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Questão de Medicina — Oftalmologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaOftalmologia
Código
qq969754
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Ano Adicional: Transplante de Córnea
Ao realizar a fundoscopia de um paciente com queixa de baixa acuidade visual unilateral, súbita e indolor, o oftalmologista observa branqueamento no pólo posterior com mácula em cereja. Qual é a principal suspeita diagnóstica?
  1. ACitomegalovírus.
  2. BDescolamento de retina.
  3. COclusão da artéria central da retina.
  4. DOclusão de veia central da retina.
  5. EOclusão de ramo de veia central da retina.
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GabaritoC — Oclusão da artéria central da retina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Oclusão da artéria central da retina: mácula em cereja

Gabarito: letra C. O quadro descrito — baixa acuidade visual unilateral, súbita e indolor, com branqueamento do polo posterior e mácula em cereja à fundoscopia — é a apresentação clássica da oclusão da artéria central da retina (OACR). O branqueamento retiniano decorre do edema isquêmico, e a mácula, por ser avascular, permanece com sua coloração normal, criando o contraste que dá o nome ao sinal. As demais alternativas cursam com outros achados fundoscópicos e tempos de evolução distintos.

A OACR é o bloqueio agudo do fluxo sanguíneo na artéria central da retina, que irriga a camada interna da retina. A retina é extremamente sensível à isquemia: a perda visual é súbita, profunda e indolor, tipicamente unilateral. O diagnóstico é eminentemente clínico, pela fundoscopia, que revela o edema retiniano difuso (branqueamento) na região do polo posterior, com a fóvea poupada — por ser avascular, ela não edemacia e mantém a cor vermelho-alaranjada normal, formando a "mácula em cereja". Esse sinal é o achado patognomônico da doença.

A etiologia mais comum é a trombose relacionada à arteriosclerose (cerca de 80% dos casos), seguida por embolização de origem carotídea ou cardíaca (cerca de 20%), com êmbolos de cálcio, colesterol ou plaqueta-fibrina. O quadro clínico é de instalação abrupta, em menos de 1 hora, e o paciente frequentemente tem fatores de risco vascular, como hipertensão, diabetes e dislipidemia. O tratamento visa restabelecer a circulação retiniana e deve ser iniciado com urgência, embora o prognóstico visual seja reservado na maioria dos casos.

A distinção fundamental é com a oclusão da veia central da retina (OVCR), que também causa perda visual unilateral e indolor, mas com tempo de evolução mais lento (horas a dias) e achados fundoscópicos completamente diferentes: hemorragias retinianas nos quatro quadrantes, veias dilatadas e tortuosas, exsudatos algodonosos e edema de disco óptico — não há branqueamento nem mácula em cereja. O descolamento de retina, por sua vez, cursa com perda visual que se instala em até 7 dias, frequentemente com fotopsias e moscas volantes, e à fundoscopia observa-se a retina descolada, sem o padrão isquêmico. A retinite por citomegalovírus ocorre em pacientes imunossuprimidos (HIV/AIDS) e apresenta lesões retinianas necrosantes características, com aspecto de "queijo e ketchup", não o branqueamento difuso.

A pegadinha da banca está em confundir o tempo de instalação e o aspecto fundoscópico: a OACR é súbita (menos de 1 hora) e a OVCR é subaguda (horas a dias). Além disso, a mácula em cereja é exclusiva da oclusão arterial — na oclusão venosa, o que se vê são hemorragias e edema, não o branqueamento isquêmico. Guarde o par: OACR = branqueamento + mácula em cereja + início súbito; OVCR = hemorragias difusas + veias tortuosas + início em horas/dias. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A retinite por citomegalovírus (CMV) é uma causa importante de cegueira em pacientes com AIDS, mas o quadro clínico é diferente: ocorre em imunossuprimidos, com escotomas, redução da acuidade visual e, menos frequentemente, perda súbita. À fundoscopia, observam-se lesões retinianas necrosantes com hemorragias, o clássico aspecto de "queijo e ketchup", e não o branqueamento do polo posterior com mácula em cereja. O diagnóstico é clínico, baseado no aspecto da lesão e em dados de imunodepressão avançada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O descolamento de retina causa perda visual que se instala em até 7 dias, não de forma súbita como na OACR. O paciente frequentemente relata fotopsias (flashes de luz) e moscas volantes, e à fundoscopia observa-se a retina descolada, com aspecto elevado e ondulante, sem o branqueamento isquêmico nem a mácula em cereja. A perda visual é tipicamente progressiva, acompanhando a extensão do descolamento.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A oclusão da artéria central da retina (OACR) é a principal suspeita diagnóstica. O quadro é de baixa acuidade visual unilateral, súbita (menos de 1 hora) e indolor, e a fundoscopia revela o branqueamento do polo posterior (edema retiniano isquêmico) com mácula em cereja (fóvea poupada por ser avascular). Esses achados são patognomônicos da doença. A etiologia mais comum é a trombose por arteriosclerose, seguida de embolização carotídea ou cardíaca.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A oclusão da veia central da retina (OVCR) também causa perda visual unilateral e indolor, mas com tempo de evolução mais lento — horas a dias ou semanas — e achados fundoscópicos distintos: hemorragias retinianas nos quatro quadrantes, veias dilatadas e tortuosas, exsudatos algodonosos e edema de disco óptico. Não há branqueamento do polo posterior nem mácula em cereja. A OVCR pode ser isquêmica ou não isquêmica, e a neovascularização de íris ocorre em cerca de 20% dos casos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A oclusão de ramo de veia central da retina (ORVCR) afeta apenas o setor drenado pelo ramo venoso obstruído, causando dilatação e tortuosidade venosas e hemorragias localizadas nesse território, não difusas. A perda visual é geralmente menos grave e o tempo de evolução é semelhante ao da OVCR (horas a dias). Não há branqueamento do polo posterior nem mácula em cereja, que são exclusivos da oclusão arterial.

Gabarito: letra C — oclusão da artéria central da retina, pelo quadro clássico de perda visual súbita, unilateral e indolor com branqueamento retiniano e mácula em cereja à fundoscopia.

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