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Questão de Medicina — Oncologia — IBFC 2023

MedicinaOncologia
Código
qq935619
Banca
IBFC
Órgão
Prefeitura de Cuiabá - MT
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Urologia
Paciente de 57 anos, sexo masculino, assintomático, em avaliação de rotina, retorna com exame de imagem que demonstra massa parenquimatosa sólida, de aproximadamente 4 cm, em rim direito. É hígido e não apresenta comorbidades. Em relação ao tratamento do tumor renal deste paciente, assinale a alternativa correta.
  1. AA nefrectomia parcial videolaparoscópica é uma opção de tratamento desde que o pedículo renal não esteja difusamente circundado pelo tumor e esse esteja localizado em uma posição favorável para sua exérese
  2. BA nefrectomia parcial proporcionaria resultados oncológicos equivalentes à radical, porém não apresentaria benefícios na prevenção da doença renal crônica e na morbimortalidade cardiovascular a ela associada
  3. CA adrenalectomia ipsilateral deve ser realizada independentemente da presença de invasão direta pelo tumor renal
  4. DA nefrectomia radical aberta ou laparoscópica é a melhor opção de tratamento, pois proporcionaria melhores resultados oncológico e pós-operatório, à medida que o paciente não apresenta comorbidades
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GabaritoA — A nefrectomia parcial videolaparoscópica é uma opção de tratamento desde que o pedículo renal não esteja difusamente circundado pelo tumor e esse esteja localizado em uma posição favorável para sua exérese

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Carcinoma de células renais: nefrectomia parcial versus radical

Gabarito: letra A. A nefrectomia parcial videolaparoscópica é uma opção válida de tratamento para tumores renais localizados, desde que o pedículo renal não esteja difusamente circundado pelo tumor e a lesão esteja em posição favorável para exérese — exatamente o que a alternativa A afirma. O contexto clínico (paciente hígido, tumor de 4 cm) favorece a cirurgia poupadora de néfrons, que preserva a função renal e reduz a morbimortalidade cardiovascular, sem comprometer os resultados oncológicos.

O carcinoma de células renais (CCR) é o tumor maligno mais comum do rim, e sua apresentação clínica mudou drasticamente nas últimas décadas: hoje, mais de 60% dos casos são diagnosticados incidentalmente, como no paciente do enunciado, que é assintomático e teve a massa detectada em exame de rotina. O tratamento cirúrgico é o padrão-ouro para doença localizada, e a escolha entre nefrectomia parcial (preservação de néfrons) e nefrectomia radical (retirada total do rim) depende de fatores como tamanho e localização do tumor, função renal nativa e habilidade do cirurgião.

A nefrectomia parcial é preferida sempre que tecnicamente possível, especialmente para tumores menores que 7 cm e em posição periférica, pois oferece resultados oncológicos equivalentes à radical, mas com a grande vantagem de preservar a função renal. Essa preservação é crucial: a doença renal crônica pós-nefrectomia radical está associada a aumento da morbimortalidade cardiovascular, o que torna a cirurgia poupadora de néfrons a opção mais benéfica para o paciente hígido com tumor pequeno. A via laparoscópica, quando factível, adiciona os benefícios da cirurgia minimamente invasiva — menor dor, menor tempo de internação e recuperação mais rápida.

A alternativa A descreve com precisão as condições técnicas para a nefrectomia parcial laparoscópica: o tumor não deve circundar difusamente o pedículo renal (estruturas vasculares que entram e saem do rim) e deve estar em posição favorável para a ressecção. Esses critérios são essenciais para garantir margens cirúrgicas negativas e segurança vascular durante o procedimento. A banca explora exatamente a fronteira entre o que é tecnicamente viável e o que contraindica a cirurgia poupadora de néfrons — e é nesse critério que as alternativas se dividem.

Nefrectomia parcial vs radical
  • 1Nefrectomia parcial
    • Preserva função renal
    • Resultado oncológico equivalente
    • Menor morbimortalidade cardiovascular
    • Condições técnicas
      • Pedículo renal livre
      • Posição favorável
  • 2Nefrectomia radical
    • Retirada total do rim
    • Maior risco de doença renal crônica
    • Adrenalectomia só com invasão
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta porque descreve fielmente as indicações da nefrectomia parcial videolaparoscópica. O tumor de 4 cm em paciente hígido é candidato ideal à cirurgia poupadora de néfrons, desde que a anatomia permita: o pedículo renal livre e posição favorável para exérese são condições técnicas indispensáveis para a ressecção segura. A via laparoscópica é uma opção consagrada, com resultados oncológicos equivalentes à cirurgia aberta e benefícios de recuperação pós-operatória.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que a nefrectomia parcial "não apresentaria benefícios na prevenção da doença renal crônica e na morbimortalidade cardiovascular a ela associada". Na verdade, é exatamente o oposto: a preservação de néfrons é o principal benefício da nefrectomia parcial, reduzindo a incidência de doença renal crônica e, consequentemente, a morbimortalidade cardiovascular. O texto de apoio é claro: "a função renal seja mais bem preservada com a nefrectomia parcial". A banca inverte o benefício central da cirurgia poupadora de néfrons.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A adrenalectomia ipsilateral (retirada da glândula suprarrenal do mesmo lado) não deve ser realizada rotineiramente, mas apenas quando há invasão direta do tumor renal ou suspeita de metástase adrenal. A cirurgia radical moderna preserva a adrenal sempre que possível, pois a remoção desnecessária expõe o paciente ao risco de insuficiência adrenal sem benefício oncológico. A alternativa generaliza indevidamente uma conduta que é excepcional.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A nefrectomia radical não é a "melhor opção" para este paciente. Embora seja uma opção válida, a nefrectomia parcial oferece resultados oncológicos equivalentes com a vantagem de preservar a função renal — benefício particularmente importante em paciente hígido, sem comorbidades, com tumor pequeno e localizado. A alternativa também erra ao afirmar que a radical proporcionaria "melhores resultados oncológico e pós-operatório": os desfechos oncológicos são equivalentes entre as duas técnicas, e o pós-operatório da parcial laparoscópica tende a ser até melhor por ser menos invasivo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a inversão do benefício da nefrectomia parcial: na alternativa B, ela afirma que a cirurgia poupadora de néfrons não traz benefícios na prevenção da doença renal crônica — quando, na verdade, esse é exatamente o seu principal trunfo. Fique atento: sempre que uma alternativa negar um benefício amplamente reconhecido de uma técnica consagrada, desconfie.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de tratamento de tumores renais, memorize o algoritmo: tumor < 4 cm em paciente com boa função renal → nefrectomia parcial é a preferida; tumor > 7 cm ou central → nefrectomia radical; tumor < 4 cm em paciente com comorbidades graves → vigilância ativa ou ablação. A adrenalectomia só é indicada com invasão direta ou metástase.

Gabarito: letra A

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