Questão de Medicina — Dermatologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Dermatologia
Código
qq969463
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Ano Adicional: Cirurgia Plástica - PRM Área de Atuação: Atendimento ao Queimado
Uma paciente de 60 anos apresenta uma lesão na pele de aspecto perolado, com pequenos vasos sanguíneos visíveis e bordas bem definidas em seu nariz. Ela relata que a lesão não cicatriza e ocasionalmente forma uma crosta. Qual é o provável diagnóstico e qual tratamento é mais apropriado para essa paciente?
AMelanoma / Cirurgia de excisão.
BCarcinoma basocelular / Terapia fotodinâmica.
CVerruga vulgar / Crioterapia.
DCarcinoma espinocelular / Radioterapia.
ECarcinoma basocelular / Cirurgia de Mohs.
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GabaritoE — Carcinoma basocelular / Cirurgia de Mohs.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Carcinoma basocelular: diagnóstico e tratamento
Gabarito: letra E. A lesão perolada, com telangiectasias, bordas bem definidas e que não cicatriza, localizada no nariz de paciente idosa, é a apresentação clássica do carcinoma basocelular (CBC) — a neoplasia maligna mais frequente da pele. Para lesões em zonas de alto risco como o nariz, a cirurgia micrográfica de Mohs é o tratamento de escolha por oferecer as maiores taxas de cura com preservação máxima do tecido sadio.
O carcinoma basocelular origina-se das células da camada basal da epiderme e dos folículos pilosos. É uma neoplasia de crescimento lento, localmente invasiva, mas que raramente metastatiza. Sua relação com a radiação ultravioleta (UVB) é bem estabelecida, especialmente em áreas cronicamente fotoexpostas como face e pescoço. A apresentação clássica é a do subtipo nodular: pápula ou nódulo translúcido, de aspecto céreo ou perolado, com telangiectasias e bordas arredondadas e roliças. Com o crescimento, a lesão pode ulcerar e formar crostas, sangrando facilmente — exatamente o quadro descrito no enunciado.
O diagnóstico é fundamentalmente clínico, podendo ser auxiliado pela dermatoscopia, mas o padrão-ouro é a biópsia com exame histopatológico. A conduta terapêutica, por sua vez, depende da localização, do subtipo histológico e do risco de recidiva. As opções incluem cirurgia convencional, curetagem com eletrocirurgia, criocirurgia, quimioterapia tópica, terapia fotodinâmica, imunoterapia, radioterapia e a cirurgia micrográfica de Mohs.
A cirurgia de Mohs é uma técnica que permite o exame histológico das margens cirúrgicas durante o próprio procedimento, garantindo a remoção completa do tumor com a menor perda possível de tecido sadio. Ela está indicada preferencialmente para lesões em áreas de alto risco — como o nariz, região periorbitária e perioral —, para subtipos agressivos (esclerodermiforme), lesões recidivadas e com margens mal definidas. No nariz, a preocupação estética e funcional é máxima, e a Mohs oferece as maiores taxas de cura, superiores à cirurgia convencional nesses casos.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que, embora a cirurgia convencional seja indicada para a maioria dos CBCs, a localização no nariz (zona de alto risco) torna a cirurgia de Mohs a opção mais apropriada. A alternativa B (terapia fotodinâmica) é um tratamento válido para CBCs superficiais, mas não é a primeira escolha para um nódulo no nariz. A alternativa D (carcinoma espinocelular) confunde o segundo tipo mais comum de câncer de pele com o primeiro, e a radioterapia não é o tratamento de primeira linha para lesões primárias ressecáveis.
Guarde a fronteira entre os tipos de câncer de pele e as indicações terapêuticas: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Câncer de pele
1CBC (perolado, telangiectasias)
Raramente metastatiza
Tratamento
Cirurgia convencional
Mohs (alto risco)
2CEC (verrucoso, ulcerado)
Metastatiza mais
Tratamento: cirurgia com margens
3Melanoma (ABCD, pigmentado)
Metastatiza
Tratamento: excisão ampla
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O melanoma é uma neoplasia melanocítica, geralmente pigmentada, com critérios ABCD (assimetria, bordas irregulares, cores variadas, diâmetro > 6 mm). A lesão descrita — perolada, com telangiectasias e bordas bem definidas — é típica do CBC, não do melanoma. Além disso, a cirurgia de excisão convencional, embora seja um tratamento para melanoma, não é a abordagem mais apropriada para um CBC em zona de alto risco como o nariz, onde a cirurgia de Mohs é preferível.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O diagnóstico está correto: trata-se de carcinoma basocelular. Porém, a terapia fotodinâmica é uma modalidade indicada principalmente para CBCs superficiais e para ceratoses actínicas, não para o subtipo nodular localizado no nariz. Para uma lesão nodular em zona de alto risco, a cirurgia de Mohs é o tratamento de escolha, pois oferece maior controle das margens e menores taxas de recidiva.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A verruga vulgar é uma lesão benigna causada pelo HPV, com superfície papilomatosa e hiperceratótica, sem o aspecto perolado nem as telangiectasias descritas. A crioterapia é o tratamento adequado para verrugas, mas não se aplica ao carcinoma basocelular, que exige abordagem cirúrgica ou outras modalidades específicas. A descrição clínica do enunciado é inequívoca para CBC.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O carcinoma espinocelular (CEC) é o segundo tipo mais comum de câncer de pele, mas sua apresentação típica é diferente: lesão verrucosa que se torna espessa, endurecida, com ulceração central, frequentemente sobre lesões pré-existentes (cicatrizes, queimaduras, leucoplasias). A lesão perolada com telangiectasias é característica do CBC. Além disso, a radioterapia não é o tratamento de primeira linha para um CEC primário ressecável; a cirurgia é a modalidade de escolha.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A lesão perolada, com telangiectasias, bordas bem definidas, que não cicatriza e forma crostas, no nariz de paciente idosa, é a apresentação clássica do carcinoma basocelular nodular. O nariz é uma zona de alto risco (área H da face), onde a cirurgia micrográfica de Mohs é o tratamento de escolha, pois permite a remoção completa do tumor com exame das margens durante o procedimento, preservando ao máximo o tecido sadio e oferecendo as maiores taxas de cura.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os tipos de câncer de pele e suas indicações terapêuticas. O candidato pode reconhecer o CBC, mas escolher a terapia fotodinâmica (alternativa B) por ser um tratamento "moderno", esquecendo que ela é indicada para CBCs superficiais, não para o nodular em zona de alto risco. A chave é lembrar que nariz = área de alto risco = cirurgia de Mohs.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de câncer de pele, monte um quadro mental: CBC (perolado, telangiectasias, bordas roliças, raramente metastatiza) → tratamento de escolha: cirurgia (Mohs se alto risco); CEC (verrucoso, ulcerado, sobre lesões prévias, metastatiza mais) → cirurgia com margens; Melanoma (pigmentado, ABCD, metastatiza) → excisão ampla. Essa tríade cai com frequência em provas de dermatologia.