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Questão de Medicina — Hematologia — IBFC 2023

MedicinaHematologia
Código
qq932701
Banca
IBFC
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Hematologia e Hemoterapia Pediátrica
As talassemias constituem um grupo heterogêneo de doenças genéticas, caracterizadas pela redução ou ausência da síntese de um dos tipos de cadeias de globina que formam as hemoglobinas. Sobre talassemias. Analise as afirmativas abaixo.I. São o talassemias em que há produção de mRNA que não pode ser traduzido, porque: uma mutação pontual introduz no mRNA um códon de término, interrompendo a síntese proteica.II. Os heterozigotos são habitualmente assintomáticos, embora o defeito possa ser detectado por exames laboratoriais.III. Talassemia intermediária. Denominação que se aplica aos casos sintomáticos dependentes de transfusões regulares.IV. O excesso de ferro nos talassêmicos tem duas origens: maior absorção intestinal e o ferro liberado das hemácias recebidas nas transfusões.Estão corretas as afirmativas:
  1. AI e II apenas
  2. BI, II e III apenas
  3. CII e III apenas
  4. DI, III e IV apenas
  5. EI, II e IV apenas
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GabaritoE — I, II e IV apenas

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Talassemias: bases genéticas e classificação clínica

Gabarito: letra E. Estão corretas as afirmativas I, II e IV. A afirmativa I descreve corretamente o mecanismo de mutação nonsense (códon de parada prematuro) que leva à β0-talassemia; a II está correta ao afirmar que heterozigotos (talassemia menor) são geralmente assintomáticos, com diagnóstico laboratorial; a IV está correta ao apontar as duas origens da sobrecarga de ferro (absorção intestinal aumentada e transfusões). A afirmativa III está incorreta porque a talassemia intermediária, embora sintomática, não depende de transfusões regulares — essa dependência é característica da talassemia maior.

As talassemias são um grupo heterogêneo de doenças genéticas hereditárias caracterizadas pela redução ou ausência da síntese de uma ou mais cadeias de globina que compõem a hemoglobina. O defeito genético pode ocorrer por diferentes mecanismos: mutações que reduzem a transcrição do gene, alterações no splicing do RNA mensageiro (RNAm), ou mutações na região codificadora que geram códons de parada prematuros (mutações nonsense), impedindo a tradução completa da proteína. Esses mecanismos explicam a classificação em talassemias β0 (ausência total de síntese da cadeia β) e β+ (síntese reduzida).

A classificação clínica das talassemias é fundamental para o manejo: a talassemia menor (heterozigota) é geralmente assintomática ou cursa com anemia microcítica leve, sendo um importante diagnóstico diferencial da anemia ferropriva; a talassemia intermediária apresenta manifestações clínicas mais evidentes que a menor (esplenomegalia, alterações ósseas, úlceras de perna), porém menos graves que a maior, e não depende de transfusões regulares; a talassemia maior (homozigota) é a forma mais grave, com anemia hemolítica severa, dependência transfusional desde o primeiro ano de vida e complicações como deformidades esqueléticas e sobrecarga de ferro.

A sobrecarga de ferro nos talassêmicos tem dupla origem: a eritropoese ineficaz crônica estimula a hiperabsorção intestinal de ferro, e as transfusões sanguíneas regulares (cada unidade de hemácias contém cerca de 200-250 mg de ferro) adicionam uma carga significativa. Essa sobrecarga é a principal causa de morbimortalidade a longo prazo, levando a danos cardíacos, hepáticos e endócrinos, sendo essencial a monitorização e a terapia quelante.

A distinção entre talassemia intermediária e maior é um ponto crítico: ambas apresentam anemia hemolítica crônica, mas a necessidade de transfusões regulares define a forma maior. A talassemia intermediária pode até necessitar de transfusões eventuais (em crises, infecções, gestação), mas não de forma regular e contínua. Essa é a pegadinha central da afirmativa III.

Guarde a fronteira entre os mecanismos genéticos (I), a apresentação clínica dos heterozigotos (II), a definição de talassemia intermediária (III) e a fisiopatologia da sobrecarga de ferro (IV): é exatamente nesses quatro eixos que as alternativas se dividem.

Talassemias
  • 1Mecanismos genéticos
    • Redução da transcrição
    • Alteração no splicing
    • Mutação nonsense (códon de parada)
  • 2Classificação clínica
    • Menor (heterozigoto)
      • Assintomática ou anemia leve
      • Diagnóstico laboratorial
    • Intermediária
      • Sintomática
      • Sem transfusão regular
    • Maior (homozigoto)
      • Anemia hemolítica grave
      • Dependência transfusional
  • 3Sobrecarga de ferro
    • Hiperabsorção intestinal
    • Ferro das transfusões
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Item I — ✅ Correto

A afirmativa descreve corretamente o mecanismo de mutação nonsense: uma mutação pontual que introduz um códon de término prematuro no RNAm, interrompendo a síntese proteica. Esse é um dos mecanismos que levam à β0-talassemia, onde não há produção de cadeias β funcionais. O RNAm é transcrito, mas a tradução é truncada, resultando em ausência de expressão da globina intacta a partir do alelo afetado.

Item II — ✅ Correto

Os heterozigotos para talassemia (talassemia menor) são habitualmente assintomáticos ou apresentam apenas anemia microcítica leve. O defeito pode ser detectado por exames laboratoriais, como a eletroforese de hemoglobina, que mostra aumento da Hb A2 (> 4-7%) e da Hb fetal (2-5%) na β-talassemia menor. Na população brasileira, a prevalência da forma heterozigota da β-talassemia menor chega a 10-20%.

Item III — ❌ Incorreto

A afirmativa erra ao definir talassemia intermediária como "casos sintomáticos dependentes de transfusões regulares". A talassemia intermediária é uma classificação clínica para pacientes com manifestações mais evidentes que a menor (esplenomegalia, alterações faciais, úlceras de perna), porém menos graves que a maior, e não necessitam de transfusões regulares. A dependência transfusional regular é característica da talassemia maior. A banca trocou a definição de intermediária pela de maior.

Item IV — ✅ Correto

A afirmativa está correta ao apontar as duas origens da sobrecarga de ferro nos talassêmicos: a maior absorção intestinal (estimulada pela eritropoese ineficaz crônica) e o ferro liberado das hemácias transfundidas (cada unidade de concentrado de hemácias contém aproximadamente 200-250 mg de ferro). Essa sobrecarga é a principal complicação a longo prazo, causando danos cardíacos, hepáticos e endócrinos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a definição de talassemia intermediária pela de talassemia maior. A intermediária é sintomática, mas não depende de transfusões regulares — essa dependência define a forma maior. Fique atento a essa distinção, pois é clássica em provas de hematologia.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar a classificação clínica, lembre-se: menor = assintomática/leve; intermediária = sintomática, sem transfusão regular; maior = grave, transfusão-dependente. Associe a gravidade à necessidade transfusional.

Gabarito: letra E — corretas as afirmativas I, II e IV.

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