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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qq969470
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Ano Adicional: Cirurgia Plástica - PRM Área de Atuação: Atendimento ao Queimado
Um bebê é levado ao pediatra devido à suspeita de uma craniossinostose sindrômica. Ao exame físico, o médico observa que a cabeça da criança possui uma forma anormal, com uma saliência frontal proeminente e um sulco craniano longitudinal. Além disso, há evidências de baixa estatura e deformidades das mãos e dos pés. Qual é a síndrome craniossinostótica sindrômica mais provável nesse caso?
  1. ASíndrome de Crouzon.
  2. BSíndrome de Apert.
  3. CSíndrome de Pfeiffer.
  4. DSíndrome de Saethre-Chotzen.
  5. ESíndrome de Muenke.
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GabaritoD — Síndrome de Saethre-Chotzen.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Craniossinostoses sindrômicas: reconhecimento clínico

Gabarito: letra D. O quadro descrito — saliência frontal proeminente, sulco craniano longitudinal, baixa estatura e deformidades de mãos e pés — é a apresentação clássica da Síndrome de Saethre-Chotzen, uma craniossinostose sindrômica com fusão precoce das suturas cranianas, frequentemente associada a braquidactilia e sindactilia cutânea. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na tríade craniofacial + extremidades, e a distinção entre as síndromes listadas depende de detalhes fenotípicos específicos.

As craniossinostoses sindrômicas são um grupo de doenças genéticas caracterizadas pela fusão prematura de uma ou mais suturas cranianas, resultando em deformidade craniana e, frequentemente, em anomalias faciais e de extremidades. O reconhecimento clínico é fundamental para o diagnóstico e manejo, pois cada síndrome tem um padrão fenotípico distinto, implicações prognósticas e riscos de complicações (como hipertensão intracraniana, hidrocefalia e problemas respiratórios). A base genética envolve, na maioria dos casos, mutações nos genes FGFR1, FGFR2, FGFR3, TWIST1 e MSX2, que afetam o desenvolvimento ósseo.

A Síndrome de Saethre-Chotzen (OMIM 101400) é causada por mutações no gene TWIST1 (cromossomo 7p21) e, menos comumente, no FGFR3. Suas características principais incluem: craniossinostose (frequentemente coronal, uni ou bilateral), assimetria facial, ptose palpebral, orelhas pequenas com hélice proeminente, baixa estatura, braquidactilia (dedos curtos), sindactilia cutânea (fusão parcial da pele entre os dedos, especialmente 2º e 3º), e, em alguns casos, estrabismo. A saliência frontal e o sulco craniano longitudinal descritos no enunciado são achados típicos da fusão da sutura metópica ou coronal, que altera o crescimento do crânio.

Para diferenciar as síndromes, é essencial conhecer as características distintivas de cada uma:

Característica

Crouzon

Apert

Pfeiffer

Saethre-Chotzen

Muenke

Gene

FGFR2

FGFR2

FGFR1/FGFR2

TWIST1

FGFR3

Craniossinostose

Coronal/sagital

Coronal (turricefalia)

Coronal (turricefalia)

Coronal (frequente)

Coronal (variável)

Face

Proptose, hipoplasia midface

Hipoplasia midface, hipertelorismo

Proptose, hipertelorismo

Ptose, assimetria facial

Discreta, hipertelorismo

Mãos/pés

Geralmente normais

Sindactilia óssea (luva)

Polegares e hálux largos

Braquidactilia, sindactilia cutânea

Variável, sindactilia

Baixa estatura

Raro

Frequente

Frequente

Frequente

Variável

A pegadinha central desta questão é a semelhança entre as síndromes de Apert e Saethre-Chotzen, ambas com envolvimento de mãos e pés. No entanto, a sindactilia óssea completa (dedos fundidos como uma luva) é patognomônica de Apert, enquanto a sindactilia cutânea parcial e a braquidactilia são mais características de Saethre-Chotzen. Além disso, a saliência frontal e o sulco longitudinal são descrições mais específicas do fenótipo de Saethre-Chotzen. A Síndrome de Crouzon, por sua vez, raramente apresenta deformidades de extremidades, e a de Pfeiffer se destaca pelos polegares e hálux largos. A Síndrome de Muenke tem fenótipo altamente variável, mas a baixa estatura e as deformidades de mãos/pés são menos proeminentes.

