Paciente de 57 anos, sexo masculino, assintomático, em avaliação de rotina, retorna com exame de imagem que demonstra massa parenquimatosa sólida, de aproximadamente 4 cm, em rim direito. É hígido e não apresenta comorbidades. Em relação ao tratamento do tumor renal deste paciente, assinale a alternativa correta.
AA nefrectomia parcial videolaparoscópica é uma opção de tratamento desde que o pedículo renal não esteja difusamente circundado pelo tumor e esse esteja localizado em uma posição favorável para sua exérese
BA nefrectomia parcial proporcionaria resultados oncológicos equivalentes à radical, porém não apresentaria benefícios na prevenção da doença renal crônica e na morbimortalidade cardiovascular a ela associada
CA adrenalectomia ipsilateral deve ser realizada independentemente da presença de invasão direta pelo tumor renal
DA nefrectomia radical aberta ou laparoscópica é a melhor opção de tratamento, pois proporcionaria melhores resultados oncológico e pós-operatório, à medida que o paciente não apresenta comorbidades
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GabaritoA — A nefrectomia parcial videolaparoscópica é uma opção de tratamento desde que o pedículo renal não esteja difusamente circundado pelo tumor e esse esteja localizado em uma posição favorável para sua exérese
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Carcinoma de células renais: nefrectomia parcial versus radical
Gabarito: letra A. A nefrectomia parcial videolaparoscópica é uma opção válida de tratamento para tumores renais localizados, desde que o pedículo renal não esteja difusamente circundado pelo tumor e a lesão esteja em posição favorável para exérese — exatamente o que a alternativa A afirma. O contexto clínico (paciente hígido, tumor de 4 cm) favorece a cirurgia poupadora de néfrons, que preserva a função renal e reduz a morbimortalidade cardiovascular, sem comprometer os resultados oncológicos.
O carcinoma de células renais (CCR) é o tumor maligno mais comum do rim, e sua apresentação clínica mudou drasticamente nas últimas décadas: hoje, mais de 60% dos casos são diagnosticados incidentalmente, como no paciente do enunciado, que é assintomático e teve a massa detectada em exame de rotina. O tratamento cirúrgico é o padrão-ouro para doença localizada, e a escolha entre nefrectomia parcial (preservação de néfrons) e nefrectomia radical (retirada total do rim) depende de fatores como tamanho e localização do tumor, função renal nativa e habilidade do cirurgião.
A nefrectomia parcial é preferida sempre que tecnicamente possível, especialmente para tumores menores que 7 cm e em posição periférica, pois oferece resultados oncológicos equivalentes à radical, mas com a grande vantagem de preservar a função renal. Essa preservação é crucial: a doença renal crônica pós-nefrectomia radical está associada a aumento da morbimortalidade cardiovascular, o que torna a cirurgia poupadora de néfrons a opção mais benéfica para o paciente hígido com tumor pequeno. A via laparoscópica, quando factível, adiciona os benefícios da cirurgia minimamente invasiva — menor dor, menor tempo de internação e recuperação mais rápida.
A alternativa A descreve com precisão as condições técnicas para a nefrectomia parcial laparoscópica: o tumor não deve circundar difusamente o pedículo renal (estruturas vasculares que entram e saem do rim) e deve estar em posição favorável para a ressecção. Esses critérios são essenciais para garantir margens cirúrgicas negativas e segurança vascular durante o procedimento. A banca explora exatamente a fronteira entre o que é tecnicamente viável e o que contraindica a cirurgia poupadora de néfrons — e é nesse critério que as alternativas se dividem.
Nefrectomia parcial vs radical
1Nefrectomia parcial
Preserva função renal
Resultado oncológico equivalente
Menor morbimortalidade cardiovascular
Condições técnicas
Pedículo renal livre
Posição favorável
2Nefrectomia radical
Retirada total do rim
Maior risco de doença renal crônica
Adrenalectomia só com invasão
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta porque descreve fielmente as indicações da nefrectomia parcial videolaparoscópica. O tumor de 4 cm em paciente hígido é candidato ideal à cirurgia poupadora de néfrons, desde que a anatomia permita: o pedículo renal livre e posição favorável para exérese são condições técnicas indispensáveis para a ressecção segura. A via laparoscópica é uma opção consagrada, com resultados oncológicos equivalentes à cirurgia aberta e benefícios de recuperação pós-operatória.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que a nefrectomia parcial "não apresentaria benefícios na prevenção da doença renal crônica e na morbimortalidade cardiovascular a ela associada". Na verdade, é exatamente o oposto: a preservação de néfrons é o principal benefício da nefrectomia parcial, reduzindo a incidência de doença renal crônica e, consequentemente, a morbimortalidade cardiovascular. O texto de apoio é claro: "a função renal seja mais bem preservada com a nefrectomia parcial". A banca inverte o benefício central da cirurgia poupadora de néfrons.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A adrenalectomia ipsilateral (retirada da glândula suprarrenal do mesmo lado) não deve ser realizada rotineiramente, mas apenas quando há invasão direta do tumor renal ou suspeita de metástase adrenal. A cirurgia radical moderna preserva a adrenal sempre que possível, pois a remoção desnecessária expõe o paciente ao risco de insuficiência adrenal sem benefício oncológico. A alternativa generaliza indevidamente uma conduta que é excepcional.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A nefrectomia radical não é a "melhor opção" para este paciente. Embora seja uma opção válida, a nefrectomia parcial oferece resultados oncológicos equivalentes com a vantagem de preservar a função renal — benefício particularmente importante em paciente hígido, sem comorbidades, com tumor pequeno e localizado. A alternativa também erra ao afirmar que a radical proporcionaria "melhores resultados oncológico e pós-operatório": os desfechos oncológicos são equivalentes entre as duas técnicas, e o pós-operatório da parcial laparoscópica tende a ser até melhor por ser menos invasivo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão do benefício da nefrectomia parcial: na alternativa B, ela afirma que a cirurgia poupadora de néfrons não traz benefícios na prevenção da doença renal crônica — quando, na verdade, esse é exatamente o seu principal trunfo. Fique atento: sempre que uma alternativa negar um benefício amplamente reconhecido de uma técnica consagrada, desconfie.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de tratamento de tumores renais, memorize o algoritmo: tumor < 4 cm em paciente com boa função renal → nefrectomia parcial é a preferida; tumor > 7 cm ou central → nefrectomia radical; tumor < 4 cm em paciente com comorbidades graves → vigilância ativa ou ablação. A adrenalectomia só é indicada com invasão direta ou metástase.