Questão de Medicina Legal — Traumatologia Forense — IDECAN 2023
Medicina Legal›Traumatologia Forense
Código
qq945689
Banca
IDECAN
Órgão
SSP-SE
Ano
2023
Nível
Superior
Em situação hipotética de morte por disparo de projétil de arma de fogo, pode-se afirmar que
Aos peritos criminais responsáveis pela busca de vestígios, em local de homicídio, não estão obrigados a recolher eventuais cartuchos ou estojos durante o levantamento, contanto que existam outros indícios capazes de identificar a arma utilizada na consumação do crime.
Bo recolhimento das vestes do cadáver não tem importância pericial, já que o exame necroscópico fornecerá elementos suficientes para a determinação da distância em que houve a efetuação do disparo.
Cao retirar a arma do local de crime, o perito deve atentar às regras de segurança: deverá acionar o gatilho e proceder o disparo contra um anteparo seguro, realizar seu descarregamento, proceder seu desmuniciamento, realizar a desmontagem, identificar a arma e só então encaminhá-la para a balística forense.
Datualmente, ainda não se tem tecnologia suficiente para executar pesquisa de microvestígios orgânicos em projéteis de arma de fogo.
Eas lesões produzidas por projéteis de alta energia apresentam maior destruição tecidual no alvo atingido, são mais profundas que as produzidas por projéteis de baixa energia e são capazes de explodir partes ósseas do corpo. Esse fenômeno se deve também à potencialização das ondas de choque e de pressão que se superpõem e ao efeito de cavitação temporária pulsante.
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GabaritoE — as lesões produzidas por projéteis de alta energia apresentam maior destruição tecidual no alvo atingido, são mais profundas que as produzidas por projéteis de baixa energia e são capazes de explodir partes ósseas do corpo. Esse fenômeno se deve também à potencialização das ondas de choque e de pressão que se superpõem e ao efeito de cavitação temporária pulsante.
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Traumatologia por Projéteis de Arma de Fogo
Gabarito: letra E. As lesões produzidas por projéteis de alta energia caracterizam-se por maior destruição tecidual, maior profundidade e capacidade de fragmentar ossos, devido ao efeito de cavitação temporária pulsante e superposição de ondas de choque e pressão. Esse fenômeno é bem descrito na balística de ferimentos.
A banca testa o conhecimento sobre os efeitos dos projéteis e os procedimentos periciais corretos. Vamos analisar cada alternativa.
Característica
Projéteis de Alta Energia
Projéteis de Baixa Energia
Destruição tecidual
Maior
Menor
Profundidade da lesão
Maior
Menor
Capacidade de fragmentar ossos
Sim (pode explodir partes ósseas)
Menor ou ausente
Fenômeno associado
Cavitação temporária pulsante e superposição de ondas de choque e pressão
Cavitação menos expressiva ou ausente
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que os peritos não estão obrigados a recolher cartuchos ou estojos se houver outros indícios. Isso é falso: a coleta de vestígios deve ser exaustiva, e cartuchos/estojos são fundamentais para a identificação da arma por meio de balística comparativa. Desprezá-los compromete a prova.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que o recolhimento das vestes do cadáver não tem importância, pois o exame necroscópico basta para determinar a distância do disparo. As vestes podem conter resíduos de tiro, padrões de queima e estrias que auxiliam na estimativa da distância, além de preservar vestígios que o corpo pode não apresentar. São peças periciais relevantes.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O procedimento descrito é perigoso e eliminaria vestígios. O perito jamais deve disparar a arma; o descarregamento deve ser feito manualmente sem acionar o gatilho, preservando a integridade do mecanismo e eventuais resíduos. A regra de segurança básica é manter a arma travada e não efetuar disparos.
NÃO CAIA NESSA!
O candidato pode achar que o descarregamento com disparo é seguro e necessário, mas na prática forense isso destrói vestígios e oferece risco. O correto é desmuniciar sem disparar.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Existe tecnologia para pesquisa de microvestígios orgânicos (DNA, células epiteliais) em projéteis, por meio de swabs e análise de PCR. Essa técnica é utilizada rotineiramente em laboratórios de genética forense.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Projéteis de alta energia transferem grande quantidade de energia cinética ao tecido, gerando ondas de choque que causam cavitação temporária (uma cavidade pulsante que se expande e colapsa, destruindo tecidos à distância do trajeto). Esse efeito aumenta a lesão, aprofunda o ferimento e pode explodir ossos. A descrição está perfeita.