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Questão de Medicina — Oncologia — IBFC 2023

MedicinaOncologia
Código
qq932689
Banca
IBFC
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Hematologia e Hemoterapia
Homem, 28 anos, previamente hígido, com queixa de astenia e palidez cutânea. Apresenta linfadenopatia em região cervical, axilar e inguinal bilateral, além de baço palpável 2cm do rebordo costal esquerdo. Hemograma: Hb 5,3 g/dl, leucócitos totais 28.000/uL e plaquetas 7.000/uL. Função renal e hepática normais. Realizado mielograma que evidenciou medula óssea hipercelular para idade, com 93% de blastos com imunofenótipo CD34+, TDT+, CD19+, CD10+. Cariótipo hiperdiplóide. Paciente iniciou tratamento seguindo protocolo pediátrico contendo altas doses de PEG-asparaginase, com boa tolerância. Após consolidação, realizou novo mielograma com doença residual mensurável negativa.Assinale a alternativa que apresenta o tratamento mais apropriado.
  1. AIniciar mobilização para coleta de CPH e TMO autólogo
  2. BEncaminhar paciente para transplante de alogênico de medula óssea
  3. CIniciar manutenção com Blinatumumabe
  4. DSeguir com manutenção segundo protocolo em andamento
  5. EEncaminhar paciente para tratamento células CarT
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GabaritoD — Seguir com manutenção segundo protocolo em andamento

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) de células B: tratamento e consolidação

Gabarito: letra D. O paciente apresenta LLA de células B (imunofenótipo CD34+, TDT+, CD19+, CD10+), com cariótipo hiperdiplóide, e após a consolidação atingiu doença residual mensurável (DRM) negativa. Nesse cenário, o tratamento mais apropriado é seguir com a manutenção segundo o protocolo em andamento, pois a hiperdiploidia é um fator prognóstico favorável e a DRM negativa indica excelente resposta ao tratamento, não havendo indicação de transplante ou terapias de resgate. A conduta correta é completar o protocolo pediátrico, incluindo a fase de manutenção.

A Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) é a neoplasia maligna mais comum na infância, mas pode ocorrer em adultos jovens, como no caso do paciente de 28 anos. O diagnóstico é feito pela presença de ≥20% de blastos na medula óssea, com imunofenotipagem por citometria de fluxo identificando a linhagem (B, T ou mista). No caso, o imunofenótipo CD34+, TDT+, CD19+, CD10+ é característico de LLA de células B (precursor B), sendo o CD10 (CALLA) um marcador de linhagem B imatura. A hiperdiploidia (cariótipo com >50 cromossomos) é um dos fatores prognósticos mais favoráveis na LLA pediátrica, associada a altas taxas de cura com quimioterapia convencional.

O tratamento da LLA é dividido em fases: indução (objetivo: remissão completa), consolidação (intensificação, com altas doses de quimioterapia, como a PEG-asparaginase), e manutenção (fase prolongada, geralmente com metotrexato e 6-mercaptopurina, por 2-3 anos). A doença residual mensurável (DRM), avaliada por citometria de fluxo ou PCR, é o principal preditor de recaída: DRM negativa após a consolidação indica resposta profunda e excelente prognóstico, especialmente em pacientes com citogenética favorável.

A decisão de realizar transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH) na LLA em primeira remissão completa (CR1) depende da estratificação de risco. Fatores de risco desfavoráveis incluem: idade >35 anos, leucócitos >30.000/µL (no caso, 28.000/µL, limítrofe), citogenética de risco (como t(9;22), t(4;11), hipodiploidia), e DRM positiva após a consolidação. No paciente descrito, a hiperdiploidia é favorável, a DRM é negativa, e a idade de 28 anos é considerada de risco intermediário em alguns protocolos, mas a excelente resposta ao tratamento (DRM negativa) e a citogenética favorável indicam que o TCTH não é necessário em CR1. O transplante alogênico seria indicado em casos de alto risco (DRM positiva, citogenética desfavorável) ou recaída.

