Questão de Medicina — Oftalmologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Oftalmologia
Código
qq969766
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Ano Adicional: Transplante de Córnea
Qual tipo de catarata piora a acuidade visual para longe e melhora a acuidade visual para perto?
ACortical.
BNuclear.
CSubcapsular posterior.
DSubcapsular anterior.
ETotal.
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GabaritoB — Nuclear.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Catarata: tipos e impacto na acuidade visual
Gabarito: letra B. A catarata nuclear é o tipo que piora a visão para longe e melhora a visão para perto, fenômeno conhecido como miopização — o núcleo do cristalino, ao se tornar mais denso e amarelado, aumenta o índice de refração, deslocando o foco para frente e criando uma miopia induzida que, paradoxalmente, aproxima o ponto próximo (melhorando a leitura em pacientes présbitas). Essa é a assinatura clínica clássica da catarata nuclear, cobrada em provas de oftalmologia.
A catarata é a opacificação do cristalino, a lente natural do olho, e sua classificação se baseia na localização da opacidade: cortical (no córtex, periferia), nuclear (no núcleo central) e subcapsular posterior (na face posterior, sob a cápsula). Cada tipo tem um padrão sintomático distinto, e a banca explora exatamente essa diferenciação. A catarata nuclear é a mais comum na senilidade e a que apresenta essa peculiaridade refrativa: o núcleo endurecido e amarelado (esclerose nuclear) aumenta o poder dióptrico do cristalino, gerando uma miopia adquirida. Para um paciente que já era présbita (dificuldade para perto por perda da acomodação), essa miopia induzida "compensa" parcialmente a presbiopia, melhorando a visão de perto sem óculos — o chamado "segunda visão" ou "visão jovem do idoso".
Na prática, o paciente com catarata nuclear típica relata: piora progressiva da visão para longe (dificuldade para dirigir, reconhecer rostos), melhora paradoxal da visão de perto (consegue ler sem óculos que antes usava), e, em fases avançadas, alteração na percepção de cores (tudo parece amarelado ou acastanhado) e ofuscamento com luz forte. O exame com lâmpada de fenda mostra o núcleo com coloração amarelo-acastanhada ou até marrom-escura (catarata nuclear grau 1 a 4).
A distinção que importa aqui é entre os três tipos principais, pois cada um tem um perfil sintomático oposto em algum aspecto. Enquanto a nuclear melhora a visão de perto, a subcapsular posterior costuma piorar a visão de perto e causar intenso ofuscamento (especialmente com luz forte e à noite, com halos), e a cortical causa mais ofuscamento e perda de contraste, com sintomas variáveis. A pegadinha da banca é justamente inverter esse padrão: atribuir à subcapsular posterior a melhora da visão de perto, quando isso é marca registrada da nuclear.
Guarde o critério decisivo: catarata nuclear = miopização = melhora da visão de perto; é exatamente nessa assinatura que as alternativas se dividem.
Catarata: impacto na acuidade: Nuclear (Piora visão para longe, Melhora visão para perto (miopização)); Cortical (Ofuscamento, Perda de contraste); Subcapsular posterior (Ofuscamento intenso, Piora visão para perto, Halos noturnos)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A catarata cortical se caracteriza por opacidades na periferia do córtex do cristalino, em padrão radial (semelhante a raios de roda). Seus sintomas principais são ofuscamento (especialmente com luz forte e ao dirigir à noite), perda de contraste e dificuldade para longe, mas não há o fenômeno de melhora da visão de perto. A miopização é exclusiva da forma nuclear, pois depende do aumento do índice refrativo do núcleo — que não ocorre na cortical.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A catarata nuclear é a resposta. A esclerose nuclear aumenta o índice de refração do cristalino, gerando miopia induzida. Essa miopia desloca o ponto focal para frente, o que piora a visão para longe (o paciente fica míope) e, ao mesmo tempo, aproxima o ponto próximo, melhorando a visão para perto em pacientes présbitas — o fenômeno da "segunda visão". É a única forma de catarata com essa assinatura clínica paradoxal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A catarata subcapsular posterior (CSP) é a que mais causa ofuscamento e halos, especialmente com luz forte e à noite, e costuma piorar a visão de perto (dificuldade para ler), além de afetar a visão para longe. Não há miopização nem melhora da visão de perto — pelo contrário, é o tipo que mais compromete a leitura. A banca tenta confundir o candidato atribuindo à CSP o padrão da nuclear.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A catarata subcapsular anterior é uma forma rara, geralmente associada a trauma ou exposição a radiação, e não apresenta o padrão de miopização com melhora da visão de perto. Não é uma classificação clínica usualmente cobrada com essa assinatura sintomática; o padrão de piora para longe e melhora para perto é específico da nuclear.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A catarata total (ou madura) representa a opacificação completa do cristalino, com perda visual severa e global — o paciente enxerga apenas vultos ou percepção luminosa. Não há melhora de visão para perto em nenhuma fase; a acuidade visual está gravemente comprometida para longe e para perto. É o estágio final da evolução, sem o fenômeno refrativo da nuclear.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão do padrão sintomático: o candidato confunde a catarata nuclear (que miopiza e melhora a visão de perto) com a subcapsular posterior (que piora a visão de perto e causa ofuscamento). A palavra-chave é "melhora para perto" — isso só acontece na nuclear, pela miopia induzida. Memorize: nuclear = miopização = "segunda visão".
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte o quadro comparativo mental: Nuclear → piora longe, melhora perto (miopização); Cortical → ofuscamento, perda de contraste; Subcapsular posterior → ofuscamento intenso, piora perto, halos noturnos. Na prova, ao ver "melhora da visão de perto", a resposta é sempre nuclear.