Questão de Biologia — Qualidade de vida das populações humanas — IBFC 2023
- Código
- qq934546
- Banca
- IBFC
- Órgão
- Prefeitura de Cuiabá - MT
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Biólogo
- AClasse de risco 1
- BClasse de risco 2
- CClasse de risco 3
- DClasse de risco 4
GabaritoB — Classe de risco 2
Gabarito: letra B. O Schistosoma mansoni, agente etiológico da esquistossomose, pertence à Classe de Risco 2, conforme a Classificação de Risco dos Agentes Biológicos aprovada pela Portaria nº 1.914/2011 do Ministério da Saúde. Essa classe abrange agentes que causam doença no homem ou nos animais, mas que não se propagam rotineiramente na comunidade, havendo medidas profiláticas e terapêuticas eficazes — exatamente o caso do helminto causador da esquistossomose.
A classificação de risco dos agentes biológicos é um instrumento essencial para a biossegurança em laboratórios e serviços de saúde. Ela organiza os agentes em quatro classes de risco, com base em critérios como patogenicidade, virulência, modo de transmissão, disponibilidade de medidas profiláticas e terapêuticas, e impacto para a saúde pública. O objetivo é orientar o nível de contenção necessário para manipular cada agente com segurança, protegendo o profissional, a comunidade e o meio ambiente.
O Schistosoma mansoni é um platelminto da classe Trematoda, causador da esquistossomose mansônica, doença endêmica em várias regiões do Brasil. Seu ciclo de vida envolve um hospedeiro intermediário (caramujos do gênero Biomphalaria) e o hospedeiro definitivo (o homem). A transmissão ocorre pela penetração de cercárias na pele, durante o contato com água contaminada. Embora a doença possa ser grave, existem medidas profiláticas (saneamento básico, controle do caramujo, educação em saúde) e terapêuticas (praziquantel) eficazes, e o agente não se propaga diretamente de pessoa para pessoa — o que o enquadra na Classe de Risco 2.
A banca explora a confusão entre a gravidade da doença e a classe de risco do agente. O candidato pode ser levado a pensar que, por causar uma doença parasitária importante, o Schistosoma mansoni pertenceria à Classe de Risco 3. No entanto, a classificação não se baseia apenas na gravidade, mas no conjunto de características do agente, especialmente a transmissibilidade e a existência de medidas de controle.
A Classe de Risco 1 compreende agentes biológicos de baixo risco individual e coletivo, que não causam doença ao homem ou aos animais sadios. São exemplos os microrganismos não patogênicos, como Lactobacillus e Saccharomyces cerevisiae. O Schistosoma mansoni é um patógeno humano, portanto não se enquadra nesta classe.
O Schistosoma mansoni pertence à Classe de Risco 2, que inclui agentes que causam doença no homem ou nos animais, mas não se propagam rotineiramente na comunidade, havendo medidas profiláticas e terapêuticas eficazes. A esquistossomose se encaixa perfeitamente nesse perfil: doença parasitária com tratamento eficaz (praziquantel) e medidas de prevenção conhecidas (saneamento, controle do vetor).
A Classe de Risco 3 compreende agentes que causam doenças graves no homem ou nos animais, com alta capacidade de propagação na comunidade, mas para os quais existem medidas profiláticas e terapêuticas. São exemplos o Mycobacterium tuberculosis e o vírus da febre amarela. O Schistosoma mansoni não se enquadra aqui, pois sua propagação depende de um hospedeiro intermediário e não ocorre de forma rotineira na comunidade, além de existir tratamento eficaz.
A Classe de Risco 4 compreende agentes que causam doenças graves e para os quais não existem medidas profiláticas ou terapêuticas eficazes, com alta capacidade de propagação. São os agentes de maior risco, como o vírus Ebola e o vírus da varíola. O Schistosoma mansoni está muito distante desse perfil, pois a esquistossomose tem tratamento e prevenção conhecidos.
A banca explora a confusão entre a gravidade da doença e a classe de risco do agente. O candidato pode achar que, por ser uma doença parasitária importante, o Schistosoma mansoni seria Classe 3. Mas a classificação considera o conjunto de características: transmissibilidade, existência de tratamento e profilaxia. Como a esquistossomose tem tratamento eficaz e não se propaga rotineiramente na comunidade, o agente é Classe 2. Fique atento: a classe de risco não é um ranking de gravidade, é uma avaliação do risco de manipulação laboratorial.
Para memorizar as classes de risco, pense em uma escala crescente de perigo: Classe 1 = não patogênico (risco mínimo); Classe 2 = patogênico, mas com tratamento e prevenção (risco moderado); Classe 3 = doença grave, mas com medidas de controle (risco alto); Classe 4 = doença grave sem tratamento/prevenção (risco máximo). Na dúvida, pergunte-se: "existe tratamento eficaz?" Se sim, dificilmente será Classe 4. E "propaga-se rotineiramente na comunidade?" Se não, dificilmente será Classe 3.
Gabarito: letra B
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