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Questão de Medicina — Oncologia — IBFC 2023

MedicinaOncologia
Código
qq935409
Banca
IBFC
Órgão
Prefeitura de Cuiabá - MT
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Oncologista Clinico
V.N.T, 58 anos, sexo feminino, diagnosticada com carcinoma seroso de ovário de alto grau. Em exames de estadiamento apresentava lesão em ovário esquerdo de aproximadamente 6.9 cm, com múltiplos implantes peritoneais e ascite de moderado volume. Foi submetida a histerectomia, salpingooforectomia bilateral, omentectomia parcial, linfadenectomia, ressecção de lesões peritoneais e análise de líquido ascítico, com descrição de citorredução subótima. Estadiamento cirúrgico pT3c N0 (0/6 linfonodos ressecados) M0 – EC IIIC. Paciente comparece a consulta para avaliação de adjuvância, 4 semanas após cirurgia, assintomática, com ECOG 0. Sem outras comorbidades. Sequenciamento amplo de DNA não revelou mutações patológicas de BRCA ou outras enzimas de reparo de DNA.Sobre o caso acima, assinale a alternativa correta.
  1. AA linfadenectomia é rotineiramente realizada em pacientes em que os exames de imagem sugiram comprometimento linfonodal ou em que há alto risco de comprometimento linfonodal (como estágios III e IV)
  2. BConsiderando que não foi possível obter uma ressecção ótima ou completa, está indicado terapia adjuvante com quimioterapia intraperitoneal (QIP), em centros com expertise para este tratamento. A exposição das lesões residuais à QIP promove maior eficácia em controle local
  3. CEstá indicado a tratamento adjuvante com Carboplatina e Paclitaxel por 6 ciclos. Caso se tenha acesso, Olaparibe pode ser associado à quimioterapia, iniciando-o concomitantemente
  4. DEstá indicado a tratamento adjuvante com Carboplatina e Paclitaxel por 6 ciclos. Caso se tenha acesso, Bevacizumabe pode ser associado à quimioterapia, iniciando-o concomitantemente
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GabaritoD — Está indicado a tratamento adjuvante com Carboplatina e Paclitaxel por 6 ciclos. Caso se tenha acesso, Bevacizumabe pode ser associado à quimioterapia, iniciando-o concomitantemente

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Câncer de Ovário Avançado: Tratamento Adjuvante e Terapia de Manutenção

