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Questão de Medicina — Hematologia — IBFC 2023

MedicinaHematologia
Código
qq932709
Banca
IBFC
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Hematologia e Hemoterapia Pediátrica
A tecnologia mais recente e promissora para tratamento de algumas doenças hematológicas inclui a modificação genética de células T autólogas, as células CAR-T. Neste contexto, analise as afirmativas abaixo sobre terapia celular CAR T.I. As recidivas CD19 positivas geralmente ocorrem precocemente após a infusão e estão relacionadas à pequena expansão da célula CAR T e/ou a ausência de sua persistência.II. A presença de infiltração leucêmica em sistema nervoso central (SNC) contraindica o tratamento com células CAR-T.III. Embora a terapia com células CAR-T mostre altas taxas de remissão em LLA R/R em crianças, uma proporção significativa de pacientes eventualmente terá uma recaída após a terapia.IV. A avaliação do número de linfócitos ou células T circulantes é importante para a planificação da aférese (é recomendado um mínimo de 500 linfócitos totais/mm3 e/ou 150 linfócitos CD3+/ mm3, embora a aférese possa ser feita com contagens menores).Estão corretas as afirmativas:
  1. AI e II apenas
  2. BI, II e III apenas
  3. CII e III apenas
  4. DI, II e IV apenas
  5. EI, III e IV apenas
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — I, III e IV apenas

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Terapia Celular CAR-T: conceitos e aplicações clínicas

Gabarito: letra E. Estão corretas as afirmativas I, III e IV. A afirmativa II está incorreta porque a presença de infiltração leucêmica em sistema nervoso central (SNC) não contraindica, de forma absoluta, o tratamento com células CAR-T — na verdade, a terapia pode ser eficaz inclusive em casos de doença no SNC, sendo a neurotoxicidade um efeito adverso a ser monitorado, e não uma contraindicação formal. O contexto da questão aborda a terapia celular CAR-T, uma imunoterapia inovadora que modificou geneticamente linfócitos T autólogos para reconhecer e eliminar células tumorais, especialmente em neoplasias hematológicas como leucemia linfoblástica aguda (LLA) e linfomas.

A terapia com células CAR-T representa um avanço significativo no tratamento de doenças hematológicas, especialmente em casos de leucemia linfoblástica aguda refratária ou recidivada (LLA R/R) e linfomas. O princípio fundamental é a coleta de linfócitos T do próprio paciente (células autólogas), sua modificação genética ex vivo para expressar um receptor quimérico que reconhece antígenos tumorais específicos (como CD19), e a reinfusão dessas células no paciente. Essa abordagem foi aprovada pela FDA em 2017 para LLA pediátrica e linfoma difuso de grandes células B, e desde então tem revolucionado o tratamento oncológico.

A eficácia da terapia CAR-T é notável, com taxas de remissão completa que podem chegar a 40% em pacientes com linfoma que não responderam a terapias convencionais. No entanto, a terapia não está isenta de desafios. A toxicidade é uma preocupação significativa, incluindo a síndrome de liberação de citocinas (CRS), neurotoxicidade, citopenias, hipogamaglobulinemia e infecções. Além disso, a persistência das células CAR-T no organismo é crucial para a manutenção da remissão, e a perda dessa persistência está associada a recidivas.

Um aspecto fundamental da terapia CAR-T é a avaliação prévia do paciente para a coleta de células. A aférese, procedimento de coleta de linfócitos, requer uma contagem mínima de células para garantir a viabilidade do produto final. Recomenda-se um mínimo de 500 linfócitos totais/mm³ e/ou 150 linfócitos CD3+/mm³, embora a aférese possa ser realizada com contagens menores em situações específicas. Essa avaliação é essencial para o planejamento adequado do tratamento.

