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Questão de Medicina — Neurologia — IBFC 2023

MedicinaNeurologia
Código
qq932932
Banca
IBFC
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Medicina Intensiva
A hipertensão intracraniana está associada a prognóstico ruim e elevada mortalidade. Há indicação de monitorização da pressão intracraniana em pacientes com trauma cranioencefálico grave com a finalidade de reduzir mortalidade intra-hospitalar e 2 semanas após a lesão. Acerca dos tipos de monitorização intracraniana (intraventricular ou intra-parenquimatosa), assinale a alternativa correta.
  1. AÉ possível recalibrar a monitorização intraparenquimatosa se necessário
  2. BOs cateteres intraventriculares apresentam menor risco de infecção
  3. CComparativamente, a monitorização intraventricular é mais cara que a intraparenquimatosa
  4. DÉ possível utilizar a monitorização intraparenquimatosa como drenagem de líquor e terapia de redução de pressão intracraniana
  5. EComparativamente, a monitorização intraventricular é mais acurada que a intraparenquimatosa
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GabaritoE — Comparativamente, a monitorização intraventricular é mais acurada que a intraparenquimatosa

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Monitorização da Pressão Intracraniana (PIC) no Trauma Cranioencefálico

Gabarito: letra E. A monitorização intraventricular é considerada o padrão-ouro para mensuração da PIC, sendo mais acurada que a intraparenquimatosa, pois permite não apenas a medida contínua da pressão, mas também a drenagem de líquor como terapia para redução da PIC. As demais alternativas invertem características desses dois métodos, trocando acurácia, custo, risco de infecção e capacidade de drenagem.

A hipertensão intracraniana (HIC) é uma complicação grave e comum no trauma cranioencefálico (TCE) grave, definida pela elevação sustentada da PIC acima de 22 mmHg por mais de 5 minutos. A monitorização invasiva da PIC é indicada pelas diretrizes do Brain Trauma Foundation para pacientes com TCE grave (Escala de Coma de Glasgow ≤ 8) e tomografia de crânio alterada, ou com TC normal e dois dos seguintes fatores: idade > 40 anos, pressão sistólica < 90 mmHg ou postura motora anormal. O objetivo primordial é otimizar a pressão de perfusão cerebral (PPC = PAM − PIC), evitando isquemia encefálica regional ou global.

Existem dois métodos principais de monitorização invasiva: o cateter intraventricular (CIV) e o cateter intraparenquimatoso (CIP). O CIV é inserido no ventrículo lateral e conectado a um sistema de drenagem ventricular externa (DVE). Sua principal vantagem é ser o padrão-ouro para mensuração da PIC, oferecendo a medida mais acurada, além de permitir a drenagem de líquido cefalorraquidiano (LCR) como terapia para redução da PIC. Suas desvantagens incluem maior risco de infecção (ventriculite) e maior dificuldade de inserção, especialmente em casos de edema cerebral com ventrículos comprimidos. O CIP, por sua vez, é inserido diretamente no parênquima cerebral, sendo mais fácil de posicionar e com menor risco de infecção, porém não permite a drenagem de LCR e pode apresentar desvio (drift) do zero ao longo do tempo, o que compromete sua acurácia em medições prolongadas.

A escolha entre os métodos depende do contexto clínico. Em pacientes com necessidade de drenagem de LCR para controle da PIC, o CIV é preferível. Em pacientes com ventrículos colapsados ou com risco aumentado de sangramento, o CIP pode ser mais adequado. A banca explora exatamente essas diferenças, invertendo as características de cada método nas alternativas. É fundamental memorizar o quadro comparativo entre os dois métodos para responder corretamente a questões como esta.

A pegadinha central desta questão é a inversão das características: a banca atribui ao CIP a capacidade de drenagem de LCR (que é exclusiva do CIV) e afirma que o CIV tem menor risco de infecção (quando na verdade tem maior risco). Além disso, inverte o custo e a acurácia. O candidato que não domina o quadro comparativo acaba marcando uma alternativa incorreta. Guarde a fronteira entre os dois métodos: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Critério

Cateter Intraventricular (CIV)

Cateter Intraparenquimatoso (CIP)

Acurácia

Padrão-ouro, mais acurado

Menos acurado (pode ter drift)

Drenagem de LCR

Permite (DVE)

Não permite

Risco de infecção

Maior (ventriculite)

Menor

Custo

Menor

Maior

Recalibração

Possível (zeragem externa)

Não possível após inserção

Intraventricular (CIV)
Intraparenquimatoso (CIP)
Desvantagem
Padrão-ouro, mais acurado; permite drenagem de LCR
Menor custo; recalibrável externamente
Vantagem
Maior risco de infecção; difícil se ventrículos colapsados
Não drena LCR; não recalibrável; drift do zero
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que é possível recalibrar a monitorização intraparenquimatosa se necessário. Isso está errado: o cateter intraparenquimatoso não pode ser recalibrado após a inserção, pois o transdutor é fixo e não permite zeragem externa. Essa é uma das limitações do método, que pode levar a desvios na medida ao longo do tempo. O cateter intraventricular, por sua vez, pode ser recalibrado externamente, pois o transdutor fica no nível da orelha externa (referência anatômica).

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que os cateteres intraventriculares apresentam menor risco de infecção. Isso é o oposto da verdade: o cateter intraventricular tem maior risco de infecção (ventriculite) do que o intraparenquimatoso, pois fica em contato direto com o LCR e o sistema ventricular, e a manipulação para drenagem aumenta o risco de contaminação. O cateter intraparenquimatoso, por ser inserido no parênquima e não ser manipulado, tem menor risco de infecção.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a monitorização intraventricular é mais cara que a intraparenquimatosa. Na prática, ocorre o contrário: o cateter intraventricular é geralmente menos caro que o intraparenquimatoso, pois o sistema de drenagem ventricular externa é mais simples e de menor custo. O cateter intraparenquimatoso, por utilizar tecnologia de fibra óptica ou microtransdutor, tende a ser mais caro.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que é possível utilizar a monitorização intraparenquimatosa como drenagem de líquor e terapia de redução de PIC. Isso é incorreto: o cateter intraparenquimatoso não permite a drenagem de LCR, pois está inserido no parênquima cerebral e não no ventrículo. A drenagem de LCR é uma vantagem exclusiva do cateter intraventricular, que pode ser conectado a um sistema de drenagem ventricular externa (DVE) para reduzir a PIC.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que, comparativamente, a monitorização intraventricular é mais acurada que a intraparenquimatosa. Isso está correto: o cateter intraventricular é considerado o padrão-ouro para mensuração da PIC, pois mede a pressão diretamente no LCR ventricular, refletindo de forma mais fiel a pressão intracraniana global. O cateter intraparenquimatoso, embora também seja confiável, pode apresentar desvios (drift) ao longo do tempo e mede a pressão local do parênquima, que pode não refletir exatamente a pressão global. Além disso, o CIV permite a drenagem de LCR, o que o torna mais versátil e acurado em situações de HIC.

Gabarito: letra E

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