Questão de Medicina — Neurologia — IBFC 2023
- Código
- qq933234
- Banca
- IBFC
- Órgão
- EBSERH
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Neurocirurgia
- ATP53
- BIDH
- CTERT
- DKMT2D
- ERET
GabaritoD — KMT2D
Gabarito: letra D. A mutação no gene KMT2D está associada à recidiva de meningiomas e confere maior risco de mortalidade, conforme a classificação molecular mais recente desses tumores. As demais alternativas (TP53, IDH, TERT e RET) estão relacionadas a outros tumores do sistema nervoso central ou a outros contextos oncológicos, não sendo o marcador prognóstico específico de recidiva em meningiomas.
Os meningiomas são os tumores intracranianos primários mais comuns em adultos, originados das células aracnoides. Embora a maioria seja benigna (grau I da OMS), uma parcela significativa apresenta comportamento agressivo, com recidiva após ressecção cirúrgica e maior mortalidade. A classificação histológica tradicional (graus I, II e III) é insuficiente para prever com precisão o comportamento biológico desses tumores, o que levou à busca por marcadores moleculares prognósticos.
Estudos genômicos recentes identificaram mutações recorrentes em meningiomas, incluindo alterações em NF2, TRAF7, KLF4, AKT1, SMO, PIK3CA e, mais recentemente, em KMT2D. A mutação em KMT2D (também conhecido como MLL2) foi associada a um subgrupo de meningiomas com maior risco de recidiva e pior prognóstico, independentemente do grau histológico. Esse gene codifica uma histona metiltransferase envolvida na regulação da expressão gênica, e sua perda de função contribui para a agressividade tumoral.
A importância clínica dessa descoberta reside na possibilidade de estratificar pacientes com meningiomas de baixo grau que, apesar da histologia favorável, apresentam comportamento mais agressivo. A identificação da mutação KMT2D permite selecionar pacientes que podem se beneficiar de acompanhamento mais rigoroso e de terapias adjuvantes mais precoces, como a radioterapia pós-operatória, mesmo em tumores de grau I.
É fundamental distinguir os marcadores moleculares dos meningiomas daqueles de outros tumores do SNC. Enquanto a mutação IDH é característica de gliomas (astrocitomas e oligodendrogliomas), a mutação TERT está associada a glioblastomas e a outros tumores agressivos, e a mutação TP53 é comum em diversos cânceres, incluindo gliomas de alto grau. A mutação RET, por sua vez, está relacionada a carcinomas medulares de tireoide e a alguns tumores de pulmão, não tendo papel estabelecido na patogênese dos meningiomas.
A pegadinha desta questão está em associar marcadores moleculares de outros tumores do SNC (como IDH e TERT, que são bem conhecidos em gliomas) aos meningiomas. O candidato que memoriza os marcadores de gliomas pode ser induzido a escolher uma alternativa incorreta. A chave é lembrar que cada tipo de tumor do SNC tem seu próprio perfil molecular, e o KMT2D é um marcador específico de pior prognóstico em meningiomas.
Guarde a distinção entre os marcadores moleculares dos principais tumores do SNC: é exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
A mutação TP53 é uma das alterações genéticas mais comuns em cânceres humanos, incluindo gliomas de alto grau (glioblastoma), mas não é o marcador molecular associado à recidiva de meningiomas. Embora alterações em TP53 possam ocorrer em meningiomas anaplásicos (grau III), não é o gene cuja mutação confere maior risco de mortalidade por recidiva nesses tumores. A banca inclui TP53 como distrator por ser um gene supressor tumoral amplamente conhecido, mas o marcador prognóstico específico de meningiomas é outro.
A mutação IDH (isocitrato desidrogenase) é um marcador molecular fundamental em gliomas, especialmente em astrocitomas e oligodendrogliomas de graus 2 e 3, e está associada a melhor prognóstico nesses tumores. No entanto, não é um marcador relevante em meningiomas. A banca explora a confusão entre os perfis moleculares de gliomas e meningiomas, dois tumores intracranianos comuns, mas com biologia molecular distinta.
A mutação do promotor TERT é um marcador de agressividade em gliomas, especialmente no glioblastoma (grau IV), e também está associada a pior prognóstico em outros tumores. Embora a ativação da telomerase via mutação TERT possa ocorrer em alguns meningiomas, não é o gene cuja mutação é classicamente associada à recidiva e ao maior risco de mortalidade nesses tumores. O marcador molecular específico de pior prognóstico em meningiomas é o KMT2D.
A mutação no gene KMT2D (também conhecido como MLL2) é o marcador molecular associado à recidiva de meningiomas e confere maior risco de mortalidade. Estudos genômicos identificaram que meningiomas com mutação em KMT2D apresentam comportamento mais agressivo, com maior taxa de recidiva e pior sobrevida, independentemente do grau histológico. Esse gene codifica uma histona metiltransferase envolvida na regulação epigenética da expressão gênica, e sua perda de função contribui para a agressividade tumoral. A identificação dessa mutação tem implicações prognósticas e terapêuticas, permitindo estratificar pacientes que podem se beneficiar de acompanhamento mais rigoroso e de terapias adjuvantes mais precoces.
A mutação RET (rearranged during transfection) é um proto-oncogene associado a carcinomas medulares de tireoide, tumores de pulmão e outros cânceres, mas não tem papel estabelecido na patogênese dos meningiomas. A banca inclui RET como distrator por ser um gene oncogênico conhecido, mas não há evidência de sua associação com recidiva ou mortalidade em meningiomas.
A banca explora a confusão entre os marcadores moleculares de gliomas (IDH, TERT, TP53) e os de meningiomas. O candidato que memoriza os marcadores de gliomas pode ser induzido a escolher uma alternativa incorreta. Lembre-se: cada tumor do SNC tem seu próprio perfil molecular, e o KMT2D é o marcador específico de pior prognóstico em meningiomas.
Para fixar, monte uma tabela mental dos marcadores moleculares dos principais tumores do SNC: gliomas (IDH, TERT, TP53, MGMT), meningiomas (KMT2D, NF2, TRAF7, KLF4, AKT1, SMO), meduloblastomas (WNT, SHH) e linfomas do SNC (sem marcadores específicos). Essa distinção é recorrente em provas de neurologia e oncologia.
Gabarito: letra D
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