A questão aborda especificamente quatro afirmativas sobre a terapia CAR-T, e a correta compreensão de cada uma delas é fundamental para responder adequadamente. A afirmativa I trata das recidivas CD19 positivas, que ocorrem precocemente e estão relacionadas à expansão e persistência das células CAR-T. A afirmativa II aborda a contraindicação em casos de infiltração do SNC, que é incorreta. A afirmativa III discute as altas taxas de remissão em LLA R/R pediátrica, mas reconhece que uma proporção significativa de pacientes terá recaída. A afirmativa IV trata da avaliação do número de linfócitos para a aférese, com valores específicos recomendados.

A distinção crucial nesta questão é entre os fatores que influenciam a eficácia da terapia CAR-T e as contraindicações absolutas. Enquanto a expansão e persistência das células CAR-T são determinantes para a duração da resposta, a infiltração do SNC não é uma contraindicação absoluta, pois a terapia pode ser eficaz nesses casos, embora exija monitoramento cuidadoso da neurotoxicidade. A avaliação da contagem de linfócitos é um aspecto prático importante para o planejamento da aférese.

Afirmativa

Correto?

Justificativa

I. Recidivas CD19+ precoces relacionadas à pequena expansão/persistência das CAR-T

A eficácia depende da expansão e persistência das células CAR-T; sua ausência leva à recidiva.

II. Infiltração leucêmica em SNC contraindica CAR-T

Não é contraindicação absoluta; a terapia pode ser eficaz, com monitoramento da neurotoxicidade.

III. Altas taxas de remissão em LLA R/R pediátrica, mas com recaídas significativas

Apesar da alta remissão inicial, proporção significativa de pacientes recai.

IV. Avaliação de linfócitos para aférese (mín. 500 totais/mm³ e/ou 150 CD3+/mm³)

Contagem mínima é essencial para viabilizar a coleta e o produto final.

  1. 1Avaliação do paciente
  2. 2Aférese (coleta de linfócitos)
  3. 3Modificação genética ex vivo
  4. 4Reinfusão das células
  5. 5Monitoramento de toxicidade
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Item I — ✅ Correto

A afirmativa I está correta. As recidivas CD19 positivas após terapia CAR-T geralmente ocorrem precocemente e estão associadas à pequena expansão das células CAR-T e/ou à ausência de sua persistência. Isso ocorre porque a eficácia da terapia depende da capacidade das células CAR-T de se expandirem e persistirem no organismo para eliminar as células tumorais residuais. Quando essa expansão é insuficiente ou as células não persistem, as células tumorais CD19 positivas podem sobreviver e causar recidiva.

Item II — ❌ Incorreto

A afirmativa II está incorreta. A presença de infiltração leucêmica em sistema nervoso central (SNC) não contraindica o tratamento com células CAR-T. Na verdade, a terapia CAR-T pode ser eficaz em pacientes com doença no SNC, e a neurotoxicidade é um efeito adverso que deve ser monitorado, mas não uma contraindicação absoluta. A banca tenta confundir o candidato ao sugerir que a infiltração do SNC seria uma contraindicação, quando na prática clínica a terapia pode ser utilizada nesses casos, com monitoramento adequado.

Item III — ✅ Correto

A afirmativa III está correta. Embora a terapia com células CAR-T mostre altas taxas de remissão em LLA R/R em crianças, uma proporção significativa de pacientes eventualmente terá uma recaída após a terapia. Isso reflete a realidade clínica: apesar das taxas iniciais de remissão serem altas, a durabilidade da resposta pode ser limitada em alguns pacientes, e a recaída é uma possibilidade real que deve ser considerada no acompanhamento.

Item IV — ✅ Correto

A afirmativa IV está correta. A avaliação do número de linfócitos ou células T circulantes é importante para a planificação da aférese. Recomenda-se um mínimo de 500 linfócitos totais/mm³ e/ou 150 linfócitos CD3+/mm³, embora a aférese possa ser feita com contagens menores. Essa avaliação é essencial para garantir a viabilidade do produto CAR-T, pois a coleta de células em quantidade adequada é fundamental para a produção de um produto eficaz.

Conclusão: Corretas: I, III e IV → portanto a alternativa é a letra E.

Gabarito: letra E

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