Questão de Medicina — Queimaduras — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Queimaduras
Código
qq969484
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Ano Adicional: Cirurgia Plástica - PRM Área de Atuação: Atendimento ao Queimado
Uma criança de 5 anos sofreu queimaduras elétricas após entrar em contato com um fio elétrico exposto. O médico está preocupado com possíveis complicações devido à corrente elétrica. Qual é a principal complicação associada a queimaduras elétricas profundas?
AInfecção.
BHipovolemia.
CRabdomiólise.
DHipotermia.
ETrombose venosa profunda.
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GabaritoC — Rabdomiólise.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Queimaduras elétricas: complicações sistêmicas
Gabarito: letra C. A principal complicação associada a queimaduras elétricas profundas é a rabdomiólise, pois a passagem da corrente elétrica destrói diretamente o tecido muscular esquelético, liberando mioglobina na corrente sanguínea, que pode causar necrose tubular aguda e insuficiência renal aguda. Essa relação é explicitamente descrita na literatura médica sobre trauma elétrico.
A queimadura elétrica difere da queimadura térmica clássica: enquanto a térmica lesa a pele de fora para dentro, a elétrica percorre o corpo pelo trajeto de menor resistência — nervos, vasos e músculos —, causando dano profundo e muitas vezes desproporcional à lesão cutânea visível. A corrente elétrica, ao atravessar o tecido muscular, provoca destruição celular direta por dois mecanismos: a conversão de energia elétrica em calor (efeito Joule) e a eletroporação, que rompe as membranas celulares. Esse processo leva à rabdomiólise, definida como a destruição de músculo esquelético com liberação do conteúdo intracelular — incluindo mioglobina, CPK e potássio — na circulação.
A mioglobina, por ter baixo peso molecular, é filtrada livremente nos glomérulos e, ao chegar aos túbulos contornados proximais, exerce toxicidade direta sobre as células renais, desencadeando necrose tubular aguda e, consequentemente, insuficiência renal aguda (IRA). Por isso, recomenda-se que todo paciente com trauma elétrico tenha o nível sérico de creatina-fosfoquinase (CPK) dosado: valores maiores que 1.000 U/mL sugerem o diagnóstico de rabdomiólise. O tratamento visa manter diurese acima de 100 mL/h, com hidratação vigorosa e, em alguns casos, alcalinização da urina para aumentar a solubilidade da mioglobina e evitar a nefrotoxicidade.
Outras complicações importantes do trauma elétrico incluem a síndrome compartimental, que pode ocorrer nas primeiras 48 horas, caracterizada por edema muscular e queimadura circunferencial que comprime o compartimento, levando à isquemia; arritmias cardíacas (fibrilação ventricular na corrente alternada, assistolia na contínua); e trombose arterial tardia. No entanto, a rabdomiólise é a complicação mais característica e temida das queimaduras elétricas profundas, pois está diretamente ligada à destruição muscular maciça e ao risco de falência renal.
A banca explora a confusão entre as complicações gerais das queimaduras térmicas (infecção, hipovolemia, hipotermia) e as específicas das elétricas. Enquanto a infecção e a hipovolemia são complicações comuns a qualquer queimadura extensa, a rabdomiólise é a marca registrada do dano elétrico profundo. Guarde essa distinção: queimadura elétrica profunda → rabdomiólise → IRA; queimadura térmica extensa → hipovolemia e infecção.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A infecção é uma complicação frequente e grave de qualquer queimadura, especialmente após 48-72 horas, quando a barreira cutânea é rompida e há imunossupressão. Porém, não é a principal complicação específica das queimaduras elétricas profundas — ela é uma complicação comum a todas as queimaduras extensas, independentemente do agente causal. A banca a coloca como distrator porque é uma complicação real, mas não a mais característica do trauma elétrico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A hipovolemia é uma complicação precoce e importante das queimaduras extensas, decorrente da perda de líquidos pela superfície lesada e do edema. No entanto, nas queimaduras elétricas, a perda volêmica pode ser menor do que o esperado pela área cutânea, pois o dano é predominantemente profundo (muscular), e a reposição volêmica agressiva é justamente parte do tratamento da rabdomiólise. Não é a principal complicação associada especificamente a queimaduras elétricas profundas.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A rabdomiólise é a complicação mais característica e temida das queimaduras elétricas profundas. A corrente elétrica destrói diretamente o músculo esquelético, liberando mioglobina, CPK e potássio na circulação. A mioglobina, filtrada nos glomérulos, causa necrose tubular aguda e insuficiência renal aguda. O diagnóstico é sugerido por CPK > 1.000 U/mL, e o tratamento inclui hidratação vigorosa para manter diurese > 100 mL/h e, se necessário, alcalinização urinária.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hipotermia é uma complicação possível em queimaduras extensas, pela perda da barreira térmica da pele, mas não é específica de queimaduras elétricas profundas. Além disso, não é a principal complicação associada a esse tipo de lesão — a rabdomiólise e suas consequências renais são muito mais relevantes e características.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A trombose venosa profunda (TVP) pode ocorrer em pacientes queimados, especialmente os imobilizados, mas não é a principal complicação das queimaduras elétricas profundas. A eletricidade pode induzir necrose de coagulação e trombose arterial tardia, mas a TVP é uma complicação inespecífica, comum a qualquer paciente crítico imobilizado, e não a mais temida no trauma elétrico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura complicações gerais de queimaduras (infecção, hipovolemia, hipotermia) com a complicação específica do trauma elétrico. O candidato que pensa em "queimadura" de forma genérica tende a marcar infecção ou hipovolemia, mas a questão fala de queimadura elétrica profunda — e aí o diferencial é a rabdomiólise. Lembre-se: corrente elétrica destrói músculo → mioglobina → IRA.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de trauma elétrico, decore a tríade: rabdomiólise → IRA, síndrome compartimental (primeiras 48h) e arritmias (FA na corrente alternada, assistolia na contínua). Se a alternativa trouxer "infecção" ou "hipovolemia", desconfie: são complicações de qualquer queimadura, não a marca do choque elétrico.