Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
qq968923
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Multiprofisisonal e em Área Profissional da Saúde - Ciências Biológicas
A esquistossomose pode se manifestar sob a forma assintomática. No entanto, quando manifesta sintomas, pode se apresentar em duas fases: aguda e crônica. A fase aguda geralmente só é percebida em indivíduos de área não endêmica e depende do número de
Aovos viáveis.
Bcercárias infectantes.
Ccisticercos viáveis.
Dnematódeos infectantes.
Ecistos viáveis.
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GabaritoB — cercárias infectantes.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Esquistossomose: fase aguda e a carga de cercárias
Gabarito: letra B. A fase aguda da esquistossomose, quando sintomática, é percebida principalmente em indivíduos de áreas não endêmicas e sua intensidade depende do número de cercárias infectantes que penetram a pele — quanto maior a carga parasitária inicial, mais intensa a resposta imune e as manifestações clínicas, como a febre de Katayama. As demais alternativas citam formas evolutivas de outros parasitas ou estágios que não correspondem ao agente da esquistossomose.
A esquistossomose é uma helmintíase causada pelo trematódeo do gênero Schistosoma (no Brasil, principalmente o S. mansoni). O ciclo de vida é complexo e envolve dois hospedeiros: o homem (hospedeiro definitivo) e caramujos do gênero Biomphalaria (hospedeiros intermediários). A infecção humana ocorre quando as cercárias, formas larvais infectantes liberadas pelos caramujos na água doce, penetram ativamente na pele do indivíduo. Esse é o ponto-chave da questão: a porta de entrada da doença é a cercária, e não os ovos, cisticercos ou outras formas.
A doença apresenta um amplo espectro clínico. A fase aguda pode ser dividida em dois períodos: a fase pré-postural (antes da postura de ovos), geralmente assintomática ou com sintomas inespecíficos como mal-estar, febre e tosse; e a fase pós-postural, que coincide com a chegada dos vermes adultos à veia mesentérica e o início da postura de ovos. É nesse momento que pode ocorrer a forma aguda toxêmica ou febre de Katayama, caracterizada por febre, cefaleia, mialgia, adenopatias e eosinofilia. Essa forma sintomática é mais comum e mais intensa em indivíduos de áreas não endêmicas, que não possuem imunidade prévia, e sua gravidade está diretamente relacionada ao número de cercárias que penetraram a pele — ou seja, à carga parasitária inicial.
Em contraste, os indivíduos de áreas endêmicas, que têm contato frequente com águas contaminadas, geralmente desenvolvem a forma crônica da doença, muitas vezes assintomática ou oligossintomática. A cronicidade está associada à resposta granulomatosa aos ovos retidos nos tecidos, principalmente no fígado, levando à fibrose periportal (fibrose de Symmers), hipertensão portal, esplenomegalia e varizes de esôfago. Portanto, a distinção entre a fase aguda sintomática (relacionada à carga de cercárias) e a fase crônica (relacionada à carga de ovos e à resposta imune) é fundamental para entender a questão.
A pegadinha da banca está em confundir as formas evolutivas do parasita: a alternativa A (ovos viáveis) é um distrator forte, pois os ovos são os responsáveis pela patogenia da fase crônica, mas não são a forma infectante que determina a intensidade da fase aguda. As demais alternativas (cisticercos, nematódeos e cistos) são formas de outros parasitas, completamente alheias ao ciclo da esquistossomose. Guarde a fronteira: cercária = forma infectante (fase aguda); ovo = forma patogênica (fase crônica). É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
1Cercária (infectante)
2Penetra a pele
3Esquistossômulo (migração)
4Verme adulto (postura)
5Ovo (patogenia crônica)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Os ovos viáveis são a forma responsável pela patogenia da fase crônica da esquistossomose, induzindo a resposta granulomatosa que leva à fibrose hepática e à hipertensão portal. No entanto, a intensidade da fase aguda sintomática não depende do número de ovos, mas sim da carga de cercárias que penetraram a pele. A banca troca a forma infectante pela forma patogênica — uma armadilha clássica.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
As cercárias infectantes são a forma larval do Schistosoma que penetra ativamente na pele humana, iniciando a infecção. Em indivíduos de áreas não endêmicas, sem imunidade prévia, a intensidade da fase aguda (incluindo a febre de Katayama) é diretamente proporcional ao número de cercárias que conseguiram penetrar — quanto maior a carga parasitária inicial, mais intensa a resposta imune e os sintomas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Os cisticercos são a forma larval da Taenia solium (tênia do porco), responsável pela cisticercose humana, uma doença completamente diferente da esquistossomose. Não há qualquer relação com o ciclo do Schistosoma.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Os nematódeos infectantes são vermes cilíndricos (como Ascaris, Ancylostoma e Strongyloides), que pertencem a um filo diferente dos trematódeos (platelmintos), aos quais o Schistosoma pertence. Embora alguns nematódeos também penetrem pela pele (como as larvas de ancilostomídeos), eles não são o agente da esquistossomose.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Os cistos viáveis são formas de resistência de protozoários (como Entamoeba histolytica e Giardia lamblia) ou de outros parasitas, mas não fazem parte do ciclo de vida do Schistosoma. A esquistossomose não possui fase cística no homem.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as formas evolutivas do parasita. A alternativa A (ovos viáveis) é o distrator mais perigoso, pois os ovos são amplamente associados à patogenia da esquistossomose. No entanto, a questão pergunta especificamente sobre a fase aguda, que depende da carga de cercárias infectantes (forma que penetra a pele), e não dos ovos (forma que causa a doença crônica). Lembre-se: cercária = infecção; ovo = patologia crônica.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre ciclos de parasitas, monte uma tabela mental com as formas evolutivas e suas funções. No caso da esquistossomose: cercária (infectante, penetra a pele) → esquistossômulo (migração) → verme adulto (postura de ovos) → ovo (patogenia crônica). Identificar qual forma a questão está cobrando é o primeiro passo para acertar.