre o tratamento da EDP e o tratamento das epilepsias comuns. Enquanto nas epilepsias convencionais os anticonvulsivantes são a base do tratamento, na EDP a piridoxina é o tratamento essencial, e os anticonvulsivantes são apenas adjuvantes ou ineficazes. Além disso, a EDP não faz parte dos programas de triagem neonatal padrão (como o teste do pezinho), que incluem doenças como fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito e hemoglobinopatias — mas não a EDP. A dieta também não é o tratamento principal, embora a restrição de lisina possa ser considerada em casos refratários.

Guarde a fronteira entre o que é tratamento essencial (piridoxina) e o que é adjuvante (anticonvulsivantes), e entre o que é herança recessiva (25% de risco) e o que é dominante (50% de risco) — é exatamente nesses dois eixos que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o uso somente da Piridoxina não costuma melhorar as crises. É o oposto: a piridoxina é o tratamento de primeira linha e costuma controlar as crises de forma rápida e eficaz. A doença é chamada "dependente de piridoxina" justamente porque o paciente depende dessa vitamina para o controle das crises. O erro está em inverter o papel da piridoxina, tratando-a como ineficaz quando ela é a base do tratamento.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a EDP está incluída nos programas de Triagem Neonatal. Não está. A triagem neonatal padrão (teste do pezinho) inclui doenças como fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, anemia falciforme e fibrose cística, mas não a Epilepsia Dependente de Piridoxina. O diagnóstico é feito clinicamente, diante de crises neonatais refratárias, e confirmado por teste genético ou dosagem de metabólitos. A alternativa confunde uma doença genética rara com as doenças incluídas no programa de triagem.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que é essencial o uso de anti-convulsivantes para controle das crises. Na EDP, os anticonvulsivantes convencionais são ineficazes ou apenas parcialmente eficazes; o tratamento essencial é a piridoxina. O enunciado já indica que a criança fez uso de quatro anticonvulsivantes sem controle das crises — justamente porque a doença não responde a eles. A alternativa inverte a lógica terapêutica, colocando os anticonvulsivantes como essenciais quando eles são apenas adjuvantes ou ineficazes.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a dieta não é importante para o tratamento. Embora a base do tratamento seja a piridoxina, a dieta pode ter papel adjuvante em casos refratários: a restrição de lisina (um aminoácido cujo metabolismo está alterado na doença) pode ajudar a reduzir a produção de metabólitos tóxicos. Portanto, a dieta pode ser importante em alguns casos, e a afirmação de que "não é importante" é uma generalização incorreta. O erro está em descartar completamente um recurso terapêutico que pode ser útil.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que os pais têm 25% de chance de ter uma criança com a mesma doença e que o diagnóstico genético pré-implantacional pode selecionar embriões sem a doença. Isso está correto: a EDP é autossômica recessiva, e quando ambos os pais são portadores, o risco de cada filho ser afetado é de 25%. O PGD é uma técnica válida para evitar a transmissão, testando os embriões antes da implantação. A alternativa amarra corretamente o padrão de herança com a opção reprodutiva disponível.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o tratamento essencial (piridoxina) pelos anticonvulsivantes, que são ineficazes na EDP. O candidato que associa "epilepsia" a "anticonvulsivante" cai nas alternativas A e C. Lembre-se: na EDP, a piridoxina é a base; os anticonvulsivantes são coadjuvantes. E o risco de 25% é a marca da herança autossômica recessiva — não confunda com os 50% da herança dominante.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de genética médica, monte o heredograma mentalmente: pais não afetados com filho afetado → herança recessiva (25% de risco). Pais afetados com filho não afetado → herança dominante (50% de risco). Essa distinção resolve a maioria das questões de aconselhamento genético.

Gabarito: letra E

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