Oclusão da artéria central da retina: mácula em cereja
Gabarito: letra C. O quadro descrito — baixa acuidade visual unilateral, súbita e indolor, com branqueamento do polo posterior e mácula em cereja à fundoscopia — é a apresentação clássica da oclusão da artéria central da retina (OACR). O branqueamento retiniano decorre do edema isquêmico, e a mácula, por ser avascular, permanece com sua coloração normal, criando o contraste que dá o nome ao sinal. As demais alternativas cursam com outros achados fundoscópicos e tempos de evolução distintos.
A OACR é o bloqueio agudo do fluxo sanguíneo na artéria central da retina, que irriga a camada interna da retina. A retina é extremamente sensível à isquemia: a perda visual é súbita, profunda e indolor, tipicamente unilateral. O diagnóstico é eminentemente clínico, pela fundoscopia, que revela o edema retiniano difuso (branqueamento) na região do polo posterior, com a fóvea poupada — por ser avascular, ela não edemacia e mantém a cor vermelho-alaranjada normal, formando a "mácula em cereja". Esse sinal é o achado patognomônico da doença.
A etiologia mais comum é a trombose relacionada à arteriosclerose (cerca de 80% dos casos), seguida por embolização de origem carotídea ou cardíaca (cerca de 20%), com êmbolos de cálcio, colesterol ou plaqueta-fibrina. O quadro clínico é de instalação abrupta, em menos de 1 hora, e o paciente frequentemente tem fatores de risco vascular, como hipertensão, diabetes e dislipidemia. O tratamento visa restabelecer a circulação retiniana e deve ser iniciado com urgência, embora o prognóstico visual seja reservado na maioria dos casos.
A distinção fundamental é com a oclusão da veia central da retina (OVCR), que também causa perda visual unilateral e indolor, mas com tempo de evolução mais lento (horas a dias) e achados fundoscópicos completamente diferentes: hemorragias retinianas nos quatro quadrantes, veias dilatadas e tortuosas, exsudatos algodonosos e edema de disco óptico — não há branqueamento nem mácula em cereja. O descolamento de retina, por sua vez, cursa com perda visual que se instala em até 7 dias, frequentemente com fotopsias e moscas volantes, e à fundoscopia observa-se a retina descolada, sem o padrão isquêmico. A retinite por citomegalovírus ocorre em pacientes imunossuprimidos (HIV/AIDS) e apresenta lesões retinianas necrosantes características, com aspecto de "queijo e ketchup", não o branqueamento difuso.
A pegadinha da banca está em confundir o tempo de instalação e o aspecto fundoscópico: a OACR é súbita (menos de 1 hora) e a OVCR é subaguda (horas a dias). Além disso, a mácula em cereja é exclusiva da oclusão arterial — na oclusão venosa, o que se vê são hemorragias e edema, não o branqueamento isquêmico. Guarde o par: OACR = branqueamento + mácula em cereja + início súbito; OVCR = hemorragias difusas + veias tortuosas + início em horas/dias. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A retinite por citomegalovírus (CMV) é uma causa importante de cegueira em pacientes com AIDS, mas o quadro clínico é diferente: ocorre em imunossuprimidos, com escotomas, redução da acuidade visual e, menos frequentemente, perda súbita. À fundoscopia, observam-se lesões retinianas necrosantes com hemorragias, o clássico aspecto de "queijo e ketchup", e não o branqueamento do polo posterior com mácula em cereja. O diagnóstico é clínico, baseado no aspecto da lesão e em dados de imunodepressão avançada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O descolamento de retina causa perda visual que se instala em até 7 dias, não de forma súbita como na OACR. O paciente frequentemente relata fotopsias (flashes de luz) e moscas volantes, e à fundoscopia observa-se a retina descolada, com aspecto elevado e ondulante, sem o branqueamento isquêmico nem a mácula em cereja. A perda visual é tipicamente progressiva, acompanhando a extensão do descolamento.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A oclusão da artéria central da retina (OACR) é a principal suspeita diagnóstica. O quadro é de baixa acuidade visual unilateral, súbita (menos de 1 hora) e indolor, e a fundoscopia revela o branqueamento do polo posterior (edema retiniano isquêmico) com mácula em cereja (fóvea poupada por ser avascular). Esses achados são patognomônicos da doença. A etiologia mais comum é a trombose por arteriosclerose, seguida de embolização carotídea ou cardíaca.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A oclusão da veia central da retina (OVCR) também causa perda visual unilateral e indolor, mas com tempo de evolução mais lento — horas a dias ou semanas — e achados fundoscópicos distintos: hemorragias retinianas nos quatro quadrantes, veias dilatadas e tortuosas, exsudatos algodonosos e edema de disco óptico. Não há branqueamento do polo posterior nem mácula em cereja. A OVCR pode ser isquêmica ou não isquêmica, e a neovascularização de íris ocorre em cerca de 20% dos casos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A oclusão de ramo de veia central da retina (ORVCR) afeta apenas o setor drenado pelo ramo venoso obstruído, causando dilatação e tortuosidade venosas e hemorragias localizadas nesse território, não difusas. A perda visual é geralmente menos grave e o tempo de evolução é semelhante ao da OVCR (horas a dias). Não há branqueamento do polo posterior nem mácula em cereja, que são exclusivos da oclusão arterial.
Gabarito: letra C — oclusão da artéria central da retina, pelo quadro clássico de perda visual súbita, unilateral e indolor com branqueamento retiniano e mácula em cereja à fundoscopia.