Gabarito: letra D. Para o carcinoma seroso de ovário de alto grau em estágio avançado (EC IIIC) com citorredução subótima, o tratamento adjuvante padrão é a quimioterapia sistêmica com Carboplatina e Paclitaxel por 6 ciclos, e o Bevacizumabe pode ser associado à quimioterapia, iniciando-o concomitantemente. A alternativa C está incorreta porque o Olaparibe (inibidor de PARP) não é iniciado concomitantemente à quimioterapia, mas sim como terapia de manutenção após a conclusão da quimioterapia, especialmente em pacientes com mutação BRCA ou deficiência de recombinação homóloga — e a paciente do caso não apresenta essas mutações. O câncer de ovário epitelial é a neoplasia maligna ginecológica mais letal, e cerca de dois terços dos casos são diagnosticados em estágio avançado, como no caso da paciente V.N.T., que apresenta doença EC IIIC com implantes peritoneais e ascite. O tratamento padrão para doença avançada envolve cirurgia citorredutora seguida de quimioterapia adjuvante. A qualidade da citorredução é um dos fatores prognósticos mais importantes: a citorredução ótima (doença residual < 1 cm) ou completa (sem doença residual visível) está associada a melhores desfechos. No caso, a citorredução foi subótima, o que significa que restaram lesões residuais > 1 cm, um fator de pior prognóstico. A quimioterapia adjuvante de primeira linha para câncer de ovário avançado é baseada na combinação de Carboplatina (platina) e Paclitaxel (taxano), administrada por 6 ciclos. Essa combinação é o padrão-ouro, independentemente do status mutacional. O Bevacizumabe, um anticorpo monoclonal anti-VEGF (fator de crescimento do endotélio vascular), pode ser adicionado à quimioterapia, iniciando-se concomitantemente, e depois mantido como terapia de manutenção. Os dados do estudo GOG 218 mostraram que o bevacizumabe confere vantagem em sobrevida livre de progressão, embora não tenha demonstrado benefício em sobrevida global no ensaio norte-americano. Os inibidores de PARP (como Olaparibe, Niraparibe) são utilizados como terapia de manutenção após a resposta à quimioterapia de primeira linha, e não concomitantemente a ela. O benefício é mais pronunciado em pacientes com mutação BRCA (germinativa ou somática) ou com evidências de deficiência de recombinação homóloga (DRH). No caso apresentado, o sequenciamento amplo não revelou mutações patológicas de BRCA ou de outras enzimas de reparo de DNA, o que indica ausência de DRH. Portanto, a paciente não é candidata preferencial ao uso de Olaparibe, e mesmo que fosse, ele não seria iniciado concomitantemente à quimioterapia, mas sim após sua conclusão, como manutenção. A quimioterapia intraperitoneal (QIP) é uma opção para pacientes com citorredução ótima, e não subótima. A lógica da QIP é expor as lesões residuais de pequeno volume a altas concentrações de quimioterápicos diretamente na cavidade peritoneal. No caso de citorredução subótima, com doença residual > 1 cm, a QIP não é a conduta indicada, pois a penetração dos fármacos é limitada em lesões maiores. A linfadenectomia sistemática não é rotineiramente realizada em todos os casos de estágio avançado; ela é mais comumente realizada como parte do estadiamento cirúrgico, mas a linfadenectomia pélvica e para-aórtica sistemática em doença avançada é controversa, e a tendência é realizá-la apenas quando há linfonodos suspeitos ou aumentados. A distinção crucial entre as alternativas C e D está no momento de início e na indicação dos agentes biológicos: o Bevacizumabe é iniciado concomitantemente à quimioterapia, enquanto o Olaparibe é uma terapia de manutenção pós-quimioterapia. Além disso, a paciente do caso, sem mutação BRCA ou DRH, não teria indicação preferencial de Olaparibe, mas poderia se beneficiar do Bevacizumabe, que é uma opção independente do status mutacional. Essa é a fronteira que separa as alternativas: o momento de início (concomitante vs. manutenção) e a indicação baseada no perfil molecular.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A linfadenectomia não é rotineiramente realizada em todos os pacientes com estágios III e IV. Embora a linfadenectomia pélvica e para-aórtica seja parte do estadiamento cirúrgico do câncer de ovário, sua realização sistemática em doença avançada é controversa. Estudos como o LION (Lymphadenectomy in Ovarian Neoplasms) demonstraram que a linfadenectomia sistemática em pacientes com citorredução ótima e linfonodos clinicamente negativos não traz benefício em sobrevida, mas aumenta a morbidade. A linfadenectomia é indicada quando há linfonodos suspeitos ao exame de imagem ou ao achado intraoperatório, ou como parte do estadiamento em doença aparentemente inicial. A alternativa generaliza a indicação, o que a torna incorreta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A quimioterapia intraperitoneal (QIP) é indicada para pacientes com citorredução ótima (doença residual < 1 cm), e não subótima. A paciente do caso teve citorredução subótima, com doença residual > 1 cm, o que contraindica a QIP. A justificativa é que a QIP atua por difusão passiva, e a penetração do fármaco é limitada a poucos milímetros da superfície peritoneal; portanto, lesões residuais maiores não seriam adequadamente expostas ao quimioterápico. Além disso, a QIP é uma modalidade complexa, que requer centros com expertise, mas a indicação principal é a doença residual mínima. A alternativa erra ao indicar QIP para citorredução subótima.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O erro está em afirmar que o Olaparibe pode ser associado à quimioterapia, iniciando-o concomitantemente. O Olaparibe é um inibidor de PARP utilizado como terapia de manutenção após a conclusão da quimioterapia de primeira linha, e não de forma concomitante. Além disso, a paciente do caso não apresenta mutação BRCA nem evidências de deficiência de recombinação homóloga (DRH), o que reduz a indicação preferencial do Olaparibe. Embora o niraparibe tenha mostrado benefício em pacientes sem mBRCA ou DRH, o benefício é menor, e a recomendação forte é para pacientes com mBRCA ou DRH. A alternativa C mistura o momento de início (concomitante vs. manutenção) e a indicação molecular, tornando-a incorreta.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa D está correta ao indicar o tratamento adjuvante com Carboplatina e Paclitaxel por 6 ciclos, que é o esquema padrão para câncer de ovário avançado. Além disso, o Bevacizumabe pode ser associado à quimioterapia, iniciando-o concomitantemente. O Bevacizumabe é um anticorpo monoclonal anti-VEGF que, quando adicionado à quimioterapia de primeira linha e mantido como manutenção, confere vantagem em sobrevida livre de progressão, conforme demonstrado no estudo GOG 218. A indicação do Bevacizumabe não depende do status mutacional, sendo uma opção válida para a paciente do caso, que não apresenta mutação BRCA ou DRH. A alternativa D espelha corretamente a conduta recomendada pelas diretrizes.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o momento de início dos agentes biológicos: o Bevacizumabe é iniciado concomitantemente à quimioterapia, enquanto o Olaparibe (inibidor de PARP) é usado como manutenção após a quimioterapia. Além disso, a paciente sem mutação BRCA ou DRH não é candidata preferencial ao Olaparibe, mas pode receber Bevacizumabe. Fique atento a essa distinção: o momento de início e a indicação molecular são os pontos que separam as alternativas C e D. 💡 Dica: Para questões de câncer de ovário avançado, lembre-se do esquema: cirurgia citorredutora → quimioterapia adjuvante (Carboplatina + Paclitaxel por 6 ciclos) → manutenção. O Bevacizumabe entra durante a quimioterapia e continua na manutenção; os inibidores de PARP (Olaparibe, Niraparibe) entram após a quimioterapia, como manutenção, e são mais indicados para pacientes com mutação BRCA ou DRH. Essa sequência resolve a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra D

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