Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qq969500
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Ano Adicional: Cirurgia Plástica - PRM Área de Atuação: Atendimento ao Queimado
Um bebê é levado ao pediatra devido a dificuldades de alimentação e crescimento inadequado. Ao exame físico, o médico nota que o bebê possui uma mandíbula significativamente menor que o normal e a língua está posicionada posteriormente, obstruindo a garganta. Qual é a abordagem terapêutica inicial mais indicada nesse caso?
ACirurgia reparadora para correção da mandíbula.
BUso de medicamentos para relaxar os músculos faciais.
CUso de órtese para manter a língua na posição correta.
DAlimentação exclusiva por sonda nasogástrica.
EPosicionamento adequado para evitar a obstrução das vias respiratórias.
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GabaritoE — Posicionamento adequado para evitar a obstrução das vias respiratórias.
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Síndrome de Pierre Robin: abordagem inicial
Gabarito: letra E. O quadro descrito — mandíbula pequena (micrognatia), língua deslocada posteriormente (glossoptose) e obstrução de vias aéreas — é a clássica Síndrome de Pierre Robin, e a conduta inicial mais indicada é o posicionamento adequado do bebê (geralmente em decúbito ventral ou lateral) para aliviar a obstrução respiratória, antes de qualquer medida invasiva. Essa é a abordagem conservadora de primeira linha, pois a obstrução é dinâmica e frequentemente melhora com a mudança de postura.
A Síndrome de Pierre Robin é uma condição congênita caracterizada pela tríade clássica: micrognatia (mandíbula pequena e retraída), glossoptose (língua deslocada para trás e para baixo) e, em muitos casos, fenda palatina (geralmente em forma de U). O problema central é que a língua, sem o suporte adequado da mandíbula, cai posteriormente e obstrui a via aérea superior, especialmente quando o bebê está em decúbito dorsal. Isso compromete a respiração e também a alimentação, pois a sucção e a deglutição ficam prejudicadas.
A abordagem terapêutica segue uma escala de gravidade: primeiro tentam-se medidas conservadoras e, somente se estas falharem, parte-se para intervenções mais invasivas. O posicionamento é a pedra angular do tratamento inicial — colocar o bebê em decúbito ventral (barriga para baixo) ou lateral faz com que a língua caia para frente, liberando a via aérea. Essa medida simples resolve a obstrução na grande maioria dos casos, sem necessidade de qualquer procedimento cirúrgico ou aparelho. É uma medida imediata, não invasiva e altamente eficaz, sendo exatamente o que a alternativa E descreve.
A lógica por trás dessa conduta é anatômica e fisiológica: a obstrução é causada pela posição da língua, que é influenciada pela gravidade. Ao mudar a posição do corpo, a gravidade passa a atuar a favor, puxando a língua para frente e abrindo o espaço aéreo. Por isso, o posicionamento é a primeira medida a ser tentada, antes de qualquer órtese, sonda ou cirurgia. A cirurgia (como a distração osteogênica da mandíbula ou a glossopexia) fica reservada para os casos graves e refratários, quando o posicionamento e outras medidas conservadoras não são suficientes para manter a via aérea pérvia.
A banca explora aqui a confusão entre o tratamento inicial e o tratamento definitivo. O candidato pode ser tentado a escolher a cirurgia (A) ou a órtese (C) por serem soluções mais "concretas", mas a questão pergunta especificamente pela abordagem inicial, que é sempre a menos invasiva e mais segura. O posicionamento é a resposta correta porque é a primeira linha de manejo, enquanto as demais opções são medidas de segundo escalão ou inadequadas para o caso. Guarde essa hierarquia: posicionamento → órtese/sonda → cirurgia.
1Posicionamento (decúbito ventral/lateral)
2Órtese / sonda nasogástrica
3Cirurgia (distração osteogênica, glossopexia)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A cirurgia reparadora da mandíbula (como a distração osteogênica) é um tratamento definitivo e invasivo, reservado para casos graves e refratários às medidas conservadoras. Não é a abordagem inicial — a conduta de primeira linha é sempre o posicionamento, que é simples, não invasivo e resolve a obstrução na maioria dos casos. A banca tenta atrair o candidato com a solução "definitiva", mas a pergunta é sobre o primeiro passo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Não existe medicamento para "relaxar os músculos faciais" que trate a glossoptose da Síndrome de Pierre Robin. A obstrução é mecânica, causada pela posição da língua, e não por espasmo muscular. Relaxantes musculares não têm papel no manejo dessa condição e poderiam até piorar o quadro ao reduzir o tônus da musculatura da via aérea. É um distrator sem fundamento fisiopatológico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O uso de órtese para manter a língua na posição correta (como a cânula nasofaríngea ou a órtese de reposicionamento lingual) é uma opção válida, mas não é a primeira escolha. O posicionamento é mais simples, não invasivo e eficaz na maioria dos casos. A órtese é considerada quando o posicionamento isolado não é suficiente, ou seja, é uma medida de segundo escalão. A questão pede a abordagem inicial, e essa é o posicionamento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alimentação exclusiva por sonda nasogástrica trata a dificuldade alimentar, mas não resolve a obstrução das vias aéreas, que é o problema mais grave e imediato. Além disso, a sonda não é a primeira medida — o posicionamento é tentado primeiro, e a alimentação por sonda só é necessária se houver risco de aspiração ou se o bebê não conseguir se alimentar de forma segura por via oral. É uma medida de suporte, não a abordagem inicial para o quadro obstrutivo.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O posicionamento adequado (decúbito ventral ou lateral) é a abordagem terapêutica inicial mais indicada na Síndrome de Pierre Robin. Ao posicionar o bebê de bruços ou de lado, a língua é deslocada anteriormente pela gravidade, liberando a via aérea e aliviando a obstrução. É uma medida simples, imediata, não invasiva e eficaz na grande maioria dos casos, sendo a primeira linha de manejo antes de qualquer intervenção cirúrgica ou uso de dispositivos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre tratamento inicial e tratamento definitivo. O candidato é atraído pela cirurgia (A) ou pela órtese (C), que parecem soluções mais "concretas", mas a pergunta é sobre o primeiro passo — e esse é sempre o posicionamento, a medida mais simples e segura. Lembre-se da hierarquia: posicionamento → órtese/sonda → cirurgia. Com esse raciocínio, você enxerga a pegadinha de longe 💪