Guarde a fronteira entre sindactilia óssea (Apert) e sindactilia cutânea + braquidactilia (Saethre-Chotzen): é exatamente nela que as alternativas se dividem.

1Mãos/pés normais
Crouzon (FGFR2)
2Sindactilia óssea em luva
Apert (FGFR2)
3Polegares/hálux largos
Pfeiffer (FGFR1/FGFR2)
4Sindactilia cutânea + braquidactilia
Saethre-Chotzen (TWIST1)
5Fenótipo variável
Muenke (FGFR3)
Craniossinostoses sindrômicas
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Craniossinostoses sindrômicas: Mãos/pés normais (Crouzon (FGFR2)); Sindactilia óssea em luva (Apert (FGFR2)); Polegares/hálux largos (Pfeiffer (FGFR1/FGFR2)); Sindactilia cutânea + braquidactilia (Saethre-Chotzen (TWIST1)); Fenótipo variável (Muenke (FGFR3))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A Síndrome de Crouzon é caracterizada por craniossinostose com proptose ocular, hipoplasia de terço médio da face e hipertelorismo, mas as mãos e os pés são tipicamente normais. A presença de deformidades de extremidades no enunciado exclui essa síndrome. A banca explora a confusão entre as síndromes que cursam com craniossinostose, mas Crouzon não se acompanha de baixa estatura nem de alterações de mãos/pés.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A Síndrome de Apert apresenta craniossinostose (turricefalia) e sindactilia óssea simétrica das mãos e pés (aspecto de luva), além de baixa estatura. No entanto, a descrição de "saliência frontal proeminente e sulco craniano longitudinal" não é o padrão típico de Apert, que cursa com crânio em torre (turricefalia). A sindactilia óssea completa é o diferencial de Apert, mas o enunciado não descreve essa fusão óssea, apenas "deformidades" — o que aponta para a forma mais branda de Saethre-Chotzen.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A Síndrome de Pfeiffer é marcada por craniossinostose, proptose, hipertelorismo e polegares e hálux largos e desviados (polegar em "trompete"). Embora haja baixa estatura, a descrição de "saliência frontal e sulco craniano longitudinal" não é típica, e as deformidades de mãos/pés em Pfeiffer são mais específicas (alargamento) do que a "deformidade" genérica do enunciado. A ausência de descrição de polegares largos afasta essa hipótese.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A Síndrome de Saethre-Chotzen é a que melhor se encaixa no quadro: craniossinostose (frequentemente coronal, causando a saliência frontal e o sulco longitudinal), baixa estatura, braquidactilia e sindactilia cutânea (deformidades de mãos e pés). A ptose palpebral e a assimetria facial também são comuns, mas não foram citadas. O conjunto de achados — crânio + baixa estatura + extremidades — é a assinatura clínica dessa síndrome, causada por mutação no gene TWIST1.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A Síndrome de Muenke é causada por mutação no gene FGFR3 e tem fenótipo altamente variável, podendo até mesmo ser assintomática. A craniossinostose coronal é comum, mas a baixa estatura e as deformidades de mãos/pés são menos consistentes e menos graves do que na Saethre-Chotzen. A descrição do enunciado é muito específica e típica de Saethre-Chotzen, não de Muenke.

A regra de ouro para a prova: diante de craniossinostose sindrômica, olhe primeiro para as mãos e pés — sindactilia óssea em luva = Apert; polegares/hálux largos = Pfeiffer; sindactilia cutânea + braquidactilia = Saethre-Chotzen; extremidades normais = Crouzon. Essa tríade resolve a maioria das questões.

Gabarito: letra D

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