Questão de Medicina — Dermatologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Dermatologia
Código
qq969518
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Ano Adicional: Cirurgia Plástica - PRM Área de Atuação: Atendimento ao Queimado
Além de infecções bacterianas e fúngicas, qual outro fator pode contribuir para o desenvolvimento da paroníquia?
ATrauma repetitivo.
BExposição prolongada ao sol.
CConsumo excessivo de cafeína.
DDeficiência de vitamina C.
EExcesso de hidratação.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — Trauma repetitivo.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Paroníquia: fatores etiológicos além das infecções
Gabarito: letra A. A paroníquia, inflamação da prega ungueal, tem como fatores etiológicos principais as infecções bacterianas e fúngicas, mas também o trauma repetitivo — que é exatamente o que a alternativa A aponta. O trauma mecânico recorrente (atividades manuais, onicofagia, manicures) lesa o eponíquio e permite a penetração de agentes infecciosos, sendo causa clássica tanto da forma aguda quanto da crônica.
A paroníquia é uma condição dermatológica comum que afeta a prega ungueal proximal (a pele ao redor da base da unha). Ela se divide em duas apresentações principais: aguda (duração < 6 semanas) e crônica (duração ≥ 6 semanas). Na forma aguda, o mecanismo central é o traumatismo local que rompe a barreira cutânea, permitindo a entrada de bactérias — principalmente Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes. Na forma crônica, o quadro é multifatorial, envolvendo irritação química repetida (como contato frequente com água e detergentes), trauma mecânico e colonização secundária por Candida albicans.
O ponto-chave que a questão explora é justamente a multifatoriedade da paroníquia: embora as infecções sejam os agentes mais conhecidos, o trauma repetitivo é um fator desencadeante e perpetuador fundamental. O texto de apoio confirma isso ao descrever que a paroníquia crônica "está associada mais comumente a trabalhos domésticos repetidos, como lavar roupas e louças, contato frequente com produtos químicos ou o ato de chupar o dedo". Esses são exemplos claros de trauma/irritação mecânica e química repetitiva.
As demais alternativas apresentam fatores sem nenhuma relação etiológica estabelecida com a paroníquia: exposição solar, cafeína, deficiência de vitamina C e excesso de hidratação não são reconhecidos como causas ou contribuintes para o desenvolvimento dessa condição. A banca, portanto, testa o conhecimento específico sobre os fatores de risco da doença, exigindo que o candidato distinga o que é relevante do que é apenas um distrator plausível.
Guarde esta distinção: enquanto as infecções (bacterianas e fúngicas) são os agentes infecciosos diretos, o trauma repetitivo é o fator mecânico que predispõe e facilita a instalação dessas infecções. É exatamente essa relação de causalidade que a alternativa correta captura.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O trauma repetitivo é um fator etiológico clássico da paroníquia. Na forma aguda, o traumatismo do eponíquio ou das pregas ungueais — decorrente de atividades manuais, onicofagia, unhas artificiais, unha encravada e cuidados de manicure — leva à penetração de agentes infecciosos. Na forma crônica, o trauma e a irritação repetidos (trabalhos domésticos, contato com produtos químicos) descolam o eponíquio da lâmina ungueal, permitindo a colonização por patógenos. Portanto, o trauma repetitivo é um fator contribuinte direto e bem documentado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A exposição prolongada ao sol não é um fator etiológico da paroníquia. A radiação ultravioleta está associada a outras dermatoses (como fotoenvelhecimento e neoplasias cutâneas), mas não há relação com a inflamação da prega ungueal. A banca insere esse distrator para testar se o candidato associa corretamente os fatores de risco específicos da doença.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O consumo excessivo de cafeína não tem qualquer relação com o desenvolvimento de paroníquia. Não há mecanismo fisiopatológico que ligue a cafeína à inflamação da prega ungueal. Esse distrator é completamente alheio à etiologia da doença, servindo apenas para confundir candidatos que tentam "forçar" uma associação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A deficiência de vitamina C não é um fator contribuinte para a paroníquia. Embora a vitamina C seja importante para a saúde da pele (participa da síntese de colágeno), sua deficiência está associada ao escorbuto, não à inflamação periungueal. A banca explora aqui a confusão entre um nutriente importante para a pele em geral e um fator específico da paroníquia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O excesso de hidratação não é um fator etiológico da paroníquia. Na verdade, a exposição prolongada à umidade (como em trabalhos domésticos com água) é um fator de risco, mas o enunciado fala em "excesso de hidratação" — que não é um conceito médico reconhecido como causa. A alternativa tenta confundir o candidato com um termo próximo do fator real (umidade), mas que não corresponde à terminologia correta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os fatores mecânicos (trauma repetitivo) e os fatores químicos/ambientais (umidade, produtos químicos). O candidato pode ser tentado a marcar a alternativa E (excesso de hidratação) por associar água/umidade à paroníquia, mas o termo correto e consagrado na literatura é "trauma repetitivo" — que engloba tanto o aspecto mecânico quanto a irritação química recorrente. Fique atento: a questão pede o fator além das infecções bacterianas e fúngicas, e o trauma repetitivo é o único que se encaixa perfeitamente nesse papel.