Questão de Medicina — Hematologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Hematologia
Código
qq969695
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Ano Adicional: Ortopedia e Traumatologia R4
No caso de um paciente que está em tratamento para Mieloma, quais características laboratoriais se esperam encontrar?
AHiperglobulinemia.
BPico policlonal na eletroforese de proteínas séricas.
CHipocalcemia.
DPresença de proteínas normais no sangue.
EPresença de proteínas anormais na urina (proteína de Bence-Jones).
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GabaritoE — Presença de proteínas anormais na urina (proteína de Bence-Jones).
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Mieloma múltiplo: achados laboratoriais
Gabarito: letra E. No mieloma múltiplo, a proliferação clonal de plasmócitos produz uma imunoglobulina monoclonal (proteína M) e, em cerca de 20% dos casos, apenas cadeias leves livres, que podem ser excretadas na urina como proteína de Bence-Jones — exatamente o que a alternativa E descreve. As demais alternativas ou invertem o achado (pico monoclonal, não policlonal), ou trazem alterações opostas à fisiopatologia (hipercalcemia, não hipocalcemia).
O mieloma múltiplo é uma neoplasia de plasmócitos que se acumulam na medula óssea e produzem uma imunoglobulina monoclonal — a chamada proteína M. Essa proteína é o marcador laboratorial central da doença: na eletroforese de proteínas séricas, ela aparece como um pico monoclonal (estreito e bem delimitado), em contraste com o aumento difuso e polimórfico da hiperglobulinemia policlonal. A produção descontrolada da proteína M vem acompanhada da supressão das imunoglobulinas normais (hipogamaglobulinemia), o que explica a suscetibilidade a infecções.
Além da proteína M sérica, cerca de 20% dos pacientes não apresentam proteína M detectável na eletroforese padrão, mas têm cadeias leves livres circulantes. Essas cadeias leves, por serem de baixo peso molecular, são filtradas pelo glomérulo e aparecem na urina — é a proteína de Bence-Jones, detectável por eletroforese de proteínas urinárias em coleta de 24 horas. Essa é uma característica laboratorial clássica e específica do mieloma, e é o que a alternativa E corretamente aponta.
A fisiopatologia também explica outros achados: a infiltração da medula óssea suprime a hematopoese (causando anemia), e a destruição óssea osteolítica libera cálcio, levando à hipercalcemia — não hipocalcemia. A função renal pode estar comprometida, e a eletroforese de proteínas séricas mostra o pico monoclonal, nunca um padrão policlonal. A presença de proteínas anormais na urina (Bence-Jones) é, portanto, o achado que se espera encontrar, enquanto as demais alternativas descrevem situações opostas ou incompatíveis.
Guarde a distinção central: pico monoclonal (mieloma) versus pico policlonal (processos reativos, como infecções crônicas ou doenças autoimunes). É nessa fronteira que as alternativas se dividem — e é o que a banca explora.
Mieloma múltiplo: achados laboratoriais
1Eletroforese de proteínas séricas
Pico monoclonal (proteína M)
Pico policlonal (processo reativo)
2Cadeias leves livres
Proteína de Bence-Jones na urina
3Cálcio sérico
Hipercalcemia (destruição óssea)
Hipocalcemia
4Imunoglobulinas
Supressão das normais (hipogamaglobulinemia)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A hiperglobulinemia é um aumento difuso das gamaglobulinas, típico de processos reativos (infecções, doenças autoimunes). No mieloma, o que ocorre é a produção de uma imunoglobulina monoclonal (proteína M), que aparece como pico monoclonal na eletroforese — não como aumento difuso. A alternativa confunde o padrão monoclonal com o policlonal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A eletroforese de proteínas séricas no mieloma mostra um pico monoclonal (estreito, bem delimitado), não policlonal. O pico policlonal é um aumento difuso de várias imunoglobulinas, típico de processos inflamatórios ou infecciosos. A alternativa troca o padrão característico da doença.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O mieloma causa hipercalcemia, não hipocalcemia. A destruição óssea osteolítica libera cálcio na circulação, elevando seus níveis séricos. A hipocalcemia não é um achado esperado; pelo contrário, a hipercalcemia é uma complicação comum e pode dominar o quadro clínico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
No mieloma, há produção de uma proteína anormal (proteína M ou cadeias leves), e não proteínas normais. Além disso, há supressão das imunoglobulinas normais (hipogamaglobulinemia), o que torna a presença de proteínas normais no sangue um achado incompatível com a doença.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A proteína de Bence-Jones é a cadeia leve livre monoclonal excretada na urina, um achado clássico do mieloma múltiplo. Cerca de 20% dos pacientes não têm proteína M sérica detectável, mas apresentam cadeias leves livres que aparecem na urina, detectáveis por eletroforese de proteínas urinárias. A alternativa descreve exatamente essa característica laboratorial.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o pico monoclonal (característico do mieloma) pelo pico policlonal (típico de processos reativos), e inverte a hipercalcemia (comum no mieloma) por hipocalcemia. Fique atento: no mieloma, o aumento é de uma imunoglobulina única (monoclonal), e o cálcio tende a estar elevado pela destruição óssea.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de mieloma, lembre-se do mnemônico CRAB: Cálcio (hipercalcemia), Renal (insuficiência), Anemia, Bone (lesões ósseas). E associe: pico monoclonal = mieloma; pico policlonal = reativo. A proteína de Bence-Jones é a cadeia leve na urina.