Questão de Medicina — Oftalmologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Oftalmologia
Código
qq969748
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Ano Adicional: Transplante de Córnea
Sobre as lesões palpebrais, é correto afirmar que
Ao nevus flammeus pode levar ao glaucoma em 60% dos casos.
Bo nevo juncional apresenta alto poder de malignização.
Ca ceratose actínica apresenta potencial de transformação para carcinoma de células basais.
Do papiloma de células escamosas é o tumor palpebral benigno mais comum.
Eo hemangioma capilar atinge mais mulheres do que homens.
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GabaritoD — o papiloma de células escamosas é o tumor palpebral benigno mais comum.
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Lesões palpebrais: tumores benignos e malignos
Gabarito: letra D. O papiloma de células escamosas é reconhecido como o tumor palpebral benigno mais comum, sendo uma lesão epitelial exofítica frequente na prática oftalmológica. As demais alternativas apresentam erros conceituais: o nevus flammeus associa-se ao glaucoma em percentual menor que 60%, o nevo juncional tem baixo potencial de malignização, a ceratose actínica pode evoluir para carcinoma espinocelular (não basocelular) e o hemangioma capilar não tem predileção significativa por mulheres.
As lesões palpebrais constituem um grupo heterogêneo de afecções que variam desde alterações vasculares congênitas até neoplasias epiteliais benignas e malignas. O conhecimento dessas lesões é essencial para o oftalmologista, pois o diagnóstico correto determina a conduta terapêutica adequada e o prognóstico visual e sistêmico do paciente. A classificação dessas lesões baseia-se principalmente na origem tecidual — epitelial, vascular, melanocítica ou anexial — e no potencial de malignidade.
O papiloma de células escamosas, também chamado papiloma escamoso, é uma neoplasia epitelial benigna que se apresenta como lesão exofítica, pedunculada ou séssil, com superfície papilomatosa ou verrucosa. É a lesão palpebral benigna mais frequentemente encontrada, correspondendo a cerca de 30% de todos os tumores benignos da pálpebra. Sua importância clínica reside na necessidade de diferenciá-lo de lesões malignas como o carcinoma espinocelular, especialmente quando há ulceração, crescimento rápido ou sangramento.
O nevo melanocítico, por sua vez, é classificado conforme a localização das células névicas: juncional (na junção dermoepidérmica), composto (juncional e dérmico) e intradérmico (apenas dérmico). O nevo juncional é mais comum em crianças e adolescentes e, embora possa sofrer transformação maligna, essa possibilidade é considerada baixa, especialmente quando comparada a outras lesões melanocíticas como o nevo displásico ou o lentigo maligno. A malignização do nevo juncional é rara, e a maioria dos melanomas palpebrais surge de novo, sem lesão prévia.
A ceratose actínica é uma lesão pré-maligna decorrente da exposição solar crônica, caracterizada por displasia epitelial. Seu potencial de transformação maligna é real, porém direcionado ao carcinoma espinocelular (CEC), e não ao carcinoma basocelular (CBC). O CBC é o tumor maligno mais comum da pálpebra, mas origina-se de células basais da epiderme, sem relação direta com a ceratose actínica. Essa distinção é fundamental, pois o CEC tem comportamento mais agressivo e maior potencial metastático que o CBC.
O hemangioma capilar, também denominado hemangioma infantil, é o tumor vascular mais comum da infância, presente em cerca de 1-2% dos recém-nascidos e até 10% das crianças até 1 ano. Apresenta predileção pelo sexo feminino, com razão de 3:1 a 5:1 em relação ao masculino, contrariando a afirmação da alternativa E. Essa diferença é atribuída a fatores hormonais, uma vez que os hemangiomas expressam receptores de estrogênio e progesterona.
O nevus flammeus, ou mancha vinho do Porto, é uma malformação capilar congênita que, quando localizada na região palpebral ou periorbitária, pode associar-se à síndrome de Sturge-Weber. Nessa síndrome, o risco de glaucoma é significativo, porém estimado em cerca de 30-50% dos casos, não 60%. O glaucoma nesses pacientes pode ser congênito ou de aparecimento tardio, decorrente de malformações no ângulo da câmara anterior ou aumento da pressão venosa episcleral.
A banca explora a confusão entre lesões pré-malignas e malignas, além de percentuais e predileções sexuais. O candidato deve estar atento às características específicas de cada lesão para não cair em generalizações incorretas.
Lesão
Origem/Classificação
Potencial de Malignização
Predileção/Associação
Papiloma de células escamosas
Epitelial exofítica
Benigno (baixo)
Tumor benigno mais comum
Nevo juncional
Melanocítico (junção dermoepidérmica)
Baixo
Mais comum em crianças/adolescentes
Ceratose actínica
Epitelial displásica (pré-maligna)
Para carcinoma espinocelular (CEC)
Exposição solar crônica
Hemangioma capilar
Vascular (infantil)
Benigno
Predileção por mulheres (3:1 a 5:1)
Nevus flammeus
Malformação capilar congênita
Benigno
Glaucoma em 30-50% (Síndrome de Sturge-Weber)
Lesões palpebrais
1Benignas
Papiloma escamoso (mais comum)
Nevo juncional (baixo risco)
Hemangioma capilar (predileção feminina)
2Pré-malignas
Ceratose actínica
Evolui para CEC
3Malformações vasculares
Nevus flammeus
Glaucoma em 30-50%
4Malignas
Carcinoma basocelular (mais comum)
Carcinoma espinocelular
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O nevus flammeus, quando associado à síndrome de Sturge-Weber, pode levar ao glaucoma, porém em aproximadamente 30-50% dos casos, não em 60%. O percentual de 60% é um distrator numérico que superestima o risco real. O glaucoma nesses pacientes pode ser congênito ou tardio, e o acompanhamento oftalmológico periódico é essencial para detecção precoce.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O nevo juncional apresenta baixo potencial de malignização, sendo a transformação para melanoma uma eventualidade rara. A alternativa inverte o conceito ao afirmar "alto poder de malignização". Lesões com maior risco de transformação maligna incluem o nevo displásico e o lentigo maligno, não o nevo juncional típico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A ceratose actínica tem potencial de transformação para carcinoma espinocelular (CEC), não para carcinoma basocelular (CBC). O CBC é o tumor maligno palpebral mais comum, mas origina-se de células basais, sem relação com a ceratose actínica. A troca do tipo histológico é o erro central desta alternativa.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O papiloma de células escamosas é, de fato, o tumor palpebral benigno mais comum. Trata-se de lesão epitelial exofítica, frequentemente pedunculada, com superfície papilomatosa, que pode ser única ou múltipla. O diagnóstico é clínico, e a excisão cirúrgica é curativa, sendo importante a confirmação histopatológica para excluir malignidade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O hemangioma capilar atinge mais mulheres do que homens, com razão de aproximadamente 3:1 a 5:1. A alternativa inverte a predileção sexual, afirmando que atinge mais homens. Essa diferença é atribuída a fatores hormonais, com expressão de receptores de estrogênio e progesterona nas células do hemangioma.
Gabarito: letra D — o papiloma de células escamosas é o tumor palpebral benigno mais comum.