Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Neurologia
Código
qq969721
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Ano Adicional: Transplante de Córnea
Paciente do sexo feminino, 22 anos, obesa, com queixa de cefaleia intensa que não melhora após uso de analgésicos. Na avaliação do fundo de olho, é observado papiledema. Nesse caso, qual o diagnóstico mais provável?
APseudotumor cerebral.
BMiopia.
CHipermetropia.
DMeningioma.
ESíndrome de Gradenigo.
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GabaritoA — Pseudotumor cerebral.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Gabarito: letra A. O quadro descrito — mulher jovem (22 anos), obesa, com cefaleia intensa refratária a analgésicos e papiledema ao fundo de olho — é a apresentação clássica do pseudotumor cerebral, também chamado de hipertensão intracraniana idiopática (HII). A tríade "mulher jovem + obesidade + papiledema" é o padrão-ouro do raciocínio clínico para esse diagnóstico, conforme a literatura médica de neurologia.
O pseudotumor cerebral é uma síndrome caracterizada por elevação da pressão intracraniana sem lesão ocupante de espaço, hidrocefalia ou edema cerebral franco. O nome "pseudotumor" vem justamente do fato de que o quadro mimetiza um tumor cerebral (cefaleia + papiledema), mas não há neoplasia — daí a importância de reconhecer o padrão típico para evitar investigações e tratamentos desnecessários.
A epidemiologia é o primeiro grande indício: a HII acomete predominantemente mulheres jovens e obesas, na faixa dos 15 aos 45 anos. No caso apresentado, a paciente tem 22 anos e é obesa — dois fatores que se encaixam perfeitamente. A cefaleia costuma ser de início insidioso, generalizada, e frequentemente piora pela manhã ou após esforços (tosse, defecação, micção). O papiledema é o achado fundoscópico mais característico e, muitas vezes, é "mais impressionante do que o quadro clínico" — ou seja, o exame de fundo de olho pode mostrar um edema de papila exuberante mesmo quando os sintomas são relativamente leves.
O mecanismo fisiopatológico envolve o aumento da pressão liquórica, geralmente na faixa de 250 a 450 mm de água, sem que haja uma causa estrutural identificável. A condição pode estar associada a medicamentos (intoxicação por vitamina A, isotretinoína, danazol, ácido nalidíxico), à retirada de corticosteroides e a distúrbios sistêmicos como hipoparatireoidismo e lúpus. Em alguns casos, há oclusão dos seios venosos cerebrais, que pode ocorrer em estados de hipercoagulabilidade, no periparto ou com uso de contraceptivos orais combinados.
O diagnóstico é essencialmente clínico, mas exige investigação complementar para excluir causas secundárias: a neuroimagem (TC ou RM de crânio) é obrigatória para afastar lesões expansivas, e a punção lombar com medida da pressão de abertura confirma o diagnóstico quando esta está elevada. O tratamento envolve perda de peso (necessária redução de cerca de 15% para remissão), uso de inibidores da anidrase carbônica (acetazolamida) e, em casos refratários, procedimentos cirúrgicos.
A pegadinha desta questão está em não confundir o pseudotumor cerebral com as demais alternativas, que são distratores de naturezas completamente diferentes: erros de refração (miopia e hipermetropia) não causam papiledema, meningioma é um tumor que exigiria outros sinais, e a síndrome de Gradenigo é uma condição otológica específica. O critério decisivo é o conjunto "mulher jovem obesa + cefaleia + papiledema", que aponta diretamente para a HII.
Papiledema = hipertensão intracraniana
1Mulher jovem + obesa
Pseudotumor cerebral (HII)
2Sinais focais / febre / início súbito
Causas secundárias
Tumor (meningioma)
Meningite
Hemorragia
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O pseudotumor cerebral (hipertensão intracraniana idiopática) é exatamente o diagnóstico que se encaixa no perfil da paciente: mulher jovem (22 anos), obesa, com cefaleia intensa e papiledema ao fundo de olho. A literatura descreve que a HII "ocorre entre 15 e 45 anos e é mais frequente nas mulheres obesas", e que "a fundoscopia revela papiledema, que frequentemente é mais impressionante do que o quadro clínico". Todos os elementos do enunciado convergem para essa hipótese, tornando-a a mais provável.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Miopia é um erro de refração em que a imagem se forma antes da retina, causando dificuldade para enxergar de longe. Não há qualquer relação com cefaleia intensa refratária a analgésicos nem com papiledema. O erro de refração pode causar cefaleia tensional leve, mas nunca produz edema de papila ao fundo de olho — esse é um sinal de hipertensão intracraniana, não de ametropia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Hipermetropia é o erro de refração oposto à miopia: a imagem se forma atrás da retina, dificultando a visão de perto. Assim como a miopia, não explica o papiledema. A banca incluiu essas duas alternativas como distratores "oftalmológicos" para confundir o candidato que associa o exame de fundo de olho a problemas de visão, mas o papiledema é um sinal de pressão intracraniana elevada, não de ametropia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Meningioma é um tumor cerebral geralmente benigno e de crescimento lento, que pode causar cefaleia e papiledema por hipertensão intracraniana secundária. No entanto, o perfil epidemiológico da paciente (mulher jovem e obesa) e a ausência de sinais focais ou de outros sintomas tumorais tornam o pseudotumor cerebral muito mais provável. O meningioma é um diagnóstico de exclusão que exigiria confirmação por neuroimagem, mas não é a hipótese mais provável diante do quadro típico de HII.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Síndrome de Gradenigo é uma condição rara caracterizada pela tríade: otite média, dor facial (neuralgia do trigêmeo) e paralisia do nervo abducente (diplopia). Resulta da inflamação do ápice do osso petroso. Não há no enunciado qualquer menção a otite, dor facial ou paralisia de abducente — apenas cefaleia e papiledema, que não fazem parte da tríade clássica dessa síndrome.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o papiledema (sinal de hipertensão intracraniana) e os erros de refração (miopia/hipermetropia), que são problemas oculares comuns. O candidato desatento pode associar o exame de fundo de olho a doenças oculares, mas o papiledema é um sinal neurológico de pressão intracraniana elevada — e o perfil "mulher jovem + obesa" é a chave que fecha o diagnóstico de pseudotumor cerebral. Fique atento: sempre que a questão trouxer esse trio (jovem, obesa, papiledema), a resposta quase certamente será HII.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de cefaleia com papiledema, monte o raciocínio em etapas: (1) papiledema = hipertensão intracraniana até prova em contrário; (2) se a paciente é jovem e obesa, pense primeiro em pseudotumor cerebral; (3) se houver sinais focais, febre ou início súbito, pense em causas secundárias (tumor, meningite, hemorragia). Essa sequência lógica resolve a maioria das questões do tema.