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Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaEnvenenamentos e Acidentes
Código
qq969503
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Ano Adicional: Cirurgia Plástica - PRM Área de Atuação: Atendimento ao Queimado
Durante uma cirurgia plástica, o cirurgião enfrenta uma situação inesperada que requer uma abordagem diferente da planejada. Nesse caso, o que o cirurgião deve fazer para garantir a segurança do paciente e a ética médica?
  1. AContinuar o procedimento de acordo com o plano original, mesmo que isso possa aumentar os riscos.
  2. BDeixar de comunicar a equipe cirúrgica sobre a mudança de plano para evitar preocupações desnecessárias.
  3. CConversar com a equipe cirúrgica sobre a situação, discutir as opções alternativas e obter consenso antes de tomar uma decisão.
  4. DOcultar a situação do paciente para evitar ansiedade pré-operatória.
  5. EFinalizar a cirurgia rapidamente, independentemente da situação, para reduzir o tempo de exposição do paciente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Conversar com a equipe cirúrgica sobre a situação, discutir as opções alternativas e obter consenso antes de tomar uma decisão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conduta cirúrgica diante de imprevistos: comunicação e consenso da equipe

Gabarito: letra C. Diante de uma situação inesperada durante uma cirurgia, o cirurgião deve conversar com a equipe cirúrgica, discutir as opções alternativas e obter consenso antes de tomar uma decisão — essa é a conduta que garante a segurança do paciente e a ética médica, pois a cirurgia é um ato de equipe e a comunicação eficaz é um dos pilares da cirurgia segura. As demais alternativas violam princípios fundamentais como a transparência, o trabalho em equipe e o dever de informar o paciente.

A cirurgia é, por definição, um procedimento coletivo: cirurgião, anestesiologista, instrumentador e enfermagem formam uma equipe que compartilha a responsabilidade pelo paciente. Quando surge um imprevisto — uma alteração anatômica, uma complicação hemorrágica, uma reação inesperada —, a decisão não pode ser tomada isoladamente pelo cirurgião, nem pode ser ocultada da equipe ou do paciente. A conduta ética e segura exige comunicação aberta, discussão das alternativas e construção de consenso, pois cada membro da equipe pode contribuir com informações relevantes (o anestesista sobre a estabilidade hemodinâmica, a enfermagem sobre materiais disponíveis, o instrumentador sobre o instrumental necessário). Além disso, o paciente tem direito a ser informado sobre mudanças relevantes no procedimento, respeitando-se sua autonomia e o princípio do consentimento informado.

A segurança do paciente em cirurgia é um tema central na medicina contemporânea, materializado em iniciativas como o Protocolo de Cirurgia Segura da Organização Mundial da Saúde (OMS), que estabelece a verificação de pontos críticos antes, durante e após o procedimento. A comunicação eficaz entre os membros da equipe é um dos elementos-chave desse protocolo, pois a maioria dos eventos adversos cirúrgicos decorre de falhas de comunicação, e não de falta de habilidade técnica. Quando o plano cirúrgico precisa ser alterado, a equipe deve ser informada imediatamente, as opções devem ser discutidas e a decisão deve ser tomada de forma colegiada, sempre priorizando o bem-estar do paciente.

A ética médica, por sua vez, reforça esses deveres. O Código de Ética Médica estabelece que o médico deve manter sigilo sobre informações do paciente, mas isso não se confunde com ocultar do paciente informações relevantes sobre seu próprio tratamento. O princípio da beneficência exige que o médico aja no melhor interesse do paciente, e o princípio da autonomia exige que o paciente seja informado e participe das decisões sobre seu corpo. Ocultar uma mudança de plano cirúrgico viola ambos os princípios, além de comprometer a confiança na relação médico-paciente.

A pegadinha desta questão está na tentação de escolher uma alternativa que pareça "prática" ou "protetora" — como ocultar a situação do paciente para evitar ansiedade, ou finalizar a cirurgia rapidamente para reduzir o tempo de exposição. Essas condutas, embora possam parecer razoáveis em um primeiro momento, violam princípios éticos fundamentais e podem aumentar os riscos em vez de reduzi-los. A alternativa correta é a que combina comunicação, discussão e consenso — exatamente o que a ética médica e os protocolos de segurança recomendam.

Guarde o critério decisivo: diante de imprevisto cirúrgico, a conduta correta é sempre comunicar, discutir e buscar consenso com a equipe, e informar o paciente — é esse critério que separa a alternativa correta das demais.

  1. 1Comunicar a equipe
  2. 2Discutir opções alternativas
  3. 3Obter consenso
  4. 4Informar o paciente
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Continuar o procedimento de acordo com o plano original, mesmo que isso possa aumentar os riscos, é uma conduta que prioriza a rigidez em detrimento da segurança do paciente. O plano cirúrgico é um guia, não uma camisa de força: quando surgem imprevistos, o plano deve ser adaptado às novas circunstâncias. Insistir em um plano que se mostrou inadequado aumenta os riscos de complicações e viola o princípio da beneficência, que exige que o médico aja no melhor interesse do paciente. A alternativa confunde a importância do planejamento com a necessidade de flexibilidade diante de situações inesperadas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Deixar de comunicar a equipe cirúrgica sobre a mudança de plano para evitar preocupações desnecessárias é uma conduta que compromete a segurança do paciente e o trabalho em equipe. A equipe cirúrgica precisa estar ciente de qualquer alteração no procedimento para se preparar adequadamente — o anestesista precisa ajustar a conduta anestésica, a enfermagem precisa preparar os materiais adequados, o instrumentador precisa ter o instrumental correto. Ocultar informações da equipe pode levar a erros graves e colocar o paciente em risco. A alternativa confunde a proteção da equipe com a omissão de informações, quando o correto é a comunicação transparente.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Conversar com a equipe cirúrgica sobre a situação, discutir as opções alternativas e obter consenso antes de tomar uma decisão é a conduta ética e segura diante de um imprevisto cirúrgico. Essa alternativa reflete os princípios da comunicação eficaz, do trabalho em equipe e da decisão compartilhada, que são pilares da cirurgia segura e da ética médica. Ao discutir as opções com a equipe, o cirurgião reúne informações relevantes de diferentes especialidades, avalia os riscos e benefícios de cada alternativa e toma uma decisão mais informada e segura. O consenso da equipe garante que todos estejam alinhados e preparados para executar o novo plano, reduzindo o risco de erros.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Ocultar a situação do paciente para evitar ansiedade pré-operatória é uma conduta que viola o princípio da autonomia e o dever de informar. O paciente tem o direito de ser informado sobre mudanças relevantes em seu procedimento, especialmente quando envolvem riscos adicionais ou alterações no resultado esperado. Ocultar informações compromete a confiança na relação médico-paciente e impede que o paciente participe das decisões sobre seu próprio corpo. A alternativa confunde a proteção emocional do paciente com a omissão de informações, quando o correto é uma comunicação clara e empática, que respeite a autonomia do paciente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Finalizar a cirurgia rapidamente, independentemente da situação, para reduzir o tempo de exposição do paciente é uma conduta que prioriza a velocidade em detrimento da segurança. Encurtar o procedimento sem avaliar adequadamente a situação pode levar a complicações graves, como sangramento não controlado, lesão de estruturas anatômicas ou procedimento incompleto. O tempo de exposição é um fator relevante, mas não pode ser o único critério de decisão: a segurança do paciente deve sempre vir em primeiro lugar. A alternativa confunde a eficiência com a pressa, quando o correto é avaliar a situação, discutir com a equipe e tomar a decisão mais segura, mesmo que isso demande mais tempo.

Gabarito: letra C

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