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Questão de Medicina — Hepatologia — IBFC 2023

MedicinaHepatologia
Código
qq932775
Banca
IBFC
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Hepatologia
Em um ambulatório de hepatites, comparecem os pacientes abaixo, numerados de 1 a 5.De acordo com o atual PCDT 2023 para o tratamento de hepatite B no Brasil, analise a seguir os pacientes que deverão receber o tratamento para esta doença e qual seria a melhor conduta, respectivamente:1. 7 anos, com HBV-DNA > 20.000. HBeAg positivo. ALT= 20. Elastografia < 6 kPa. Não é necessário iniciar o tratamento neste momento.2. 18 anos, com HBV-DNA < 2.000. Não-cirrótico. ALT= 20. Elastografia < 6 kPa. Mãe tem carcinoma hepatocelular em decorrência da hepatite B. O paciente deve ser tratado e uma opção viável para o tratamento é o tenofovir desoproxila (TDF).3. 67 anos, cirrótico, hipertenso e com doença renal crônica estágio IV. Já usou lamivudina previamente. O paciente deve ser tratado com tenofovir alafenamida (TAF).4. 20 anos, não-cirrótico, apresenta Anti-HBc IgG positivo, HBsAg negativo e Anti-HBs positivo. Diagnosticado com Linfoma Hodgkin e receberá terapia com Rituximabe. Deve-se iniciar profilaxia de reativação da hepatite B com entecavir (ETV).5. 47 anos, cirrótico, com osteoporose. No momento, apresenta-se com ascite grau 2. Nunca recebeu tratamento para hepatite B. O paciente deve ser tratado com entecavir (ETV) em dose dobrada.Assinale a alternativa correta.
  1. ATodos os pacientes deverão receber o tratamento conforme descrito em cada afirmativa
  2. BSomente os pacientes 3, 4 e 5
  3. CSomente os pacientes 2, 3, 4 e 5
  4. DSomente os pacientes 1, 3, 4 e 5
  5. ENenhum dos pacientes acima deverá receber o tratamento conforme descrito em cada afirmativa
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GabaritoA — Todos os pacientes deverão receber o tratamento conforme descrito em cada afirmativa

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hepatite B: indicação de tratamento e escolha do antiviral no PCDT 2023

Gabarito: letra A. Todos os cinco pacientes devem receber o tratamento conforme descrito em cada afirmativa, pois cada caso apresenta uma indicação válida de tratamento ou profilaxia e a escolha do antiviral está adequada ao perfil clínico, conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para Hepatite B e Coinfecções do Ministério da Saúde.

O PCDT 2023 estabelece que a carga viral (HBV-DNA) é o principal parâmetro para indicação de tratamento, mas não o único. O tratamento está indicado para pacientes com HBV-DNA ≥ 2.000 UI/mL e ALT elevada (≥ 52 U/L para homens e ≥ 37 U/L para mulheres) em duas dosagens consecutivas com intervalo mínimo de três meses. Porém, existem situações especiais em que o tratamento é indicado independentemente desses critérios, como em cirróticos, pacientes com história familiar de carcinoma hepatocelular (CHC), imunossuprimidos, gestantes, coinfectados e na prevenção de reativação viral. A escolha do antiviral (entecavir, tenofovir desoproxila ou tenofovir alafenamida) depende de fatores como cirrose, função renal, osteoporose e uso prévio de lamivudina.

Vamos analisar cada paciente:

Paciente 1: Criança de 7 anos, HBeAg positivo, HBV-DNA > 20.000 UI/mL, ALT normal (20 U/L) e elastografia < 6 kPa (sem fibrose significativa). O PCDT preconiza que, para menores de 18 anos, o tratamento está indicado quando há HBV-DNA ≥ 2.000 UI/mL e ALT entre 1 e 1,3x o LSN por ≥ 6 meses, com necessidade de biópsia. No entanto, a afirmativa diz que "não é necessário iniciar o tratamento neste momento". Isso está correto porque, apesar do HBV-DNA elevado, a ALT está normal e a elastografia não mostra fibrose significativa. O PCDT também menciona que pacientes com HBV-DNA ≥ 2.000 UI/mL e ALT persistentemente normal devem ser avaliados quanto à fibrose, e se não houver fibrose significativa, podem ser monitorados. Portanto, a conduta de não tratar é adequada.

