Questão de Medicina — Oftalmologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Oftalmologia
Código
qq969763
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Ano Adicional: Transplante de Córnea
A síndrome de Marfan apresenta ectopia lentis em 80% dos casos. Sobre as alterações oculares presentes nessa síndrome, é correto afirmar que
Aa subluxação do cristalino é geralmente inferiornasal.
Ba região superior da zônula é a mais frágil.
Cpode ocorrer glaucoma pós-trabecular.
Dgeralmente são pacientes hipermétropes.
Eesses pacientes apresentam uma dilatação complicada, pois, normalmente, tem hipoplasia do dilatador da pupila.
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GabaritoE — esses pacientes apresentam uma dilatação complicada, pois, normalmente, tem hipoplasia do dilatador da pupila.
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Síndrome de Marfan: alterações oculares
Gabarito: letra E. Na síndrome de Marfan, a ectopia lentis (deslocamento do cristalino) é frequente, e a dilatação pupilar é dificultada pela hipoplasia do músculo dilatador da pupila, o que torna a midríase complicada — exatamente o que afirma a alternativa E. As demais alternativas trazem erros clássicos: a subluxação é tipicamente superotemporal (não inferonasal), a zônula mais frágil é a inferior (não superior), o glaucoma é secundário (não pós-trabecular) e os pacientes tendem à miopia (não hipermetropia).
A síndrome de Marfan é uma doença hereditária do tecido conjuntivo, causada por mutações no gene da fibrilina-1 (FBN1), que compromete a formação das fibras elásticas e, no olho, a integridade da zônula de Zinn — o conjunto de fibras que suspende o cristalino. Por isso, a ectopia lentis é uma das manifestações mais características, presente em cerca de 60–80% dos casos. O deslocamento ocorre porque as fibras zonulares, especialmente as da região inferior, são mais frágeis e se rompem, permitindo que o cristalino se desvie para cima e para o lado temporal — daí a direção superotemporal.
Além da ectopia lentis, outras alterações oculares são comuns: miopia (devido ao aumento do comprimento axial do globo), glaucoma secundário (frequentemente por trauma ou por alterações do ângulo, mas não um glaucoma pós-trabecular primário), catarata precoce e hipoplasia do músculo dilatador da pupila. Essa hipoplasia é um achado importante: o músculo dilatador, controlado pelo sistema simpático, é pouco desenvolvido, de modo que a pupila dilata mal quando se instilam midriáticos — o que pode dificultar o exame de fundo de olho e a cirurgia de catarata.
Na prática clínica, ao examinar um paciente com suspeita de Marfan, o oftalmologista deve estar atento à direção da subluxação: se for superotemporal, reforça o diagnóstico de Marfan; se for inferonasal, sugere homocistinúria, outra doença do colágeno que também causa ectopia lentis, mas com padrão oposto. Essa distinção é clássica em provas e na prática.
A banca explora justamente essa confusão: troca a direção da subluxação (inferonasal em vez de superotemporal), inverte a região de maior fragilidade zonular (superior em vez de inferior), inventa um glaucoma pós-trabecular (quando o glaucoma é secundário) e afirma hipermetropia (quando o comum é miopia). A alternativa E, ao contrário, descreve com precisão a hipoplasia do dilatador, um achado real e específico.
Síndrome de Marfan (olho)
1Ectopia lentis (60–80%)
Subluxação superotemporal
Zônula inferior mais frágil
2Outras alterações
Miopia (axial)
Glaucoma secundário
Catarata precoce
Hipoplasia do dilatador da pupila
Midríase complicada
3Diagnóstico diferencial
Homocistinúria → subluxação inferonasal
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a subluxação do cristalino é geralmente inferonasal. Na síndrome de Marfan, a ectopia lentis é tipicamente superotemporal — o cristalino desloca-se para cima e para fora. A direção inferonasal é característica da homocistinúria, não da Marfan. A banca inverte o padrão para confundir.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que a região superior da zônula é a mais frágil. Na verdade, as fibras zonulares inferiores são as mais frágeis na Marfan, o que explica a direção superotemporal do deslocamento (o cristalino "cai" para cima porque a zônula inferior se rompe). A fragilidade superior não é o padrão descrito.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Menciona "glaucoma pós-trabecular". O glaucoma na Marfan é secundário, podendo ocorrer por trauma, por alterações do ângulo ou por outras causas, mas não é classificado como "pós-trabecular". Esse termo não é usado na literatura oftalmológica para descrever o glaucoma da síndrome.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que os pacientes são geralmente hipermétropes. O padrão refrativo mais comum na Marfan é a miopia, frequentemente alta, devido ao aumento do comprimento axial do globo ocular. A hipermetropia não é a regra.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve corretamente a hipoplasia do músculo dilatador da pupila, que torna a dilatação pupilar complicada. Esse é um achado reconhecido na síndrome de Marfan: o músculo dilatador, inervado pelo simpático, é pouco desenvolvido, dificultando a midríase farmacológica e o exame do fundo de olho. É a única alternativa tecnicamente correta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter os padrões clássicos: na Marfan, a subluxação é superotemporal e a zônula mais frágil é a inferior — mas as alternativas A e B trocam esses sentidos. Além disso, o erro refrativo típico é miopia, não hipermetropia (D). Fique atento a essas inversões: elas são o coração da questão.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar: Marfan = subluxação superotemporal + zônula inferior frágil + miopia + hipoplasia do dilatador. Compare com a homocistinúria, que causa subluxação inferonasal. Essa oposição é clássica e cai com frequência.