As alternativas A, B, C e E propõem terapias de resgate ou transplante, que são reservadas para pacientes com doença refratária ou recaída, ou com fatores de risco muito desfavoráveis. O Blinatumumabe (anticorpo biespecífico anti-CD19/CD3) é usado em LLA refratária/recidivada ou como ponte para transplante. As células CAR-T (como tisagenlecleucel) são indicadas para LLA refratária ou recidivada, após duas ou mais linhas de tratamento. O transplante autólogo não é indicado na LLA, pois a doença é da medula óssea e o auto-enxerto poderia conter células leucêmicas residuais. Portanto, a conduta correta é completar o protocolo, seguindo para a manutenção.

A pegadinha desta questão está em considerar a idade de 28 anos e a leucocitose de 28.000/µL como fatores de alto risco, o que levaria à indicação de transplante. No entanto, a hiperdiploidia e a DRM negativa são fatores tão favoráveis que superam esses riscos, indicando que o paciente se beneficiará apenas da quimioterapia convencional. A banca explora a confusão entre os critérios de indicação de TCTH em CR1, que são baseados principalmente na citogenética e na DRM, e não apenas na idade ou na contagem de leucócitos.

  1. 1Indução (remissão completa)
  2. 2Consolidação (PEG-asparaginase)
  3. 3Avaliação de DRM
  4. 4Manutenção (metotrexato + 6-MP)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O transplante autólogo de células-tronco hematopoiéticas (TCTH autólogo) não é indicado na LLA, pois a doença tem origem na medula óssea e o auto-enxerto poderia estar contaminado com células leucêmicas residuais. O TCTH autólogo é utilizado em outras neoplasias, como linfomas e mieloma múltiplo, mas não na LLA, onde o transplante alogênico é a modalidade preferida quando há indicação. Além disso, o paciente está em DRM negativa, o que não justifica nenhum tipo de transplante em primeira remissão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O transplante alogênico de medula óssea é indicado na LLA em CR1 apenas para pacientes de alto risco, como aqueles com citogenética desfavorável (t(9;22), t(4;11), hipodiploidia), DRM positiva após consolidação, ou idade >35 anos. O paciente apresenta hiperdiploidia (favorável) e DRM negativa, o que o coloca em um grupo de risco padrão, onde o transplante não é recomendado, pois a quimioterapia convencional oferece altas taxas de cura (acima de 80% em crianças e adolescentes). O transplante alogênico está associado a morbimortalidade significativa e deve ser reservado para casos de alto risco ou recaída.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O Blinatumumabe é um anticorpo biespecífico que liga as células T do paciente às células B leucêmicas (CD19+), promovendo sua destruição. É indicado para LLA de células B refratária ou recidivada, ou como ponte para transplante alogênico em pacientes com DRM positiva. No caso, o paciente atingiu DRM negativa após a consolidação, o que indica resposta completa e profunda, não havendo necessidade de terapia adicional com Blinatumumabe. O uso de Blinatumumabe em primeira remissão com DRM negativa não é o padrão de cuidado.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O paciente apresenta LLA de células B com hiperdiploidia (fator prognóstico favorável) e atingiu DRM negativa após a consolidação, indicando resposta profunda e excelente prognóstico. Nesse cenário, o tratamento mais apropriado é seguir com a manutenção segundo o protocolo em andamento, que consiste em quimioterapia oral prolongada (geralmente metotrexato e 6-mercaptopurina) por 2-3 anos, com o objetivo de erradicar qualquer doença residual e prevenir recaídas. A manutenção é uma fase essencial do tratamento da LLA e, em pacientes com fatores favoráveis e DRM negativa, é suficiente para garantir altas taxas de cura, sem necessidade de transplante ou terapias de resgate.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A terapia com células CAR-T (como tisagenlecleucel) é indicada para LLA de células B refratária ou recidivada, após duas ou mais linhas de tratamento, ou em pacientes com recaída após transplante. No caso, o paciente está em primeira remissão completa, com DRM negativa, e não há evidência de doença refratária ou recidivada. O uso de CAR-T em primeira remissão não é o padrão de cuidado e seria um tratamento excessivo e potencialmente tóxico para um paciente com prognóstico favorável.

Gabarito: letra D

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