Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Neurologia
Código
qq969468
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Ano Adicional: Cirurgia Plástica - PRM Área de Atuação: Atendimento ao Queimado
Um adolescente de 14 anos é levado ao médico em razão de deformidade facial do lado direito. Ele relata que a assimetria se tornou mais evidente nos últimos anos, e agora ele tem dificuldade em sorrir e fechar completamente o olho direito. Ao exame físico, observa-se atrofia dos músculos faciais no lado direito e fraqueza dos movimentos da face. Qual é a abordagem terapêutica mais indicada nesse caso?
ATerapia cognitivo-comportamental para melhorar a autoestima do paciente.
BUso de medicamentos anti-inflamatórios para reduzir a inflamação facial.
CUso de órtese facial para reverter a assimetria.
DCirurgia de enxerto de tecido para corrigir a atrofia muscular.
EFisioterapia facial para fortalecer os músculos afetados.
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GabaritoE — Fisioterapia facial para fortalecer os músculos afetados.
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Gabarito: letra E. O quadro descrito — adolescente com assimetria facial progressiva, atrofia e fraqueza dos músculos da face, dificuldade de sorrir e de fechar o olho — é compatível com distrofia facioescapuloumeral (FSHD), uma miopatia hereditária de padrão escapuloperoneal com comprometimento facial. A abordagem terapêutica mais indicada é a fisioterapia facial para fortalecer os músculos afetados, pois não há tratamento curativo; o manejo é sintomático e de reabilitação, visando manter função e qualidade de vida.
A distrofia facioescapuloumeral é uma doença muscular genética, de herança autossômica dominante, que se manifesta tipicamente com fraqueza e atrofia dos músculos da face, da cintura escapular e, posteriormente, dos membros. O nome da doença descreve exatamente os grupos musculares mais atingidos: fácio (face), escapulo (escápula) e umeral (úmero). No caso apresentado, o adolescente tem deformidade facial à direita, atrofia dos músculos faciais e dificuldade de sorrir e fechar o olho — achados clássicos de comprometimento do músculo orbicular dos olhos e da boca, que são inervados pelo nervo facial (VII par craniano).
A progressão é lenta e variável, e a assimetria é uma característica marcante da FSHD, o que ajuda a diferenciá-la de outras distrofias. O diagnóstico é clínico, confirmado por eletroneuromiografia, dosagem de creatinoquinase (CK) e teste genético. Não existe tratamento que reverta a atrofia muscular ou cure a doença. A conduta se baseia em medidas de suporte e reabilitação: fisioterapia para fortalecimento muscular, alongamentos para prevenir contraturas, órteses quando há déficits funcionais e vigilância de complicações respiratórias, cardíacas e ortopédicas.
A fisioterapia facial, nesse contexto, tem papel central: exercícios ativos e resistidos para os músculos da face podem retardar a progressão da fraqueza, melhorar a simetria e a função de sorrir e fechar os olhos, além de prevenir complicações como exposição corneana por lagoftalmo (dificuldade de fechar o olho). É uma abordagem conservadora, não invasiva e amplamente recomendada para miopatias.
A banca explora a confusão entre tratamento curativo (que não existe) e tratamento de suporte/reabilitação (que é o padrão). Alternativas como cirurgia de enxerto ou órtese facial podem parecer atraentes para "corrigir" a deformidade, mas não são a primeira linha e não tratam a causa muscular. A fisioterapia é a resposta correta porque atua diretamente no músculo afetado, com objetivo funcional.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta induzir o candidato a escolher uma opção "cirúrgica" ou "estética" (enxerto, órtese) para corrigir a assimetria, quando o correto é a reabilitação funcional. Em miopatias, o tratamento é sempre de suporte — fisioterapia, prevenção de complicações e vigilância — nunca cirúrgico de primeira linha.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Terapia cognitivo-comportamental (TCC) é indicada para transtornos psicológicos, como ansiedade e depressão, e não trata a atrofia muscular. Embora o adolescente possa ter baixa autoestima pela deformidade, a TCC não é a abordagem terapêutica para a doença muscular em si — é um adjuvante, nunca o tratamento principal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Anti-inflamatórios não têm papel no tratamento da distrofia facioescapuloumeral, pois não há processo inflamatório agudo que justifique seu uso. A doença é degenerativa e genética; a inflamação não é o mecanismo primário. O uso de corticoide é reservado para outras distrofias, como a de Duchenne, e não para a FSHD.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Órtese facial não é um tratamento estabelecido para a atrofia muscular facial. Órteses são usadas para prevenir deformidades ou auxiliar função em membros, mas não há evidência de que revertam a assimetria facial em distrofias. A abordagem é funcional, não mecânica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Cirurgia de enxerto de tecido não é indicada para atrofia muscular em distrofia facioescapuloumeral. O enxerto poderia ser considerado em casos de perda de tecido por trauma ou ressecção tumoral, mas não em doença muscular degenerativa, onde o músculo está doente e o enxerto não teria função. Além disso, é um procedimento invasivo sem benefício comprovado nesse cenário.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A fisioterapia facial é a abordagem terapêutica mais indicada. Ela visa fortalecer os músculos faciais afetados, melhorar a simetria e a função de sorrir e fechar os olhos, além de prevenir complicações como lagoftalmo e exposição corneana. É o tratamento de suporte padrão para miopatias, incluindo a FSHD, e não há alternativa curativa.