Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qq969467
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Ano Adicional: Cirurgia Plástica - PRM Área de Atuação: Atendimento ao Queimado
Uma criança de 5 anos é encaminhada ao médico em razão de dificuldade para falar e comer. Ao exame físico, nota-se hipoplasia dos ossos faciais, principalmente dos zigomáticos, e a mandíbula é significativamente menor que o normal. Além disso, há anormalidades nas orelhas, com a posição baixa e deslocada para trás. Qual é a abordagem terapêutica mais indicada nesse caso?
ACirurgia reparadora para correção da mandíbula e orelhas.
BUso de órtese facial para melhorar a posição da mandíbula.
CUso de medicamentos para estimular o crescimento dos ossos faciais.
DTerapia ocupacional para melhorar a alimentação e a fala.
ECirurgia de enxerto de tecido para reconstruir a face.
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GabaritoA — Cirurgia reparadora para correção da mandíbula e orelhas.
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Síndrome de Treacher Collins: abordagem terapêutica
Gabarito: letra A. O quadro descrito — hipoplasia dos ossos zigomáticos, mandíbula significativamente menor (micrognatia) e orelhas displásicas, baixas e deslocadas para trás — é a apresentação clássica da síndrome de Treacher Collins (disostose mandibulofacial). A abordagem terapêutica mais indicada é a cirurgia reparadora para correção da mandíbula e das orelhas, pois se trata de uma síndrome genética com malformações estruturais fixas, que não respondem a órteses, medicamentos ou apenas terapia ocupacional.
A síndrome de Treacher Collins é uma condição genética (mutação no gene TCOF1, na maioria dos casos) que afeta o desenvolvimento dos primeiros arcos branquiais, resultando em hipoplasia facial bilateral. As principais características incluem:
Hipoplasia dos ossos zigomáticos (malares) e da mandíbula (micrognatia/retrognatia);
Anormalidades das orelhas (displasia, posição baixa e rotacionada posteriormente);
Fissuras palpebrais oblíquas, coloboma de pálpebra inferior;
Dificuldades respiratórias e alimentares decorrentes da obstrução de via aérea e da alteração anatômica.
O tratamento é multidisciplinar e eminentemente cirúrgico, planejado conforme a idade e a gravidade. A cirurgia reparadora visa corrigir as deformidades estruturais: reconstrução da mandíbula (distração osteogênica ou osteotomias), reconstrução orbitozigomática e otoplastia/reconstrução auricular. Essas intervenções melhoram a função (fala, mastigação, deglutição) e a estética facial.
As demais alternativas não são a abordagem mais indicada porque:
Órtese facial (B): não corrige deformidades ósseas congênitas; tem papel apenas coadjuvante em alguns casos, não sendo o tratamento principal.
Medicamentos (C): não existem fármacos que estimulem o crescimento ósseo facial de forma eficaz para corrigir a hipoplasia congênita.
Terapia ocupacional (D): é complementar, auxiliando na reabilitação da alimentação e fala, mas não trata a causa anatômica.
Enxerto de tecido (E): é uma técnica utilizada dentro da cirurgia reparadora, mas a alternativa é genérica e incompleta — a abordagem mais indicada é a cirurgia reparadora como um todo, não apenas o enxerto.
A pegadinha desta questão está em confundir o tratamento sintomático/complementar (terapia ocupacional, órtese) com o tratamento definitivo da malformação congênita, que é cirúrgico. O aluno deve reconhecer a síndrome e saber que a correção estrutural é a base do manejo.
A cirurgia reparadora é a abordagem terapêutica mais indicada para a síndrome de Treacher Collins. As malformações ósseas (hipoplasia zigomática, micrognatia) e auriculares são estruturais e permanentes, exigindo correção cirúrgica para restaurar a função (fala, alimentação, via aérea) e a estética. O tratamento é planejado em etapas, conforme o crescimento facial, incluindo distração osteogênica da mandíbula, reconstrução orbitozigomática e otoplastia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A órtese facial não corrige deformidades ósseas congênitas. Ela pode ter papel coadjuvante em alguns casos (ex.: órtese nasal pré-operatória em fissuras labiopalatinas), mas não é a abordagem principal para a hipoplasia mandibular e auricular da síndrome de Treacher Collins. A correção exige cirurgia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Não existem medicamentos capazes de estimular o crescimento dos ossos faciais para corrigir a hipoplasia congênita. O tratamento medicamentoso não tem papel na correção estrutural da síndrome de Treacher Collins. A abordagem é cirúrgica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A terapia ocupacional é complementar e auxilia na reabilitação da alimentação e da fala, mas não trata a causa anatômica da dificuldade. A criança com micrognatia e alterações auriculares precisa de correção cirúrgica para melhorar a função de forma definitiva. A terapia ocupacional isolada não é a abordagem mais indicada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O enxerto de tecido é uma técnica utilizada dentro da cirurgia reparadora, mas a alternativa é genérica e incompleta. A abordagem mais indicada é a cirurgia reparadora como um todo, que inclui osteotomias, distração óssea e reconstrução auricular — não apenas o enxerto. Além disso, a reconstrução óssea da mandíbula geralmente utiliza enxerto ósseo ou distração, mas a alternativa não especifica o tratamento completo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o tratamento sintomático/complementar (terapia ocupacional, órtese) e o tratamento definitivo/cirúrgico da malformação congênita. O aluno que não reconhece a síndrome de Treacher Collins pode optar pela terapia ocupacional (D), que parece razoável para a dificuldade de falar e comer, mas não corrige a causa anatômica. Lembre-se: malformações ósseas congênitas exigem correção cirúrgica.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de síndromes genéticas com malformações craniofaciais, identifique o padrão: hipoplasia zigomática + micrognatia + orelhas displásicas = Treacher Collins. O tratamento é cirúrgico e multidisciplinar. Compare com outras síndromes: