Questão de Medicina — Queimaduras — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Queimaduras
Código
qq969486
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Ano Adicional: Cirurgia Plástica - PRM Área de Atuação: Atendimento ao Queimado
Um paciente de 40 anos sofreu queimaduras químicas em seu rosto, pescoço e parte superior do tórax. O médico está preocupado com a possibilidade de obstrução das vias aéreas devido ao edema das vias respiratórias. Qual é a abordagem inicial mais apropriada para avaliar e gerenciar essa complicação potencial?
AIntubação traqueal imediata.
BAdministração de broncodilatadores.
CMonitoramento frequente da saturação de oxigênio.
DRealização de gasometria arterial.
EUso de corticosteroides intravenosos.
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GabaritoA — Intubação traqueal imediata.
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Queimaduras químicas e risco de obstrução de vias aéreas
Gabarito: letra A. Em queimaduras de face, pescoço e tórax, o edema progressivo das vias aéreas superiores pode levar à obstrução glótica iminente; a conduta inicial mais apropriada é a intubação traqueal imediata (profilática), antes que o edema torne a laringoscopia impossível. Essa recomendação decorre do risco de obstrução das vias aéreas por edema de mucosa, conforme o manejo inicial do paciente queimado descrito na literatura de emergência (ATLS e diretrizes de queimados).
A queimadura química, assim como a térmica, pode causar lesão direta das vias aéreas superiores. O edema de mucosa resultante é progressivo e pode evoluir para obstrução glótica completa em questão de horas. O médico, ao suspeitar dessa complicação, deve agir de forma preventiva: a intubação orotraqueal precoce é indicada para assegurar a via aérea antes que o edema dificulte ou impossibilite o procedimento. A decisão não deve aguardar o aparecimento de sinais clínicos de obstrução (estridor, tiragem, hipoxemia), pois nesse momento a intubação pode ser tecnicamente muito difícil ou até impossível, exigindo cricotireoidostomia de emergência.
A avaliação inicial do paciente queimado segue a rotina do trauma, priorizando as vias aéreas. A presença de queimaduras de face e pescoço, associada à suspeita de lesão inalatória, é um forte indicador de risco de obstrução. A intubação profilática é recomendada mesmo sem sinais evidentes de insuficiência respiratória, pois o edema pode se instalar rapidamente. O monitoramento da saturação de oxigênio e a gasometria arterial são medidas complementares importantes, mas não substituem a necessidade de assegurar a via aérea de forma definitiva. Broncodilatadores e corticosteroides não têm papel na prevenção da obstrução mecânica por edema de vias aéreas superiores.
A principal distinção que o aluno deve fazer é entre o manejo da obstrução de vias aéreas superiores (edema de glote/laringe) e o manejo de doenças das vias aéreas inferiores (broncoespasmo, como na asma ou DPOC). Na primeira, a prioridade é a intubação; na segunda, usam-se broncodilatadores e corticosteroides. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato pode pensar em broncodilatadores por associar queimadura com broncoespasmo, mas o risco imediato e letal é a obstrução mecânica alta, que só a intubação resolve.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o manejo da obstrução de vias aéreas superiores (edema de glote — intubação imediata) pelo manejo de broncoespasmo de vias aéreas inferiores (broncodilatadores). O candidato que associa queimadura com broncoespasmo cai na letra B. Lembre-se: o edema de mucosa da via aérea superior é a complicação iminente e letal, e a intubação profilática é a conduta que salva a vida.
1Suspeita de lesão inalatória
2Edema progressivo de mucosa
3Risco de obstrução glótica
4[+] Intubação profilática imediata
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A intubação traqueal imediata é a abordagem inicial mais apropriada. O edema progressivo das vias aéreas superiores, consequência da lesão térmica ou química direta, pode levar à obstrução glótica. A intubação precoce e preventiva assegura a via aérea antes que o edema torne o procedimento impossível. A literatura de emergência recomenda a intubação profilática em casos de queimaduras de face e pescoço com suspeita de lesão inalatória, mesmo sem sinais de insuficiência respiratória.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Broncodilatadores são indicados para broncoespasmo, uma condição das vias aéreas inferiores (como na asma ou DPOC). Na obstrução de vias aéreas superiores por edema de mucosa, o broncodilatador não tem efeito mecânico e não previne a obstrução glótica. A confusão entre o manejo da via aérea alta e baixa é a armadilha central desta questão.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O monitoramento frequente da saturação de oxigênio é uma medida de vigilância importante, mas não é uma intervenção que previne ou trata a obstrução das vias aéreas. A hipoxemia pode ser um sinal tardio de obstrução, e aguardar sua ocorrência para agir pode ser fatal. A conduta inicial deve ser proativa: assegurar a via aérea antes que a obstrução se estabeleça.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A gasometria arterial avalia a oxigenação e a ventilação, sendo útil no monitoramento, mas não é uma medida terapêutica. Ela não previne a obstrução das vias aéreas nem trata o edema de mucosa. A gasometria pode ser solicitada após a intubação para guiar a ventilação mecânica, mas não é a abordagem inicial para o risco de obstrução.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Corticosteroides intravenosos não têm papel comprovado na prevenção ou tratamento do edema de vias aéreas superiores em queimaduras. O edema é consequência da lesão térmica/química direta e da resposta inflamatória, e a corticoterapia não age rápido o suficiente para evitar a obstrução iminente. A conduta correta é a intubação profilática, não o uso de anti-inflamatórios.
Gabarito: letra A — a intubação traqueal imediata é a abordagem inicial mais apropriada para prevenir a obstrução das vias aéreas por edema em queimaduras de face, pescoço e tórax.