Questão de Veterinária — Doenças Infecciosas — IBFC 2023
- Código
- qq935707
- Banca
- IBFC
- Órgão
- Prefeitura de Cuiabá - MT
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Veterinário
- AV - F - V
- BF - F - V
- CF - V - F
- DV - F - F
GabaritoD — V - F - F
Gabarito: letra D (V – F – F). A primeira afirmativa está correta ao distinguir o ciclo urbano (Aedes aegypti) do silvestre (Haemagogus e Sabethes); a segunda erra ao afirmar que não há transmissão vertical no Aedes aegypti — ela existe, embora não seja o mecanismo principal de manutenção do ciclo; e a terceira inverte a realidade ao dizer que os fatores têm reduzido a sobreposição dos ecossistemas, quando na verdade o desmatamento e a urbanização a têm aumentado, aproximando o ciclo silvestre do ambiente antrópico.
A febre amarela é uma arbovirose causada por um vírus do gênero Flavivirus, transmitida pela picada de mosquitos hematófagos infectados. A doença apresenta dois ciclos epidemiológicos distintos, que se diferenciam principalmente pelo vetor envolvido e pelo ambiente em que ocorre a transmissão. No ciclo silvestre, os vetores são mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, que vivem em áreas de mata e transmitem o vírus entre primatas não humanos, sendo o homem um hospedeiro acidental quando adentra esses ambientes. No ciclo urbano, o vetor é o Aedes aegypti, mosquito altamente adaptado ao ambiente doméstico, que pode transmitir o vírus de pessoa para pessoa. O ciclo urbano foi eliminado do Brasil desde 1942, graças a medidas de controle vetorial, mas o risco de reurbanização permanece, pois o Aedes aegypti continua presente em grande parte do território nacional.
A transmissão vertical (transovariana) é um mecanismo importante na manutenção do vírus na natureza, especialmente no ciclo silvestre, pois permite que o vírus persista nos ovos dos mosquitos durante períodos desfavoráveis, como a estação seca. No Aedes aegypti, a transmissão vertical também pode ocorrer, embora seja considerada um mecanismo secundário na manutenção do ciclo urbano. A afirmativa II, portanto, está incorreta ao negar a existência desse mecanismo no Aedes aegypti. Além disso, a justificativa apresentada para a ausência do ciclo urbano no Brasil desde 1942 é equivocada: a eliminação do ciclo urbano se deveu a campanhas de erradicação do vetor, e não à inexistência de transmissão vertical.
A afirmativa III também está incorreta, pois inverte a lógica da dinâmica de transmissão. Nas últimas décadas, o desmatamento, a expansão urbana desordenada e as mudanças climáticas têm aumentado a sobreposição entre os ecossistemas silvestre e antrópico, aproximando os vetores silvestres das áreas urbanas e facilitando a ocorrência de casos humanos. Esse cenário, ao contrário do que afirma a questão, aumenta o risco de infecções humanas e a chance de ressurgimento da transmissão urbana por Aedes aegypti, caso o vírus seja introduzido em áreas urbanas com alta densidade vetorial e baixa cobertura vacinal.
A questão explora a compreensão dos ciclos de transmissão da febre amarela, um tema clássico em saúde pública e veterinária. A banca cobra o conhecimento dos vetores envolvidos em cada ciclo, dos mecanismos de transmissão e dos fatores que influenciam a dinâmica da doença. É fundamental dominar esses conceitos para responder corretamente, pois as afirmativas misturam informações corretas com erros sutis, exigindo atenção aos detalhes.
A afirmativa está correta. No ciclo urbano, o vetor é o Aedes aegypti, mosquito doméstico. No ciclo silvestre, os vetores são mosquitos de hábitos silvestres, sendo os gêneros Haemagogus e Sabethes os mais importantes na América Latina. Essa distinção é clássica e amplamente descrita na literatura de saúde pública.
A afirmativa está incorreta em dois pontos. Primeiro, a transmissão vertical (transovariana) do vírus da febre amarela PODE ocorrer no Aedes aegypti, embora seja um mecanismo secundário. Segundo, a ausência do ciclo urbano no Brasil desde 1942 não se deve à inexistência de transmissão vertical, mas sim às campanhas de erradicação do vetor. A justificativa apresentada é, portanto, equivocada.
A afirmativa está incorreta, pois inverte a realidade. O desmatamento, a urbanização e as mudanças climáticas têm AUMENTADO a sobreposição entre os ecossistemas silvestre e antrópico, aproximando os vetores silvestres das áreas urbanas. Isso facilita as infecções humanas e AUMENTA a chance de ressurgimento da transmissão urbana por Aedes aegypti, ao contrário do que afirma o texto.
A banca inverte o sentido da afirmativa III: em vez de "reduzir a sobreposição", o correto é "aumentar a sobreposição" dos ecossistemas. Fique atento a esse tipo de inversão, comum em questões sobre dinâmica de transmissão de arboviroses.
Gabarito: letra D (V – F – F).
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