Questão de Medicina — Genética Médica — IBFC 2023
- Código
- qq932630
- Banca
- IBFC
- Órgão
- EBSERH
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Genética
- AI apenas
- BII e III apenas
- CIV apenas
- DIII apenas
- EI, II, III e IV
GabaritoD — III apenas
Gabarito: letra D (III apenas). O quadro clínico descrito — mãos fendidas, membros inferiores encurtados e dismétricos, oligodactilia em pés, displasia auricular, oligodontia, fenda palatina, aplasia cútis e obstrução de canal lacrimal — é altamente sugestivo de uma síndrome genética rara, e a confirmação diagnóstica mais adequada é o exoma completo (sequenciamento de toda a região codificante do genoma), pois permite identificar variantes de nucleotídeo único e pequenas inserções/deleções em genes associados a essas malformações. O cariótipo com bandeamento G (I) detecta apenas alterações cromossômicas numéricas ou estruturais grandes (≥5-10 Mb), que não explicam o quadro; o microarray (II) detecta variações submicroscópicas (CNVs), mas não identifica mutações pontuais; e o painel genético para doenças tratáveis (IV) é direcionado a um conjunto limitado de genes, não sendo adequado para um diagnóstico sindrômico amplo.
O quadro clínico apresentado é clássico de uma síndrome malformativa congênita, ou seja, um conjunto de anomalias estruturais que ocorrem durante o desenvolvimento embrionário e que compartilham uma mesma etiologia genética. A paciente apresenta um padrão de malformações que envolve múltiplos sistemas — esquelético (mãos fendidas, membros encurtados, oligodactilia), craniofacial (displasia auricular, fenda palatina, oligodontia), cutâneo (aplasia cútis) e oftalmológico (obstrução de canal lacrimal) — com função cognitiva normal. Esse padrão é sugestivo de uma condição genética de herança mendeliana, possivelmente uma síndrome rara causada por mutação em um único gene.
Para confirmar o diagnóstico, é essencial escolher o exame genético com a resolução adequada ao tipo de alteração esperada. O cariótipo com bandeamento G é o exame de primeira linha para detectar alterações cromossômicas numéricas (como trissomias) e estruturais grandes (translocações, deleções, duplicações visíveis ao microscópio), com resolução de cerca de 5-10 megabases (Mb). Já a análise cromossômica submicroscópica por microarray (aCGH/SNP-array) detecta variações no número de cópias (CNVs) submicroscópicas, com resolução de dezenas de kilobases (kb), sendo útil para síndromes de microdeleção/microduplicação. O exoma completo (WES) sequencia todos os éxons (regiões codificantes) do genoma, identificando variantes de nucleotídeo único (SNVs) e pequenas inserções/deleções (indels) em genes específicos. Por fim, o painel genético para doenças tratáveis é um teste direcionado a um conjunto limitado de genes associados a condições com tratamento específico, não sendo adequado para um diagnóstico sindrômico amplo.
A escolha do exame depende da hipótese diagnóstica. No caso descrito, a presença de múltiplas malformações congênitas com padrão sindrômico e função cognitiva normal sugere uma condição genética de herança mendeliana (autossômica dominante, recessiva ou ligada ao X), causada por mutação em um único gene. O exoma completo é o exame de escolha para essa situação, pois permite a análise de todos os genes codificantes de uma só vez, aumentando a chance de identificar a variante patogênica responsável pelo quadro. O cariótipo e o microarray seriam úteis se houvesse suspeita de alteração cromossômica numérica ou estrutural, mas não é o caso, pois o padrão de malformações é mais sugestivo de uma mutação gênica pontual.
A pegadinha desta questão está em associar o quadro clínico a uma alteração cromossômica (como a trissomia do 21, que seria detectada pelo cariótipo) ou a uma microdeleção (que seria detectada pelo microarray), quando na verdade o padrão descrito é mais compatível com uma mutação gênica pontual, que só o exoma completo consegue identificar. O candidato deve reconhecer que a presença de múltiplas malformações congênitas com função cognitiva normal aponta para uma síndrome gênica, e não cromossômica, e que o exoma é o exame mais abrangente para essa finalidade.
Guarde a distinção entre os exames genéticos: cariótipo (alterações grandes), microarray (CNVs submicroscópicas), exoma (SNVs/indels em éxons) e painel (genes específicos). É exatamente essa hierarquia de resolução que separa as alternativas desta questão.
O cariótipo com bandeamento G detecta apenas alterações cromossômicas numéricas (como trissomias) e estruturais grandes (translocações, deleções, duplicações visíveis ao microscópio), com resolução de cerca de 5-10 Mb. No quadro descrito, não há indicação de alteração cromossômica numérica ou estrutural grande, pois o padrão de malformações é mais sugestivo de uma mutação gênica pontual. O cariótipo seria útil se houvesse suspeita de trissomia (como na síndrome de Down) ou de uma deleção cromossômica grande, mas não é o caso.
A análise cromossômica submicroscópica por microarray (aCGH/SNP-array) detecta variações no número de cópias (CNVs) submicroscópicas, com resolução de dezenas de kilobases (kb). Esse exame é útil para síndromes de microdeleção/microduplicação (como a síndrome de DiGeorge), mas não identifica mutações pontuais (SNVs) ou pequenas inserções/deleções em genes específicos. No quadro descrito, não há indicação de uma CNV submicroscópica, pois o padrão de malformações é mais sugestivo de uma mutação gênica pontual.
O exoma completo (WES) sequencia todos os éxons (regiões codificantes) do genoma, identificando variantes de nucleotídeo único (SNVs) e pequenas inserções/deleções (indels) em genes específicos. Esse exame é o mais adequado para o diagnóstico de síndromes malformativas com padrão mendeliano, como o quadro descrito, pois permite a análise de todos os genes codificantes de uma só vez, aumentando a chance de identificar a variante patogênica responsável pelas múltiplas malformações.
O painel genético para doenças tratáveis é um teste direcionado a um conjunto limitado de genes associados a condições com tratamento específico (como fibrose cística, hemocromatose, etc.). Esse exame não é adequado para um diagnóstico sindrômico amplo, pois não analisa todos os genes do genoma, apenas um painel restrito. No quadro descrito, não há indicação de uma doença tratável específica, mas sim de uma síndrome malformativa rara, que exige uma abordagem mais abrangente, como o exoma completo.
Conclusão: Apenas o item III está correto. Portanto, a alternativa correta é a letra D.
Gabarito: letra D
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