Paciente 2: 18 anos, HBV-DNA < 2.000, não-cirrótico, ALT normal, elastografia < 6 kPa, mas mãe com CHC por hepatite B. O PCDT lista como fator para indicação de tratamento a "história familiar de CHC em parentes de primeiro grau". Assim, mesmo com carga viral baixa e ALT normal, o tratamento está indicado. A escolha do TDF é viável, pois é um análogo de nucleotídeo eficaz e aprovado para adolescentes a partir de 12 anos e 35 kg. Portanto, a afirmativa está correta.

Paciente 3: 67 anos, cirrótico, hipertenso e com doença renal crônica estágio IV, já usou lamivudina. O PCDT orienta que, em pacientes com cirrose, o tratamento está indicado independentemente dos níveis de HBV-DNA e ALT. A escolha do TAF é adequada porque, em comparação ao TDF, o TAF tem menor risco de nefrotoxicidade e menor impacto na densidade mineral óssea, sendo preferível em pacientes com doença renal crônica. Portanto, a afirmativa está correta.

Paciente 4: 20 anos, não-cirrótico, Anti-HBc IgG positivo, HBsAg negativo e Anti-HBs positivo, com Linfoma Hodgkin e receberá Rituximabe. O PCDT indica profilaxia de reativação do HBV em pacientes que receberão terapia imunossupressora. Mesmo com HBsAg negativo e Anti-HBs positivo, o anti-HBc IgG positivo indica infecção prévia, e o Rituximabe é um imunossupressor potente que pode reativar o HBV. A profilaxia com entecavir é uma opção adequada. Portanto, a afirmativa está correta.

Paciente 5: 47 anos, cirrótico, com osteoporose, ascite grau 2 (cirrose descompensada), nunca tratado. O tratamento está indicado em cirróticos, independentemente dos níveis de HBV-DNA e ALT. A escolha do entecavir é adequada, mas em dose dobrada (1 mg/dia) para cirrose descompensada, conforme o PCDT. Portanto, a afirmativa está correta.

Indicação de tratamento (PCDT 2023)
  • 1Critérios gerais
    • HBV-DNA ≥ 2.000
    • ALT elevada (2 dosagens)
  • 2Situações especiais
    • Cirrose
    • História familiar de CHC
    • Imunossupressão
    • Coinfecção
    • Gestantes
  • 3Escolha do antiviral
    • TDF
      • Adolescentes
    • TAF
      • Doença renal crônica
      • Osteoporose
    • Entecavir
      • Dose dobrada na cirrose descompensada
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Todos os pacientes têm indicação de tratamento ou profilaxia conforme o PCDT 2023, e as condutas descritas estão adequadas. O paciente 1 não deve ser tratado no momento, o paciente 2 deve ser tratado com TDF, o paciente 3 com TAF, o paciente 4 com profilaxia com ETV e o paciente 5 com ETV em dose dobrada. Portanto, a alternativa A está correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B exclui o paciente 2, mas ele tem indicação de tratamento devido à história familiar de CHC em parente de primeiro grau, conforme o PCDT. Portanto, a alternativa B está incorreta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C exclui o paciente 1, mas ele não deve ser tratado no momento, pois tem ALT normal e elastografia < 6 kPa, sem fibrose significativa. Portanto, a alternativa C está incorreta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D exclui o paciente 2, que tem indicação de tratamento pela história familiar de CHC. Portanto, a alternativa D está incorreta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que nenhum paciente deve receber o tratamento, o que é falso, pois os pacientes 2, 3, 4 e 5 têm indicação de tratamento ou profilaxia. Portanto, a alternativa E está incorreta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os critérios de tratamento da hepatite B. O candidato pode pensar que o paciente 1 deve ser tratado por ter HBV-DNA > 20.000, mas o PCDT exige ALT elevada ou fibrose significativa para indicar tratamento em crianças. Além disso, pode-se confundir a indicação de profilaxia no paciente 4, que tem anti-HBs positivo, mas o anti-HBc IgG positivo e o uso de Rituximabe justificam a profilaxia. Fique atento a esses detalhes.

PEGA ESSA DICA!

Memorize os critérios de tratamento do PCDT: HBV-DNA ≥ 2.000 UI/mL + ALT elevada (≥ 52 U/L homens, ≥ 37 U/L mulheres) em duas dosagens com 3 meses de intervalo, ou situações especiais como cirrose, história familiar de CHC, imunossupressão, coinfecção, manifestações extra-hepáticas e prevenção de reativação. Para a escolha do antiviral, lembre-se: TAF é preferível em doença renal crônica e osteoporose; TDF é opção em adolescentes; ETV em dose dobrada para cirrose descompensada.

Gabarito: letra A

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