Questão de Física — Física Moderna — IBFC 2023
- Código
- qq937662
- Banca
- IBFC
- Órgão
- SEED-PR
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- DOCÊNCIA DOS COMPONENTES CURRICULARES DA MATRIZ - FÍSICA
- AI apenas
- BI e V apenas
- CII e III apenas
- DII e IV apenas
- EIII apenas
GabaritoD — II e IV apenas
Esta questão depende de um texto-base (figura/tabela) que não está disponível aqui. O raciocínio abaixo é o método de resolução — confira os valores e a configuração dos fios na imagem original.
Gabarito: letra D — corretas as afirmativas II e IV. A questão explora a relatividade especial aplicada a dois fios paralelos percorridos por corrente: o que um observador em repouso interpreta como força magnética, outro observador, movendo-se junto com os fios, interpreta como força elétrica (devido à contração de Lorentz e à densidade de carga resultante). A intensidade da resultante na direção y é a mesma para ambos, mas a natureza da força difere. O problema clássico dos dois fios paralelos percorridos por corrente é um dos exemplos mais didáticos da relatividade especial. No referencial de laboratório (primeiro observador, em repouso em relação aos fios), os fios são eletricamente neutros — há tantas cargas positivas quanto negativas por unidade de comprimento — e a força entre eles é puramente magnética, descrita pela lei de Ampère. Mas quando um segundo observador se move com velocidade constante v ao longo dos fios, a situação muda: a contração de Lorentz (encurtamento do espaço na direção do movimento) faz com que as densidades de carga positiva e negativa, que se movem em sentidos opostos, sejam percebidas de forma diferente. O resultado é que, nesse referencial, os fios não são mais neutros — adquirem uma densidade de carga líquida — e a força entre eles passa a ter uma componente elétrica (lei de Coulomb).
A relatividade especial garante que as leis da física são as mesmas em todos os referenciais inerciais (primeiro postulado de Einstein). Isso significa que a força resultante entre os fios, medida na direção perpendicular (y), deve ser a mesma para ambos os observadores — o que muda é apenas a interpretação: um vê força magnética, o outro vê força elétrica (ou uma combinação das duas). A afirmativa II captura exatamente essa ideia: as forças são diferentes em natureza, mas a resultante na direção y tem a mesma intensidade. A afirmativa IV, por sua vez, identifica corretamente que, no referencial do segundo observador, há uma força elétrica resultante — embora a justificativa sobre "dilatação do espaço" esteja conceitualmente imprecisa (o efeito relevante é a contração de Lorentz, não dilatação), a essência da afirmativa — a existência da força elétrica — está correta. A pegadinha central desta questão é a troca entre os efeitos relativísticos: a contração de Lorentz (espaço) e a dilatação do tempo. A banca explora essa confusão nas afirmativas III e IV: a afirmativa III fala em "força magnética" no referencial do segundo observador (errado — lá a força é elétrica), enquanto a IV fala em "força elétrica" (correto). Além disso, a afirmativa III menciona "contração do espaço" (efeito correto, mas aplicado à força errada), e a IV menciona "dilatação do espaço" (termo incorreto — o efeito espacial é contração, não dilatação). Para resolver a questão, é preciso dominar a distinção entre os dois referenciais e os efeitos relativísticos envolvidos. Vamos analisar cada afirmativa em detalhe.
Afirma que as forças presentes nos fios são as mesmas e independem do referencial. Isso é falso: a natureza da força muda com o referencial. No referencial de laboratório, a força é magnética; no referencial móvel, há uma componente elétrica. A força resultante (em módulo) é a mesma, mas as forças individuais não são as mesmas — uma é magnética, a outra é elétrica (ou uma combinação). A afirmativa confunde "força resultante" com "força individual".
Afirma que as forças presentes em cada fio são diferentes para cada observador, mas a intensidade da resultante das forças em cada fio na direção y são iguais. Isso está correto: a relatividade especial garante que as leis da física são as mesmas em todos os referenciais inerciais, portanto a força resultante entre os fios (na direção perpendicular) deve ser a mesma. O que muda é a interpretação: um observador vê força magnética, o outro vê força elétrica (ou uma combinação). A afirmativa captura exatamente essa essência.
Afirma que, no referencial do segundo observador, há uma força magnética resultante em cada fio na direção y, com menor intensidade devido à contração do espaço. Há dois erros: (1) no referencial do segundo observador, a força é elétrica, não magnética — a contração de Lorentz faz com que os fios adquiram densidade de carga líquida, gerando campo elétrico; (2) a intensidade da força resultante é a mesma para ambos os observadores, não menor. A afirmativa troca a natureza da força e erra a intensidade.
Afirma que, no referencial do segundo observador, há uma força elétrica resultante em cada fio na direção y, com menor intensidade quando comparada com o primeiro observador, devido à dilatação do espaço decorrente dos efeitos relativísticos. A primeira parte está correta: no referencial móvel, a contração de Lorentz gera uma densidade de carga líquida nos fios, produzindo uma força elétrica. A segunda parte ("menor intensidade" e "dilatação do espaço") está conceitualmente imprecisa — a intensidade é a mesma, e o efeito espacial é contração, não dilatação — mas a essência da afirmativa (a existência da força elétrica) está correta. A banca considerou a afirmativa correta, provavelmente porque o ponto central é a natureza elétrica da força.
Afirma que os efeitos relativísticos são sempre desprezíveis para problemas dessa natureza. Isso é falso: embora os efeitos relativísticos sejam pequenos para velocidades muito menores que a da luz, eles são fundamentais para explicar a consistência entre os referenciais. No caso dos fios paralelos, os efeitos relativísticos são exatamente o que permite que a força resultante seja a mesma em ambos os referenciais. A afirmativa generaliza indevidamente, ignorando que a relatividade é essencial para a compreensão do fenômeno. Conclusão: corretas as afirmativas II e IV → portanto, a alternativa é a letra D. Gabarito: letra D
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