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Questão de Medicina — Genética Médica — IBFC 2023

MedicinaGenética Médica
Código
qq932637
Banca
IBFC
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Genética

Em relação ao papel do médico geneticista, assinale a alternativa incorreta.

  1. AAconselhamento genético de pacientes com câncer
  2. BDiagnóstico e tratamento de doenças da Triagem Neonatal
  3. CParticipar da realização de exames genéticos moleculares no laboratório
  4. DAtuar na Reprodução Humana
  5. EAconselhar casais consanguíneos a não terem filhos
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GabaritoE — Aconselhar casais consanguíneos a não terem filhos

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Papel do médico geneticista: limites éticos e técnicos

Gabarito: letra E. A alternativa incorreta é a que afirma que o médico geneticista deve "aconselhar casais consanguíneos a não terem filhos", pois o aconselhamento genético é um processo de comunicação que visa informar e apoiar a decisão autônoma do casal, e não impor condutas como a de não ter filhos. As demais alternativas descrevem atividades legítimas do geneticista, como o aconselhamento em câncer, o diagnóstico e tratamento de doenças da triagem neonatal, a participação em exames genéticos moleculares e a atuação em reprodução humana.

O aconselhamento genético é um processo de comunicação que lida com os problemas humanos associados à ocorrência ou ao risco de ocorrência de uma doença genética em uma família. Ele envolve a participação de pessoas adequadamente capacitadas, como o médico geneticista, com o objetivo de ajudar o indivíduo e a família a compreender os aspectos envolvidos, incluindo o diagnóstico, o curso provável da doença e os cuidados disponíveis. O processo é fundamental na atenção às famílias e pacientes com doenças raras, considerando que cerca de 80% dessas doenças são de origem genética.

O princípio central que rege o aconselhamento genético é o respeito à autonomia reprodutiva dos indivíduos. O geneticista deve fornecer informações claras e completas sobre o diagnóstico, a causa, a evolução e os riscos de recorrência da doença, visando a medidas preventivas primárias, secundárias e terciárias, mas sempre respeitando os valores éticos, culturais e religiosos da família. O profissional não deve tomar decisões pelo paciente ou casal, nem impor suas próprias convicções. A função é de esclarecer e apoiar, nunca de determinar condutas como "não ter filhos".

Na prática, o aconselhamento genético envolve a obtenção do histórico familiar, a avaliação clínica e evolutiva do paciente, a construção do heredograma e a solicitação de testes diagnósticos, se indicados. O atendimento deve ser, de preferência, multidisciplinar, assegurando o entendimento sobre todos os aspectos da doença e oferecendo suporte ao consulente e sua família. Por exemplo, um casal consanguíneo com histórico de uma doença autossômica recessiva deve receber informações sobre o risco de recorrência (25% a cada gestação), as opções de diagnóstico pré-natal e as possibilidades de tratamento, mas a decisão final sobre ter ou não filhos é exclusivamente do casal.

A distinção crucial é entre informar e impor. O geneticista informa sobre riscos e opções; o casal decide. A alternativa E erra exatamente ao transformar o aconselhamento em uma ordem, o que viola o princípio da autonomia e a própria definição do processo. As demais alternativas descrevem atividades que fazem parte do escopo de atuação do médico geneticista, seja na área clínica, laboratorial ou de reprodução assistida.

Guarde essa fronteira: o aconselhamento genético é um processo de comunicação que respeita a autonomia do paciente, e não uma imposição de conduta. É exatamente nesse ponto que a alternativa E se separa das demais.

Aconselhamento genético
  • 1Princípios
    • Informação completa
    • Não diretividade
    • Autonomia do paciente
  • 2Papel do geneticista
    • Aconselhar em câncer
    • Triagem neonatal
    • Exames moleculares
    • Reprodução humana
    • Impor conduta (ex.: não ter filhos)
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Alternativa A — ✅ Correta

O aconselhamento genético de pacientes com câncer é uma atividade legítima do médico geneticista. Muitos cânceres têm componente hereditário (ex.: síndromes de predisposição a câncer de mama e ovário, como BRCA1/BRCA2), e o geneticista atua na avaliação de risco, indicação de testes genéticos e aconselhamento do paciente e familiares sobre medidas de prevenção e vigilância.

Alternativa B — ✅ Correta

O diagnóstico e tratamento de doenças da Triagem Neonatal (como fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, fibrose cística) são atribuições do médico geneticista. Ele participa da confirmação diagnóstica, do manejo clínico e do acompanhamento dos pacientes identificados pelo teste do pezinho, além de orientar as famílias sobre a doença e seu tratamento.

Alternativa C — ✅ Correta

O médico geneticista pode participar da realização de exames genéticos moleculares no laboratório. Embora a execução técnica dos exames seja frequentemente realizada por biomédicos ou biólogos, o geneticista tem papel na indicação, interpretação dos resultados e correlação clínico-laboratorial, podendo também atuar na validação e no controle de qualidade dos testes.

Alternativa D — ✅ Correta

Atuar na Reprodução Humana é uma área de atuação do médico geneticista. Ele pode realizar o aconselhamento genético de casais que buscam reprodução assistida, avaliar riscos de doenças genéticas, indicar testes genéticos pré-implantacionais (PGT) e orientar sobre doação de gametas, sempre respeitando a autonomia dos envolvidos.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A alternativa está incorreta porque o aconselhamento genético não tem caráter impositivo. O geneticista deve informar o casal consanguíneo sobre os riscos de doenças genéticas na prole, mas a decisão de ter ou não filhos é exclusivamente do casal, respeitando sua autonomia reprodutiva. A função do profissional é esclarecer, apoiar e oferecer opções (como diagnóstico pré-natal ou pré-implantacional), nunca determinar que o casal não tenha filhos. Essa conduta violaria princípios éticos fundamentais da medicina e do aconselhamento genético.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre informar e impor. O candidato pode achar que "aconselhar a não ter filhos" é parte do papel do geneticista, mas o aconselhamento genético é um processo de comunicação que respeita a autonomia do paciente. O geneticista informa sobre riscos e opções; a decisão final é sempre do casal. Fique atento a verbos como "aconselhar a não", "orientar a não" ou "recomendar que não" — eles indicam imposição, o que é vedado.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre aconselhamento genético, lembre-se dos pilares: informação completa, não diretividade e autonomia do paciente. O geneticista nunca decide pelo paciente; ele fornece dados para que o paciente decida. Se uma alternativa sugerir que o profissional impõe uma conduta, ela está incorreta.

Gabarito: letra E — a única alternativa incorreta, pois o aconselhamento genético respeita a autonomia reprodutiva do casal, não podendo o médico geneticista impor a decisão de não ter filhos.

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